segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Sobre o isolamento...

 


A psicologia moderna acaba de absolver quem prefere o silêncio da própria companhia ao barulho das multidões. Evitar eventos sociais não é necessariamente um defeito de personalidade ou timidez, mas um mecanismo avançado de defesa contra a hipocrisia.


Estudos sobre sensibilidade sensorial revelam que pessoas com alta inteligência emocional possuem um "filtro de tolerância" muito mais restrito. Enquanto a maioria suporta interações superficiais por convenção social, o cérebro desses indivíduos interpreta conversas forçadas e dramas desnecessários como uma agressão direta ao sistema nervoso.


O isolamento seletivo, portanto, não é fuga, é higiene mental. É uma escolha deliberada pela paz em vez da "performance social". Ao recusar convites, você não está rejeitando as pessoas, mas sim protegendo sua energia de ambientes que exigem um teatro emocional que você não está mais disposto a encenar. Preferir a calma à popularidade não é solidão, é autopreservação.


#históriailimitada #psicologia #saúdemental #comportamento #sociedade

domingo, 8 de fevereiro de 2026

"Será que fui suficiente?”

" ...às vezes eu acho que não fui e não estou sendo um bom pai... Vejo outras famílias e é inevitável a comparação, aquelas onde os pais maltratam, batem, negligenciam, não dão atenção, parece que geram uma união e uma dependência maior ..."



Essa imagem dói num lugar silencioso.

Não grita. Não acusa. Ela se encolhe.

Um pai curvado sobre si mesmo vira abrigo. O corpo cansado vira teto. O frio cai do lado de fora enquanto, ali dentro, duas crianças aprendem cedo demais o que é mundo. Não há heroísmo explícito. Há exaustão. Há medo. Há amor tentando dar conta do impossível.

E é aí que nasce essa dúvida que você confessa — e que quase todo pai que ama carrega escondida no bolso do peito:

“Será que fui suficiente?”

“Será que estou sendo um bom pai?”

A comparação vem como uma armadilha moral. A gente olha para famílias partidas, violentas, negligentes, e algo profundamente desconcertante acontece: os filhos parecem mais unidos, mais dependentes, mais colados uns nos outros. Como se a dor tivesse criado um pacto. Como se o abandono tivesse virado cola.

Mas essa união não é virtude — é sobrevivência.

A violência, o medo e a ausência não produzem laço saudável; produzem necessidade. Produzem crianças que se agarram porque não há chão. Produzem vínculos baseados em urgência, não em escolha. É o amor que nasce da falta, não do cuidado.

O pai da imagem não está criando dependência. Ele está oferecendo algo muito mais raro e, paradoxalmente, menos visível: segurança.

E segurança não gera gratidão imediata. Segurança não vira discurso bonito. Segurança, muitas vezes, passa despercebida. Porque quando ela existe, a criança não precisa gritar por ela.

Pais que batem, negligenciam ou ferem deixam marcas barulhentas. Pais que protegem deixam marcas silenciosas — tão silenciosas que o próprio pai duvida se deixou alguma.

Ser um bom pai não é ser perfeito, nem ser o centro da vida do filho. É ser teto quando o mundo desaba. É ser corpo cansado que aguenta mais um pouco. É errar pedindo desculpa. É amar mesmo com medo de falhar. É oferecer o melhor que se tinha — mesmo quando o melhor parecia pouco.

Talvez seus filhos não dependam de você da forma dramática que outras crianças dependem de pais ausentes.

E isso não é fracasso.

Isso é sucesso invisível.

A imagem diz “agradeça”.

Mas talvez o recado mais honesto seja outro:

perdoe-se.

Porque quem se pergunta se foi um bom pai… geralmente já estava tentando ser.

Como a ansiedade noa afeta !

 


A verdade é que a ansiedade pode afetar a nossa mente em todos os aspectos possíveis...


Muitas pessoas chegam ao meu consultório médico desesperadas, porque acham que estão com um problema neurológico grave, um tumor ou algo do tipo, e na verdade, após a consulta podemos identificar que estão enfrentando algum tipo de ansiedade


Queixam-se de dificuldade para se concentrar nas atividades diárias, esquecimentos, dor de cabeça, mente cansada e pesada...


E a maioria demorou a buscar ajuda profissional porque tinha medo, vergonha ou porque não imaginava que a ansiedade poderia causar todos esses sintomas!


Se você está passando por algo do tipo e ainda não começou um tratamento adequado, não deixe para depois!


Os transtornos de ansiedade além de prejudicarem a mente, também podem causar doenças em todos os locais do nosso corpo !!


Para saber como posso te ajudar a enfrentar a ansiedade através do meu acompanhamento médico personalizado, entre em contato:

Psicoterapeuta Abilio Machado 

Psicanalista Abilio Machado 


Ajudo você a construir uma mente saudável!


#Psicoarteterapeuta #psicanalista  #ensinamentosdopapainoel #entenderparatransformar #neuropsicopedagogo #terapiasintegrativas #terapeutacognitivocomportamental

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A esquizofrenia não "surge" do nada.

 


A esquizofrenia não "surge" do nada. Ela geralmente mostra sinais anos antes, em um período que chamamos de Fase Prodrômica.

🧠 Imagine que nossa mente organiza as informações do mundo como um quebra-cabeça em constante montagem. 

Nos sintomas prodrômicos, algumas peças começam a parecer que não se encaixam como antes, ou cores de cenários diferentes se misturam. 

Identificar essas pequenas peças é o que permite ajudar a pessoa a reorganizar sua vivência com segurança.


🚩 O "Retraimento" diferente na adolescência 

Muitos confundem com a rebeldia típica, mas observe a intensidade:

 🔸️O isolamento social: Aquele jovem que era sociável e, de repente, abandona o grupo de amigos e prefere ficar trancado no quarto por semanas, sem interesse em hobbies antigos.

🔸️Queda no rendimento escolar: Uma dificuldade súbita de concentração. Ele lê a mesma página dez vezes e não entende nada.

🔸️ Higiene relaxada: Deixar de tomar banho ou trocar de roupa por dias, demonstrando uma apatia profunda (a "falta de vontade").


🚩 A Percepção se altera na fase adulta

Aqui, o mundo começa a parecer "estranho" ou ameaçador:

🔸️ Pensamentos Mágicos: Uma mulher que passa a acreditar que as cores das roupas das pessoas na rua são mensagens secretas para ela.

🔸️ Desconfiança (Paranoia leve): O homem que começa a achar que os colegas de trabalho estão rindo dele pelas costas ou que o celular está sendo monitorado, sem uma base real.

🔸️ Alterações Sensoriais: Sentir que os sons estão altos demais ou que as cores estão brilhantes de um jeito desconfortável.


💡 Por que observar importa?

É o momento de ouro para intervenção terapêutica e medicamentosa leve, que pode evitar que o quadro evolua para um surto grave.

Se você notar que um filho, aluno ou paciente está "se distanciando" da realidade de forma persistente, não espere o quadro aparecer. 

O acolhimento e a avaliação profissional precoce salvam o futuro.

❤️❤️❤️

Abilio Machado 

Psicoarteterapeuta C & P 

Aos poucos tudo muda


 Há um dia em que a casa fica estranhamente silenciosa, e não é porque a criança foi embora. Ela ainda está ali, sentada no chão, no sofá, no quarto. O que mudou foi a língua que ela fala — e, junto com ela, o modo como nos alcança.

No começo, tudo era aproximação. A picoca não precisava virar pipoca para ser compreendida. O erro não era falha, era ponte. A linguagem infantil não nomeia o mundo: ela o cria. Cada palavra torta é um ensaio de sentido, uma tentativa de pertencimento. O adulto entende não porque a palavra está correta, mas porque o vínculo está inteiro.

Com o tempo, algo acontece. A estela aprende que é estrela. O tefone se ajeita em telefone. A mânica se corrige para máquina. Não é apenas alfabetização — é adaptação. A criança vai aprendendo que, para ser ouvida no mundo, precisa falar como o mundo fala. A escola chama isso de desenvolvimento linguístico. A psicopedagogia sabe que é também um movimento de separação.

Cada palavra corrigida é uma conquista cognitiva, sim. Amplia o pensamento, organiza a realidade, estrutura o raciocínio simbólico. Mas, ao mesmo tempo, fecha um pequeno portal da infância. O adulto vibra com o progresso, enquanto algo delicado se despede sem cerimônia: aquele idioma íntimo, imperfeito e cúmplice que só existia entre pais e filhos.

Até que chega o dia em que o “não sabo” vira “não sei”. E ninguém aplaude. Porque ali não houve erro a ser corrigido, apenas uma constatação. A criança já sabe que não sabe. Metacognição, diriam os livros. Consciência dos próprios limites, diriam os teóricos. Para os pais, muitas vezes, é só um aperto estranho no peito — como quem percebe que o filho começou a resolver o mundo sem pedir ajuda.

Do ponto de vista psicopedagógico, esse afastamento é saudável. É sinal de maturação, de autonomia intelectual, de construção do eu. A criança precisa sair do colo simbólico para pensar com as próprias palavras. Mas do ponto de vista afetivo, é um luto miúdo, cotidiano, quase invisível. Não se chora por ele, mas ele se acumula.

Os pais não se afastam porque querem. Afastam-se porque a criança avança. E avançar exige espaço. O que antes era dito em voz alta passa a ser pensado. O que era perguntado vira silêncio. O que era compartilhado se torna interno. Não é rejeição — é desenvolvimento.

Talvez o desafio do adulto não seja impedir essa distância, mas aprender outra forma de proximidade. Menos correção, mais escuta. Menos tradução do mundo, mais curiosidade pelo que a criança pensa dele. Porque, mesmo quando a linguagem amadurece, o desejo de ser compreendido permanece infantil por muito tempo.

Aos poucos, os filhos aprendem a falar certo. E os pais precisam aprender a ouvir diferente.


Abilio Machado 

Psicanalista 

Psicoarteterapeuta C & P 

Neuropsicopedagogo ICH 

Arteeducador

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O dilema do Bonde.

 

O Dilema do Bonde

Quadro 1: Um bonde desgovernado avança rapidamente por uma linha férrea. Cinco pessoas estão amarradas nos trilhos à frente.


Quadro 2: Um homem está ao lado de uma alavanca. Ele tem a opção de puxá-la, desviando o bonde para uma segunda linha férrea.


Quadro 3: Nessa segunda linha, uma única pessoa está amarrada.


Quadro 4: O homem está suando, com uma expressão de desespero no rosto, olhando para a alavanca e para as duas opções. Ele sabe que qualquer decisão resultará em morte.


Quadro 5: Close-up do rosto do homem, uma lágrima escorre. Ele precisa decidir.


Quadro 6: O bonde está se aproximando das cinco pessoas, a sombra do bonde já as cobre. O homem ainda não decidiu.


Pergunta: Se você estivesse no lugar do homem da alavanca, o que você faria e por quê?

sábado, 17 de janeiro de 2026

A bebida, o silêncio e o altar invisível


 A bebida, o silêncio e o altar invisível

Ninguém começa usando drogas querendo perder a vida.

Começa querendo perder a dor.

É curioso como a sociedade gosta de falar das drogas apontando o dedo para a substância, como se ela tivesse pernas, braços e intenção própria. Como se o álcool pulasse sozinho para dentro do copo, como se a garrafa chamasse pelo nome, como se o vício fosse um acidente moral e não um processo humano.

Mas quem escuta de verdade sabe:

ninguém bebe apenas bebida.

Bebe história.

Bebe ausência.

Bebe cansaço.

Bebe silêncios acumulados.

As drogas não entram na vida de alguém por acaso. Elas entram onde algo já estava faltando.

O álcool, por exemplo, é social, educado, aceito. Ele chega sorrindo, abraça, diz “relaxa”, “só hoje”, “você merece”. Ele participa das festas, das confraternizações, das despedidas, dos encontros e até dos velórios. É a droga que a cultura ensinou a amar.

E talvez por isso seja uma das mais traiçoeiras.

No começo, ele solta a língua, desamarra o corpo, anestesia a vergonha. O tímido fala. O triste ri. O cansado esquece. O ferido dorme.

E então alguém diz:

— “Quando bebo, fico mais eu.”

Mas não fica.

Fica menos consciente da dor de não ser quem gostaria de ser.

Do ponto de vista psicológico, o abuso de álcool não é busca de prazer. É tentativa de regulação emocional. É um remendo improvisado para emoções que nunca aprenderam a ser sentidas, nomeadas e atravessadas.

Quem bebe demais, muitas vezes, não sabe o que sente. Só sabe que dói.

E quando dói, o corpo aprende rápido: existe um líquido que cala o barulho interno.

O cérebro registra.

O alívio vira hábito.

O hábito vira necessidade.

A necessidade vira prisão.

E, em silêncio, o prazer vai embora. Fica apenas o medo da falta.

Mas há algo ainda mais profundo acontecendo — algo que a psicologia sozinha toca, mas não esgota.

Existe um vazio espiritual que nenhuma substância preenche.

Não falo de religião. Falo de sentido.

De pertencimento.

De reconciliação com a própria história.

Quando o humano não encontra onde repousar a alma, ele cria altares improvisados. Alguns rezam para o sucesso, outros para o corpo perfeito, outros para o reconhecimento. E muitos, sem perceber, fazem do álcool um consolador químico.

O copo vira oração.

A garrafa, refúgio.

O gole, uma promessa falsa de paz.

É uma espiritualidade distorcida, mas real: algo que promete alívio imediato, cobra caro e nunca salva.

O alcoolismo não começa no fígado. Começa na alma.

O fígado adoece depois, como testemunha silenciosa de uma dor que ninguém quis ouvir a tempo.

E enquanto o corpo tenta eliminar a substância — em horas ou dias — a mente continua intoxicada por memórias, culpas, vergonhas e histórias mal contadas.

O álcool pode sair do sangue em doze horas.

Da urina em dois dias.

Mas da identidade… às vezes leva anos.

Porque o problema nunca foi só a bebida.

Foi o que ela substituiu.

As outras drogas seguem caminhos semelhantes, cada uma com sua promessa específica:

umas oferecem coragem, outras desligamento, outras euforia, outras anestesia total. Mas todas têm algo em comum: não ensinam a viver, apenas a escapar.

E ninguém consegue fugir de si para sempre.

Em algum momento, o corpo cobra.

As relações adoecem.

O trabalho falha.

A espiritualidade seca.

O espelho se torna incômodo.

E então surge a pergunta que muitos evitam:

“Quem sou eu sem isso?”

Essa é a pergunta mais assustadora para quem se perdeu no caminho. E também a mais necessária.

Uma abordagem psicoteológica não aponta o dedo. Ela estende a mão.

Ela entende que tratar o abuso de drogas não é apenas retirar a substância, mas devolver à pessoa a capacidade de sentir, escolher e sustentar a própria existência.

Não se trata de condenar o dependente.

Trata-se de chamá-lo de volta à consciência.

À responsabilidade possível.

À dignidade esquecida.

Cura não é abstinência apenas.

Cura é reconstrução de sentido.

Talvez, no fundo, toda dependência seja uma pergunta mal formulada:

“Como viver com essa dor?”

E o trabalho terapêutico — psicológico e espiritual — seja ajudar a reformular a pergunta:

“O que essa dor quer me ensinar sobre mim?”

Enquanto essa pergunta não encontra espaço, a garrafa continua sendo resposta.

Uma resposta frágil.

Temporária.

Cara demais.

Mas ainda assim, compreensível.

Porque ninguém se perde porque quer.

Se perde porque não encontrou outro caminho.

E toda crônica sobre drogas, se for honesta, não termina com julgamento — termina com convite.

Convite à escuta.

À responsabilidade.

À reconstrução.

E, principalmente, à coragem de parar de beber silêncio e começar, enfim, a habitar a própria vida.


#fuga #drogas #psicologia #tetapia #sintomas #tratamento 

Sobre o isolamento...

  A psicologia moderna acaba de absolver quem prefere o silêncio da própria companhia ao barulho das multidões. Evitar eventos sociais não é...