quinta-feira, 5 de março de 2026

Se um dia ...



 Se um dia o médico disser que meu cérebro deixará de funcionar. E que, portanto, de certa forma, minha própria vida se acabará. Quando isso acontecer, não se esforcem em introduzir vida artificial em meu corpo através de aparelhos. Ao invés disso, doem minha visão a uma pessoa que nunca tenha visto o alvorecer, nem o rosto de uma criança. Doem meu coração a uma pessoa cujo coração não tenha sentido outra coisa em sua vida senão infinitos dias de dor. Doem meus rins a alguém que dependa de uma máquina para sobreviver. Descubram um modo de fazer uma criança paralítica caminhar por intermédio de meu sangue,meus ossos e de todos os músculos e nervos de meu corpo. Um dia, quem sabe, minhas células possam servir a um garotinho mudo e ele possa gritar bem alto o gol de seu time, ou ainda, por meio delas, fazer com que uma garota surda consiga ouvir o som da chuva na sua janela. Queimem o que restou de mim e que as cinzas sejam sopradas ao vento para, quem sabe, ajudar as flores a crescer. E se você realmente quiser libertar alguma coisa, que seja então os meus defeitos, minhas fraquezas e todos os meus preconceitos contra meu semelhante. Se você fizer tudo que pedi, eu viverei para sempre.

#papainoelabiliomachado 

#ensinamentosdopapainoel

No Fim, Estaremos Sós

 


No Fim, Estaremos Sós

Há uma frase que soa dura como pedra lançada no silêncio da alma:

“No fim estaremos sozinhos e sem ninguém para nos salvar.”

À primeira vista ela parece cruel, quase desesperadora.

Mas talvez seja apenas honesta.

Vivemos cercados de vozes, conselhos, promessas e presenças. Familiares nos orientam, amigos nos abraçam, mestres nos ensinam, terapeutas nos escutam, médicos que nos mantém vivos, líderes espirituais nos apontam caminhos. Contudo, existe um território onde nenhuma dessas presenças pode entrar completamente.

É o território da decisão.

Ali, no instante em que a consciência se encontra consigo mesma, não há plateia. Não há advogados. Não há médicos. Não há enfermeiros. Não há intérpretes. Apenas o ser humano e o peso de sua própria existência.

A psicologia chama isso de responsabilidade psíquica.

A teologia chama de livre-arbítrio.

É o momento em que percebemos que ninguém pode viver por nós, sentir por nós, escolher por nós. Podem amar-nos profundamente, podem estender as mãos, podem até caminhar ao nosso lado por longos trechos da vida — mas a travessia final de certas decisões sempre será solitária.

Curiosamente, é exatamente nesse lugar de solidão que começa a maturidade da alma.

Enquanto esperamos que alguém nos salve — um amor, um amigo, uma religião, um milagre — continuamos crianças espirituais. Mas quando percebemos que a responsabilidade da própria vida repousa sobre nossos ombros, algo dentro de nós desperta.

Não se trata de abandono.

É consciência.

A teologia, quando lida com profundidade, não afirma que Deus vive substituindo o ser humano em suas escolhas. Ao contrário, a tradição espiritual insiste que o divino nos concede dignidade suficiente para escolher nossos caminhos.

Deus não vive a vida por nós.

Ele caminha conosco.

E isso muda tudo.

Porque a solidão última da decisão não significa ausência de Deus, mas presença silenciosa. Não é o grito de alguém que nos arranca da queda, mas o sussurro que nos lembra que temos pernas para levantar.

Talvez seja por isso que tantas tradições espirituais falem de deserto, silêncio e noites da alma. Esses lugares simbólicos revelam algo fundamental: antes de encontrar Deus, o ser humano precisa encontrar a si mesmo.

E esse encontro não acontece em multidões.

Acontece no íntimo.

Assim, quando alguém diz que no fim estaremos sozinhos e sem ninguém para nos salvar, talvez esteja apenas descrevendo o instante em que todas as máscaras caem. O momento em que deixamos de esperar salvadores externos e descobrimos que a graça divina não anula nossa responsabilidade — ela a ilumina.

No fim, estaremos sós diante de nossas escolhas.

Mas talvez, nesse silêncio profundo da consciência, descubramos algo surpreendente:

Nunca estivemos realmente abandonados.

Porque o Deus que muitos esperavam como um salvador externo talvez sempre tenha sido aquela pequena voz interior que, desde o início, nos convidava a viver com verdade.

E essa voz, ainda que sussurre, jamais nos deixa completamente sozinhos.


sábado, 28 de fevereiro de 2026

Pensando em paz...



 Os sentimentos de paz, de alegria e de esperança têm suas raízes em nossa maneira de pensar e, obviamente, na nossa maneira de agir. Mas, nem sempre, nos damos conta disso.


As nossas crenças a respeito desses sentimentos positivos, nasce, geralmente, das nossas experiências externas.


Quando pensamos ou tratamos da paz, nós a vemos como a ausência de violência entre as pessoas e até entre nações. Mas, não nos lembramos da paz mais importante: a paz interior.


Se pensamos sobre a alegria, nós a ligamos a acontecimentos externos que nos agradam e não a um "estado de espírito" cultivado internamente por nós. Se alimentamos a esperança, logo nós a vinculamos a algum benefício material a ser alcançado.


O certo é que todos nós queremos paz, mas cada um a quer a seu modo, e bem poucos a procuram de verdade, porque, muitas vezes, buscam uma paz conveniente.


Esquecemos de que, para se obter a paz é preciso que vigiemos os nossos pensamentos e emoções, e esta vigília nos traz uma sensação de bem estar, de que não nos falta tanto quanto imaginávamos e de que nosso cérebro está iluminado por possuirmos amor suficiente para ajudar os outros, além de nós mesmos.


Com este dia, e assim pensando, o início do final de semana poderá nos dar a certeza de que nossa vida está segura, pois está nas mãos de Deus. Se assim quisermos!


Paz profunda 

👋😃✌️

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Os percalços do ser: entre o que somos, o que fomos e o que tentamos aparentar

 


Os percalços do ser: entre o que somos, o que fomos e o que tentamos aparentar

Há tropeços que não fazem barulho.

Não deixam hematomas visíveis, nem arrancam aplausos pela superação. São quedas internas, silenciosas, que acontecem quando a imagem que construímos de nós mesmos começa a rachar.

Ser é um verbo exigente.

Desde cedo aprendemos a desempenhar papéis: o filho responsável, a menina exemplar, o adolescente forte, o adulto produtivo. Construímos versões aceitáveis de nós mesmos para sobreviver emocionalmente aos olhares, às críticas e às expectativas. E, pouco a pouco, passamos a confundir adaptação com identidade.

O primeiro grande percalço do ser nasce aí: quando a máscara se torna mais confortável do que o rosto.

O conflito entre essência e adaptação

A psicologia nos mostra que a formação da identidade é atravessada por múltiplas forças: vínculos primários, experiências traumáticas, modelos culturais e crenças internalizadas. Não nos tornamos quem somos apenas por escolha; tornamo-nos também por defesa.

A criança que foi silenciada pode tornar-se o adulto que fala demais para não ser ignorado.

O adolescente que foi ridicularizado pode vestir a armadura da ironia para não ser ferido novamente.

O profissional competente pode esconder um medo constante de não ser suficiente.

Cada mecanismo de proteção, que um dia foi necessário, pode se transformar em obstáculo quando já não corresponde à realidade atual. Eis outro percalço: carregar estratégias antigas em contextos novos.

O peso das expectativas sociais

Vivemos em uma cultura que valoriza desempenho, visibilidade e produtividade. A subjetividade, porém, não se desenvolve na velocidade das metas. O ser não amadurece sob pressão; ele se constrói na elaboração.

A comparação constante — intensificada pelas redes sociais — cria uma sensação permanente de inadequação. O sujeito passa a se medir por recortes idealizados da vida alheia. E então surge a pergunta corrosiva: “Por que eu não sou como deveria ser?”

Esse “deveria” é um dos maiores sabotadores da autenticidade. Ele afasta o indivíduo de sua própria história e o aproxima de um ideal inatingível.

A travessia da dor como possibilidade

Os percalços do ser não são apenas quedas; são também convites.

Toda crise identitária carrega um potencial de reorganização. Quando o sofrimento é escutado — e não negado — ele pode revelar desejos reprimidos, lutos não elaborados e necessidades esquecidas.

Na clínica, é comum perceber que o sintoma não é inimigo, mas mensageiro. Ansiedade, irritabilidade, desânimo crônico — muitas vezes são expressões de um eu que pede reorganização. O sofrimento, nesse sentido, pode ser um chamado à autenticidade.

Não se trata de romantizar a dor, mas de reconhecer sua função estruturante quando acompanhada e elaborada.

O reencontro consigo

Superar os percalços do ser não significa eliminar conflitos. Significa aprender a habitá-los com consciência. É integrar sombras e luzes, limites e potenciais, sem a necessidade de negar partes da própria história.

Ser não é atingir uma versão final e perfeita de si mesmo.

Ser é um processo contínuo de revisão, amadurecimento e reconciliação.

A autenticidade não nasce da ausência de falhas, mas da coragem de reconhecê-las sem perder a dignidade interna.

Talvez o maior desafio da existência não seja tornar-se extraordinário, mas tornar-se verdadeiro.

E isso exige enfrentamento, escuta interna e, muitas vezes, acompanhamento terapêutico. Porque há travessias que não precisam — e não devem — ser feitas sozinhas.

Abilio Machado

Psicanalista | Psicoarteterapeuta C&P | Neuropsicopedagogo ICH

Terapeuta Cognitivo-Comportamental – abordagem integrativa (Psicologia Essencial)

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Entre o Toque e a Fome

 


Entre o Toque e a Fome

Hoje me deparei com uma imagem que não sai da cabeça.

Duas crianças.

À esquerda, um bebê segura um tablet maior que o próprio tronco. O símbolo brilhante denuncia tecnologia, acesso, futuro digital. O olhar é curioso, quase distraído. Há conforto. Há proteção. Há promessa.

À direita, outra criança.

O corpo encolhido, ossos marcados, olhar abatido. O chão é duro. A sombra atrás dela parece maior que sua própria existência. Não há brilho. Não há distração. Há fome.

E entre elas… um abismo.

Não é apenas desigualdade econômica.

É uma diferença político-sociocultural que nos obriga a refletir sobre o que em nós é ético, moral e justo.

Na clínica aprendi que o ser humano cria mecanismos para suportar o que dói. Quando a dor é coletiva, chamamos de estatística. Quando é distante, chamamos de problema social. Quando nos ameaça, chamamos de ideologia.

Mas quando está diante dos nossos olhos… chamamos de quê?

O bebê da tecnologia não é culpado.

A criança da fome não é responsável.

O conflito está em nós.

Psicologicamente, a desigualdade pode produzir anestesia ou culpa.

Espiritualmente, ela revela a qualidade da nossa consciência.

É fácil defender ideias.

Difícil é sustentar coerência.

É confortável consumir inovação.

Desafiador é enfrentar a exclusão.

A fé que professo me lembra que justiça não é discurso inflamado, é cuidado concreto. Que moral não nasce do grupo ao qual pertenço, mas das escolhas que faço quando ninguém está aplaudindo. Que ética não é opinião — é posicionamento diante da dor do outro.

A imagem não condena tecnologia.

Ela denuncia indiferença.

E talvez a pergunta mais honesta não seja sobre sistemas, governos ou partidos.

Talvez seja:

O que essa diferença revela sobre mim?

Porque enquanto uma infância toca telas, outra toca o chão frio.

E a verdadeira batalha não está entre elas.

Está dentro de nós.

📞 Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

(41) 99845-1364

(41) 99635-3923

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A relação com a comida 🥐🥑


 A relação com a comida vai muito além de calorias e dietas. Muita gente acha que “come demais”, quando na verdade só está tentando aliviar um peso que não é físico. 🍽️ A comida vira fuga quando a mente está cansada. Vira recompensa quando você não recebe mais nenhum elogio. Vira anestesia quando o dia exige mais do que você consegue entregar. Vira companhia quando o silêncio pesa. E enquanto ninguém te ensina a enxergar isso, você continua acreditando que o problema é força de vontade — quando, na verdade, é autoconhecimento, regulação emocional e mudança de estilo de vida. Não é sobre contar calorias. É sobre entender por que você come quando não está com fome. É sobre parar de lutar contra você mesma e finalmente recuperar o controle. ✨ Se você sente que está cansada de recomeçar, cansada de se sabotar e pronta pra virar essa chave de vez… o Emagre Ser é o caminho que integra mente, rotina e comportamento — pra você emagrecer por dentro primeiro, e por fora como consequência. 👉 A mudança começa quando você decide entender sua história — não quando tenta compensar no prato.

#emagrecimento #compulsão #terapias

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Que vês? Que sentes?

 


Que vês?

Que sentes?

Levei este card para a sessão sem dizer uma palavra.

A imagem era impactante: um homem de terno alinhado, postura firme… mas com uma caveira no lugar do rosto. Elegante por fora. Mortal por dentro.

Coloquei a imagem entre nós e apenas perguntei:

— Que vês?

A resposta veio rápida:

— Frieza.

Depois, mais baixo:

— Vazio.

Interessante como projetamos.

A caveira pode simbolizar morte, finitude, tempo que passa. Mas também pode representar aquilo que foi despido das máscaras. Sem pele. Sem expressão social. Apenas estrutura.

Quantas pessoas vestem ternos emocionais?

Quantos sorrisos são apenas ossatura social?

Quantas performances escondem exaustão, luto, medo de não ser suficiente?

Na sessão, trabalhávamos a sensação de viver no automático. Alta performance. Reconhecimento externo. E, internamente, uma aridez difícil de nomear.

Perguntei então:

— Que sentes ao olhar?

Silêncio prolongado.

— Angústia… parece que está vivo, mas já morreu por dentro.

Nem sempre a morte é literal. Às vezes morre o entusiasmo. Morre o sonho antigo. Morre a espontaneidade esmagada por exigências excessivas.

Na Psicologia Essencial, trabalhamos justamente essa dissociação entre imagem e essência. Entre o que se apresenta ao mundo e o que pulsa — ou deixou de pulsar — no íntimo.

O card não falava sobre morte física. Falava sobre autenticidade. Sobre o risco de viver apenas para sustentar uma imagem. Sobre o preço emocional de não acessar a própria humanidade.

E termino como terminei na sessão:

Talvez a pergunta não seja apenas “Que vês?”

Mas… há quanto tempo você não se permite sentir?

Se você percebe que está funcionando por fora e se esvaziando por dentro, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para reconectar-se com aquilo que ainda pode florescer.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

Se um dia ...

 Se um dia o médico disser que meu cérebro deixará de funcionar. E que, portanto, de certa forma, minha própria vida se acabará. Quando isso...