Mostrando postagens com marcador Avaliação Psicológica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Avaliação Psicológica. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A TRAMA DAS DROGAS ENTRE OS JOVENS



A TRAMA DAS DROGAS ENTRE OS JOVENS

Por Abilio Machado

O uso de drogas entre jovens não nasce no vazio. Ele se constrói em camadas de vulnerabilidade, curiosidade, ausência de pertencimento, fuga emocional e, sobretudo, em uma sociedade que fala muito sobre prevenção, mas esconde seus próprios vícios atrás de taças, rótulos caros e moralismo seletivo.

Os riscos começam na experimentação banalizada: beber até se embriagar é visto, muitas vezes, como rito de passagem. É comum, é “normal”, é celebrado como se fosse um gesto de liberdade — quando, na verdade, se torna uma porta aberta para perdas significativas na saúde, na vida escolar, no trabalho e, em muitos casos, na aproximação com o crime.

O abuso de álcool entre jovens é frequentemente invisibilizado. Fala-se muito das drogas ilícitas, mas silencia-se sobre o etanol vendido em cada esquina, estampado em propagandas festivas, mesmo sendo ele um dos maiores responsáveis por acidentes, violência, intoxicações e danos ao desenvolvimento.

As consequências aparecem cedo: efeitos negativos no corpo e na mente, impulsividade, fragilização emocional, vulnerabilidade às violências e à exploração. A curto prazo, multiplicam-se acidentes e brigas; a longo prazo, traçam-se ciclos de dependência e perda de oportunidades.

O percurso das substâncias varia — maconha, tabaco, ecstasy, LSD — mas a realidade é a mesma: um mundo sombrio que dilacera indivíduos, famílias e comunidades. A droga, por si só, não cria o crime; é o vazio social ao redor dela que alimenta essa engrenagem. Onde há abandono, falta de políticas públicas, desigualdade e ausência de afeto, brota um terreno fértil para o uso e para o recrutamento criminoso.

E, no entanto, existe um ponto crucial nessa discussão: o problema não é exclusivo de ninguém.

Está no pobre, nas periferias, nas minorias que sobrevivem às duras penas, entre conchas de feijão e necessidades básicas.
Mas também está no médio, na classe trabalhadora, no proletariado que se anestesia para esquecer a dureza do dia, entre ossos de frango frito e jornadas exaustivas.
E está no rico, sim, escondido não mais no quinino, mas no caviar, nos condomínios de luxo, nos tapetes felpudos embalados por whisky de 12 anos e vinhos de safras especiais.

É por isso que a hipocrisia dói:
Há quem pregue moral, quem condene o jovem da periferia, quem discurse inflamado sobre vício e decadência… com um cigarro aceso na ponta dos dedos.
E há quem fale de “bons valores”, “família”, “retidão”, enquanto ergue a taça de vinho chileno ou italiano, alimentando o mesmo sistema de dependência — só que com rótulos mais caros e justificativas socialmente aceitas.

A sociedade denuncia o baseado do adolescente pobre, mas aplaude o brinde do adulto bem vestido.
Aponta o dedo para a maconha no beco, mas normaliza o álcool da confraternização da empresa.
Criminaliza a fuga barata dos vulneráveis, mas romantiza a fuga sofisticada de quem pode pagar.

Esse problema atravessa bairros, cidades, estados, classes, cores, religiões.
Não pertence a um só grupo — afeta a todos.
E enquanto continuarmos tratando a dependência dos pobres como crime, e a dependência dos ricos como “um momento social”, nada mudará.

Só haverá transformação quando reconhecermos que o vício é um fenômeno humano, social e emocional — e que a hipocrisia institucionalizada é um dos maiores impedimentos para enfrentar, de fato, essa realidade. 



quarta-feira, 3 de abril de 2024

Autismo e Inclusão Escolar: O Caminho para uma Educação Equitativa e Respeitosa

 


por Abilio Machado Psicoterapeuta

Sobre o curso Autismo e Inclusão Escolar que acabei de realizar, elaborei este pequeno artigo, espero que o ajude a entender um pouco mais sobre o Autismo e sua Inclusão Escolar:

O autismo é uma condição neurológica que afeta a maneira como uma pessoa percebe o mundo, interage com os outros e processa informações. Cada criança no espectro do autismo é única, com suas próprias habilidades, desafios e necessidades. Portanto, a inclusão escolar desempenha um papel fundamental na promoção do desenvolvimento e bem-estar desses alunos.

Neste contexto, o papel do professor como mediador da inclusão de alunos com autismo é crucial. Como educadores, eles desempenham um papel fundamental na criação de um ambiente acolhedor e adaptado às necessidades individuais de cada aluno. De acordo com a psicóloga educacional Maria Helena Fernandes, "os professores são agentes fundamentais na construção de uma escola inclusiva, onde todos os alunos, independentemente de suas diferenças, se sintam bem-vindos e capazes de aprender".

Para lidar com as limitações de comunicação e comportamentos indesejados, estratégias terapêuticas e psicopedagógicas são essenciais. A terapia ocupacional, por exemplo, pode ajudar os alunos a desenvolver habilidades motoras finas e a se adaptarem às demandas do ambiente escolar. Além disso, a psicopedagogia oferece técnicas para promover a aprendizagem e o desenvolvimento socioemocional dos alunos.

A busca por apoio de colegas e familiares também desempenha um papel fundamental no processo de inclusão escolar. Ao envolver a comunidade escolar e a família no planejamento e implementação de estratégias de apoio, é possível criar um ambiente de apoio e compreensão para o aluno com autismo.

Estabelecer uma boa relação entre professor e aluno é outro aspecto crucial da inclusão escolar. Quando os alunos se sentem valorizados, compreendidos e apoiados pelo professor, eles estão mais propensos a se engajar na aprendizagem e a alcançar seu potencial máximo. Como afirma a professora e pesquisadora em educação inclusiva, Maria Teresa Eglér Mantoan, "a relação de confiança e respeito entre professor e aluno é a base para o sucesso da inclusão escolar".

Finalmente, técnicas específicas podem ser empregadas para facilitar o processo de aprendizagem dos alunos com autismo. A implementação de uma rotina estruturada, por exemplo, pode ajudar os alunos a se sentirem seguros e previsíveis em seu ambiente escolar. Além disso, a valorização dos elementos sensoriais e a abordagem vivencial são eficazes na educação de autistas, pois permitem que os alunos aprendam de maneira prática e significativa.

A inclusão escolar de alunos com autismo requer o comprometimento de toda a comunidade escolar, desde os professores e funcionários até os colegas e familiares. Somente através de uma abordagem colaborativa e centrada no aluno, podemos garantir que todos os alunos tenham acesso a uma educação equitativa e respeitosa, independentemente de suas diferenças individuais.


Imagem de Mimzy por Pixabay

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

A Importância da Psicometria na Avaliação Psicológica

 



A Importância da Psicometria na Avaliação Psicológica

Por Abilio Machado Psicoarteterapeuta 

A avaliação psicológica desempenha um papel fundamental na compreensão do funcionamento psicológico humano, fornecendo insights valiosos para uma variedade de contextos, como saúde mental, educação, seleção de pessoal e pesquisa. No cerne dessa prática está a psicometria, uma área da psicologia que se dedica à medição de características psicológicas por meio de métodos científicos.

O que é Psicometria?

A psicometria pode ser definida como a ciência da medição psicológica. Ela envolve o desenvolvimento, a validação e a aplicação de instrumentos psicológicos, como testes e questionários, para avaliar traços como personalidade, inteligência, aptidões específicas, habilidades cognitivas, entre outros. Esses instrumentos são projetados com base em princípios estatísticos sólidos, visando garantir sua confiabilidade e validade.

Confiabilidade e Validade: Pilares da Psicometria

Dois conceitos-chave na psicometria são a confiabilidade e a validade dos instrumentos de medida. A confiabilidade refere-se à consistência dos resultados ao longo do tempo e em diferentes situações. Por exemplo, um teste de personalidade confiável produzirá resultados consistentes quando administrado repetidamente à mesma pessoa. Já a validade está relacionada à precisão com que o instrumento mede o que se propõe a medir. Um teste de inteligência válido deve realmente mensurar as capacidades cognitivas do indivíduo e não outro traço qualquer.

Aplicações da Psicometria na Avaliação Psicológica

A psicometria é amplamente utilizada em diversas áreas da psicologia aplicada. Por exemplo, na psicologia clínica, testes psicométricos ajudam os profissionais a diagnosticar transtornos mentais e a planejar intervenções terapêuticas adequadas. Na área educacional, testes de habilidades cognitivas auxiliam na identificação de necessidades de aprendizagem e no desenvolvimento de programas de ensino individualizados. No contexto organizacional, testes de personalidade e habilidades são empregados na seleção e no desenvolvimento de funcionários.

Desafios e Considerações Éticas

Embora a psicometria seja uma ferramenta poderosa, ela não está isenta de desafios e considerações éticas. A seleção inadequada ou a interpretação incorreta dos instrumentos podem levar a conclusões errôneas e ações prejudiciais. Portanto, é essencial que os profissionais que utilizam testes psicométricos sejam devidamente treinados e sigam diretrizes éticas rigorosas em sua prática.

Conclusão

Em suma, a psicometria desempenha um papel crucial na avaliação psicológica, fornecendo meios objetivos e confiáveis para medir uma variedade de traços e características psicológicas. Por meio da aplicação rigorosa de princípios estatísticos e éticos, os instrumentos psicométricos ajudam os profissionais a compreender melhor o funcionamento humano e a tomar decisões informadas em uma variedade de contextos.

Referências:

  • Anastasi, A., & Urbina, S. (1997). Testagem psicológica. Porto Alegre: Artmed.
  • Pasquali, L. (2010). Instrumentação psicológica: fundamentos e práticas. Porto Alegre: Artmed.
  • Cohen, R. J., & Swerdlik, M. E. (2009). Psychological testing and assessment: An introduction to tests and measurement. Nova York: McGraw-Hill.

O dilema do Bonde.

  O Dilema do Bonde Quadro 1: Um bonde desgovernado avança rapidamente por uma linha férrea. Cinco pessoas estão amarradas nos trilhos à fre...