A MALDADE DESTA CRIANÇA ERA TÃO GRANDE QUE ELE FOI SENTENCIADO À MORTE: MAS AS AUTORIDADES NÃO TIVERAM CORAGEM DE ENFORCA-LO!
Jesse Pomeroy nasceu em 29 de novembro de 1859, em Boston, Massachusetts, em uma época em que a cidade crescia rapidamente com a chegada de muitos imigrantes europeus, mas também enfrentava pobreza, doenças e violência.
Era o caçula de dois irmãos e cresceu ao lado do irmão mais velho, Charles Pomeroy. A infância dos dois foi marcada por um ambiente familiar conturbado.
Seu pai, Thomas Pomeroy, veterano da Guerra Civil e trabalhador braçal, tinha fama de ser alcoólatra e violentíssimo. Segundo diversos relatos da época, costumava espancar os filhos com cintos e chicotes, chegando, em algumas ocasiões, a obrigá-los a tirar a roupa antes das agressões.
Em contraste, sua mãe, Ruth Ann Pomeroy, era descrita como uma mulher carinhosa, paciente e profundamente dedicada aos filhos. Costureira, ela se esforçava para proteger a família e acreditava que Jesse era apenas um menino incompreendido.
Em 1870, quando Jesse tinha cerca de 11 anos, Thomas morreu. A perda do pai mudou completamente a dinâmica da casa. Ruth passou a assumir sozinha a responsabilidade pelo sustento da família, trabalhando por longas horas para manter os filhos.
Sem a presença da figura que impunha medo dentro de casa, Jesse passou a ter muito mais liberdade para circular pelas ruas de South Boston.
Até então visto como um garoto reservado, de poucas amizades e comportamento estranho, Jesse passou a demonstrar um interesse incomum em meninos menores do que ele.
Aos poucos, desenvolveu o hábito de abordar meninos que brincavam desacompanhados pelas ruas do bairro. Com conversa calma e aparência inofensiva, convencia alguns deles a acompanhá-lo até locais afastados, como terrenos baldios, áreas de mata e regiões pantanosas, longe da movimentação da cidade.
Ao chegar no local, Jesse utilizava cordas, cadarços ou cintos para amarrar os braços e as pernas das vítimas, impedindo qualquer tentativa de fuga.
Munido de canivetes, facas e chicotes improvisados, Jesse tirava a roupa dos garotos, e os submetia a sessões prolongadas de tortura extrema, dando chicotadas ferozes e infligindo cortes e ferimentos, enquanto se masturbava observando o sofrimento da vítima
As vítimas só conseguiam escapar quando Jesse interrompia as agressões por exaustão ou era obrigado a fugir diante da aproximação inesperada de alguma pessoa. Ainda assim, o trauma era devastador. Os meninos voltavam para casa ensanguentados, nus, aterrorizados e em estado de choque.
Muitos mal conseguiam explicar o que havia acontecido, limitando-se a dizer que haviam sido atacados por um misterioso "menino maior", que surgia do nada, os levava para um lugar isolado e depois desaparecia sem deixar qualquer rastro. A falta de informações concretas dificultou o trabalho da polícia e permitiu que os ataques continuassem por meses.
Em 1872, depois de novos ataques, uma das vítimas finalmente conseguiu reconhecer Jesse. Com apenas 12 anos de idade, ele foi preso. A brutalidade dos crimes impressionou investigadores e médicos, mas sua pouca idade levantou um enorme dilema para a Justiça.
As autoridades decidiram enviá-lo para a Westborough Reform School, uma instituição destinada à recuperação de jovens infratores.
Ali, Jesse surpreendeu a todos. Enquanto outros internos acumulavam punições, ele se tornou um dos detentos mais disciplinados da instituição. Obedecia às ordens, trabalhava sem reclamar e mantinha uma postura calma e educada.
Aos poucos, funcionários e inspetores passaram a acreditar que o garoto havia se arrependido sinceramente. Muitos concluíram que a disciplina finalmente havia corrigido seu comportamento.
Essa impressão acabaria se mostrando profundamente equivocada.
Em 1874, aos 14 anos, Jesse recebeu liberdade por bom comportamento e voltou para a casa da mãe. Ruth havia aberto uma pequena loja de jornais e artigos de armarinho na Broadway Street, onde o filho passou a ajudá-la diariamente. Atrás do balcão, organizava mercadorias, atendia clientes e fazia pequenos serviços. Para os vizinhos, parecia um adolescente tímido, trabalhador e completamente recuperado.
Mas, longe dos olhares da comunidade, algo havia mudado. Pouco tempo depois de retornar ao convívio social, Jesse voltou a procurar vítimas. No entanto, havia uma diferença assustadora: os ataques deixaram de ter apenas o objetivo de provocar dor e sofrimento. Sua sede de violência havia crescido. A tortura deixou de satisfazer seus impulsos, e ele passou a cometer assassinatos.
Entre as vítimas estava Horace Mullen, um menino de apenas 10 anos. Jesse conseguiu atraí-lo para uma região pantanosa em Dorchester. Quando o corpo foi encontrado, a brutalidade dos ferimentos chocou até mesmo os médicos responsáveis pelo exame.
A intensidade da violência foi tão brutal que causou enorme repercussão entre investigadores e moradores da cidade.
O assassinato provocou pânico coletivo. Famílias passaram a viver com medo constante, crianças desapareceram das ruas e logo, as suspeitas começaram a recair sobre Jesse Pomeroy.
As investigações se intensificaram e, à medida que novas evidências surgiam, Jesse passou a ser o principal suspeito.
Ruth recusava-se a acreditar nas acusações. Para ela, Jesse era apenas um garoto tímido e trabalhador, incapaz de cometer crimes tão brutais. Enquanto a mãe insistia em defendê-lo, policiais cercaram a pequena loja da família e iniciaram uma busca minuciosa no imóvel.
A inspeção começou pelo salão principal da loja e, em seguida, os investigadores desceram até o porão, um espaço onde Jesse trabalhava diariamente e ao qual apenas ele tinha acesso. Foi ali, escondido sob entulhos e detritos, que encontraram o corpo de outra criança desaparecida.
A descoberta causou enorme comoção e praticamente encerrou o caso. A partir daquele momento, as suspeitas deram lugar a evidências concretas, e até mesmo a convicção de Ruth de que o filho era inocente começou a ruir diante das provas reunidas pela investigação.
O comportamento de Jesse chamou atenção, ele demonstrou pouca emoção diante das acusações e das evidências encontradas. Sua aparente frieza impressionou autoridades, jornalistas e o público que acompanhava o julgamento.
Em 1875, aos 15 anos, Jesse foi considerado culpado e condenado à morte por enforcamento por dois assassinatos confirmados, e por diversos abusos sexuais e torturas contra outros meninos.
A sentença entrou para a história por envolver o réu mais jovem já condenado à pena capital em Massachusetts.
No entanto, quando chegou o momento de decidir se um adolescente realmente seria levado ao cadafalso, surgiu um intenso debate entre políticos, magistrados e autoridades estaduais.
A ideia de executar um garoto de apenas 15 anos dividiu profundamente a opinião pública. No fim, prevaleceu a decisão de comutar a sentença para prisão perpétua, grande parte dela cumprida em isolamento.
Jesse Pomeroy passaria praticamente toda a sua vida atrás das grades. Durante as décadas seguintes, aprendeu diversos idiomas, estudou literatura e escreveu poemas, demonstrando uma capacidade intelectual que contrastava de forma inquietante com a violência de sua juventude.
Ele morreu em 29 de setembro de 1932, após quase seis décadas de prisão. Seu caso continua sendo lembrado como um dos episódios mais perturbadores da história criminal dos Estados Unidos, não apenas pela brutalidade dos crimes, mas pelo fato de terem sido cometidos por alguém que ainda era uma criança.
















