quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Entre o medo de falar e o medo de se perder

 

Entre o medo de falar e o medo de se perder


Obrigado, Clarice Lispector, por colocar em palavras uma das maiores angústias das relações humanas:


“Por te falar, eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar, eu me perderei. E por me perder, eu te perderia.”


Existe uma verdade dolorosa nessa reflexão: às vezes, ficamos diante de uma escolha aparentemente impossível.


Falar pode nos fazer perder alguém.

Silenciar pode nos fazer perder a nós mesmos.


E talvez esse seja um dos conflitos mais profundos do afeto: até onde devo me calar para não perder quem amo?


Aprendemos, muitas vezes, que amar é preservar o outro, evitar conflitos, escolher as palavras certas, engolir algumas verdades e suportar alguns desconfortos.


Mas existe um limite entre cuidar de uma relação e abandonar a si mesmo dentro dela.


Quando precisamos esconder continuamente aquilo que sentimos, negar aquilo que pensamos ou diminuir aquilo que somos para que alguém permaneça ao nosso lado, talvez a relação já esteja cobrando de nós um preço alto demais.


Porque o silêncio também fala.


Ele fala através da ansiedade, da tristeza, da irritação, do distanciamento e, muitas vezes, daquela sensação difícil de explicar: “Eu estou aqui, mas já não sei mais quem sou.”


Falar não é necessariamente confrontar.

Ser sincero não significa ferir.

Expressar sentimentos não é fazer uma acusação.


Às vezes, falar é simplesmente dizer:


“Isso me machuca.”

“Eu sinto falta de você.”

“Eu não consigo mais continuar assim.”

“Eu preciso que você saiba o que está acontecendo dentro de mim.”


E talvez o verdadeiro amadurecimento emocional esteja justamente em aprender a falar sem destruir e a ouvir sem fugir.


Porque uma relação saudável deveria oferecer espaço para duas verdades existirem: a verdade do outro e a nossa própria verdade.


Se para permanecer com alguém você precisa desaparecer, talvez o medo de perdê-lo esteja fazendo você perder algo ainda mais precioso: a si mesmo.


E há perdas que doem muito.


Mas existe uma perda ainda mais silenciosa: aquela em que continuamos ao lado de alguém, enquanto, pouco a pouco, deixamos de existir dentro de nós mesmos.


Falar pode colocar uma relação em risco.

Mas silenciar para sempre pode colocar a própria identidade em risco.


Às vezes, dizer a verdade não é escolher perder alguém.


É escolher não se perder mais.


Abílio Machado _ Psi

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A pessoa que nasce dentro de nós...

 



A pessoa que nasce dentro de nós


Um dos processos mais bonitos — e também mais assustadores — da vida é perceber que, em algum momento, já não somos exatamente quem éramos.


Mudamos. Não necessariamente porque deixamos de ser nós mesmos, mas porque algumas experiências nos obrigam a olhar para dentro e reconhecer que a pessoa que fomos precisou morrer em alguns aspectos para que outra pudesse nascer.


Na perspectiva psicológica, esse processo pode representar amadurecimento, ressignificação e reconstrução da identidade. Há momentos em que antigas crenças, padrões, medos e formas de se relacionar deixam de fazer sentido. E quando aquilo que sustentava nossa antiga maneira de viver perde força, podemos experimentar uma espécie de luto por nós mesmos.


É assustador perceber:

“Eu não penso mais como antes. Não aceito mais as mesmas coisas. Não desejo mais a mesma vida.”


Mas talvez isso não seja uma perda. Talvez seja crescimento.


A psicoteologia nos oferece uma leitura ainda mais profunda desse processo. A Bíblia fala sobre transformação, renovação e nascimento de uma nova criatura. Paulo escreve: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:2). E, em outro momento, afirma que, em Cristo, aquele que está nele é uma “nova criatura” (2 Coríntios 5:17).


Isso não significa apagar a nossa história.


Deus não precisa destruir quem fomos para construir quem podemos ser. Ele pode transformar nossas feridas em consciência, nossos erros em aprendizado, nossas perdas em maturidade e até nossas quedas em lugares de onde aprendemos a levantar.


Talvez a verdadeira mudança não aconteça quando conseguimos esquecer o passado, mas quando conseguimos olhar para ele sem permitir que ele continue governando o presente.


Existe uma hora em que precisamos compreender que permanecer fiel à nossa história não significa permanecer preso a ela.


Você pode honrar quem foi sem continuar vivendo como aquela pessoa.


Pode agradecer pelo caminho sem precisar voltar para ele.


Pode reconhecer suas cicatrizes sem transformá-las em sua identidade.


E talvez seja justamente aí que aconteça uma das experiências mais profundas da existência: continuar sendo você, mas de uma maneira que o seu antigo eu jamais imaginou.


A transformação assusta porque toda mudança verdadeira exige uma despedida.


Mas algumas despedidas não são o fim.


São o começo de uma nova vida dentro da mesma vida.


Abílio Machado _ Psi

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Será que estamos sozinhos no universo?

 


Será que estamos sozinhos no universo?


Há perguntas que parecem nascer da ciência, mas, quando olhamos demoradamente para elas, percebemos que também nasceram dentro de nós.


“Existe vida inteligente em outros planetas?”


É uma pergunta fascinante. Olhamos para o céu, para a imensidão das estrelas, para os bilhões de mundos que talvez existam além daquilo que nossos olhos conseguem alcançar, e imaginamos outras civilizações, outras formas de inteligência, outras criaturas olhando para o mesmo universo e fazendo exatamente a mesma pergunta:


“Será que existe alguém lá fora?”


Mas existe uma ironia nessa história.


Enquanto procuramos desesperadamente sinais de inteligência a milhões de anos-luz, talvez ainda tenhamos dificuldades para reconhecer a inteligência que está aqui, tão perto.


Basta observar a humanidade.


Construímos máquinas capazes de atravessar oceanos, enviamos equipamentos para outros planetas, deciframos o código genético, criamos inteligência artificial, fotografamos galáxias distantes.


E, ao mesmo tempo, ainda não aprendemos completamente a conversar sem transformar diferenças em guerras.


Temos tecnologia para chegar às estrelas, mas muitas vezes não conseguimos atravessar a distância entre duas pessoas que vivem na mesma casa.


Sabemos medir a velocidade da luz, mas ainda tropeçamos na delicada arte de perceber a dor do outro.


Criamos redes que conectam bilhões de pessoas, mas nunca tivemos tanta gente experimentando a solidão.


Talvez a pergunta mais desconcertante não seja se existe vida inteligente em outros planetas.


Talvez seja:


o que uma civilização verdadeiramente inteligente faria com o planeta que recebeu?


Porque inteligência não deveria ser apenas capacidade de calcular, construir, dominar ou conquistar.


Inteligência também deveria ser capacidade de cuidar.


De compreender.


De esperar.


De reconhecer limites.


De perceber que o outro existe para além das nossas necessidades.


Na psicoterapia, aprendemos algo muito simples e, ao mesmo tempo, profundamente difícil: não basta saber o que sentimos. Precisamos aprender a compreender o que fazemos com aquilo que sentimos.


Uma pessoa pode ser intelectualmente brilhante e emocionalmente analfabeta.


Pode conhecer o funcionamento do universo e desconhecer completamente o próprio coração.


Pode discutir filosofia, política, religião e ciência durante horas e ainda assim não conseguir pedir desculpas.


Pode defender grandes causas e ser cruel dentro da própria casa.


Pode falar sobre amor e não saber amar.


Talvez seja essa uma das grandes contradições da nossa espécie.


Temos inteligência suficiente para procurar vida nas estrelas, mas ainda precisamos aprender a reconhecer vida dentro de nós.


E talvez seja por isso que a possibilidade de existir vida inteligente em outros planetas seja tão fascinante.


Porque, no fundo, não estamos apenas procurando extraterrestres.


Estamos procurando um espelho.


Queremos saber se existe alguém lá fora que tenha conseguido aquilo que nós ainda estamos tentando aprender aqui dentro.


Uma civilização que tenha descoberto que crescer não significa apenas acumular conhecimento, mas desenvolver consciência.


Que tenha entendido que poder sem responsabilidade é apenas uma forma sofisticada de destruição.


Que tenha descoberto que sobreviver é pouco quando não aprendemos a conviver.


Então, quando alguém perguntar se existe vida inteligente em outros planetas, talvez possamos responder:


“Eu não sei.”


Mas existe uma pergunta anterior, muito mais próxima e muito mais incômoda:


Será que nós, aqui na Terra, já aprendemos a ser inteligentes o suficiente para merecer o nome de humanidade?


Talvez o universo esteja cheio de vida.


Talvez esteja vazio.


Talvez um dia encontremos sinais de outra civilização olhando para nós.


E talvez, nesse dia, a maior descoberta não seja encontrarmos alguém lá fora.


Talvez seja percebermos finalmente quem somos nós aqui dentro.


— Abílio Machado

Psicoterapeuta

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Caráter não se negocia

 


Caráter não se negocia


Vivemos em um tempo em que, muitas vezes, somos convidados a abrir pequenas exceções aos nossos próprios valores. “É só dessa vez.” “Todo mundo faz.” “Ninguém vai saber.” E é justamente nessas pequenas concessões que o caráter começa a ser colocado à prova.


Caráter é aquilo que permanece quando ninguém está olhando.

Princípios são os limites que escolhemos não ultrapassar, mesmo quando ultrapassá-los parece mais fácil. Respeito é reconhecer o valor do outro sem precisar diminuí-lo. E confiança é algo que leva tempo para ser construída, mas pode ser destruída em um instante.


Não se trata de ser perfeito. Trata-se de ser coerente.


Porque, no final das contas, você pode negociar muitas coisas na vida: opiniões, caminhos, estratégias, planos e até algumas certezas.


Mas existem coisas que, quando negociadas, deixam de ser aquilo que deveriam ser.


Seu caráter, seus princípios, seu respeito e sua confiança não deveriam ter preço.


E você? Qual princípio jamais negociaria, mesmo que isso lhe custasse alguma coisa?


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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Quando o mal prova não ter idade !

 


A MALDADE DESTA CRIANÇA ERA TÃO GRANDE QUE ELE FOI SENTENCIADO À MORTE: MAS AS AUTORIDADES NÃO TIVERAM CORAGEM DE ENFORCA-LO! 

Jesse Pomeroy nasceu em 29 de novembro de 1859, em Boston, Massachusetts, em uma época em que a cidade crescia rapidamente com a chegada de muitos imigrantes europeus, mas também enfrentava pobreza, doenças e violência.


Era o caçula de dois irmãos e cresceu ao lado do irmão mais velho, Charles Pomeroy. A infância dos dois foi marcada por um ambiente familiar conturbado.


Seu pai, Thomas Pomeroy, veterano da Guerra Civil e trabalhador braçal, tinha fama de ser alcoólatra e violentíssimo. Segundo diversos relatos da época, costumava espancar os filhos com cintos e chicotes, chegando, em algumas ocasiões, a obrigá-los a tirar a roupa antes das agressões. 


Em contraste, sua mãe, Ruth Ann Pomeroy, era descrita como uma mulher carinhosa, paciente e profundamente dedicada aos filhos. Costureira, ela se esforçava para proteger a família e acreditava que Jesse era apenas um menino incompreendido.


Em 1870, quando Jesse tinha cerca de 11 anos, Thomas morreu. A perda do pai mudou completamente a dinâmica da casa. Ruth passou a assumir sozinha a responsabilidade pelo sustento da família, trabalhando por longas horas para manter os filhos. 


Sem a presença da figura que impunha medo dentro de casa, Jesse passou a ter muito mais liberdade para circular pelas ruas de South Boston.


Até então visto como um garoto reservado, de poucas amizades e comportamento estranho, Jesse passou a demonstrar um interesse incomum em meninos menores do que ele. 


Aos poucos, desenvolveu o hábito de abordar meninos que brincavam desacompanhados pelas ruas do bairro. Com conversa calma e aparência inofensiva, convencia alguns deles a acompanhá-lo até locais afastados, como terrenos baldios, áreas de mata e regiões pantanosas, longe da movimentação da cidade.


Ao chegar no local, Jesse utilizava cordas, cadarços ou cintos para amarrar os braços e as pernas das vítimas, impedindo qualquer tentativa de fuga.


Munido de canivetes, facas e chicotes improvisados, Jesse tirava a roupa dos garotos, e os submetia a sessões prolongadas de tortura extrema, dando chicotadas ferozes e infligindo cortes e ferimentos, enquanto se masturbava observando o sofrimento da vítima


As vítimas só conseguiam escapar quando Jesse interrompia as agressões por exaustão ou era obrigado a fugir diante da aproximação inesperada de alguma pessoa. Ainda assim, o trauma era devastador. Os meninos voltavam para casa ensanguentados, nus, aterrorizados e em estado de choque. 


Muitos mal conseguiam explicar o que havia acontecido, limitando-se a dizer que haviam sido atacados por um misterioso "menino maior", que surgia do nada, os levava para um lugar isolado e depois desaparecia sem deixar qualquer rastro. A falta de informações concretas dificultou o trabalho da polícia e permitiu que os ataques continuassem por meses.


Em 1872, depois de novos ataques, uma das vítimas finalmente conseguiu reconhecer Jesse. Com apenas 12 anos de idade, ele foi preso. A brutalidade dos crimes impressionou investigadores e médicos, mas sua pouca idade levantou um enorme dilema para a Justiça. 


As autoridades decidiram enviá-lo para a Westborough Reform School, uma instituição destinada à recuperação de jovens infratores.


Ali, Jesse surpreendeu a todos. Enquanto outros internos acumulavam punições, ele se tornou um dos detentos mais disciplinados da instituição. Obedecia às ordens, trabalhava sem reclamar e mantinha uma postura calma e educada. 


Aos poucos, funcionários e inspetores passaram a acreditar que o garoto havia se arrependido sinceramente. Muitos concluíram que a disciplina finalmente havia corrigido seu comportamento.

Essa impressão acabaria se mostrando profundamente equivocada.


Em 1874, aos 14 anos, Jesse recebeu liberdade por bom comportamento e voltou para a casa da mãe. Ruth havia aberto uma pequena loja de jornais e artigos de armarinho na Broadway Street, onde o filho passou a ajudá-la diariamente. Atrás do balcão, organizava mercadorias, atendia clientes e fazia pequenos serviços. Para os vizinhos, parecia um adolescente tímido, trabalhador e completamente recuperado.


Mas, longe dos olhares da comunidade, algo havia mudado. Pouco tempo depois de retornar ao convívio social, Jesse voltou a procurar vítimas. No entanto, havia uma diferença assustadora: os ataques deixaram de ter apenas o objetivo de provocar dor e sofrimento. Sua sede de violência havia crescido. A tortura deixou de satisfazer seus impulsos, e ele passou a cometer assassinatos.


Entre as vítimas estava Horace Mullen, um menino de apenas 10 anos. Jesse conseguiu atraí-lo para uma região pantanosa em Dorchester. Quando o corpo foi encontrado, a brutalidade dos ferimentos chocou até mesmo os médicos responsáveis pelo exame. 


A intensidade da violência foi tão brutal que causou enorme repercussão entre investigadores e moradores da cidade.


O assassinato provocou pânico coletivo. Famílias passaram a viver com medo constante, crianças desapareceram das ruas e logo, as suspeitas começaram a recair sobre Jesse Pomeroy.


As investigações se intensificaram e, à medida que novas evidências surgiam, Jesse passou a ser o principal suspeito. 


Ruth recusava-se a acreditar nas acusações. Para ela, Jesse era apenas um garoto tímido e trabalhador, incapaz de cometer crimes tão brutais. Enquanto a mãe insistia em defendê-lo, policiais cercaram a pequena loja da família e iniciaram uma busca minuciosa no imóvel. 


A inspeção começou pelo salão principal da loja e, em seguida, os investigadores desceram até o porão, um espaço onde Jesse trabalhava diariamente e ao qual apenas ele tinha acesso. Foi ali, escondido sob entulhos e detritos, que encontraram o corpo de outra criança desaparecida. 


A descoberta causou enorme comoção e praticamente encerrou o caso. A partir daquele momento, as suspeitas deram lugar a evidências concretas, e até mesmo a convicção de Ruth de que o filho era inocente começou a ruir diante das provas reunidas pela investigação.


O comportamento de Jesse chamou atenção, ele demonstrou pouca emoção diante das acusações e das evidências encontradas. Sua aparente frieza impressionou autoridades, jornalistas e o público que acompanhava o julgamento.


Em 1875, aos 15 anos, Jesse foi considerado culpado e condenado à morte por enforcamento por dois assassinatos confirmados, e por diversos abusos sexuais e torturas contra outros meninos.


A sentença entrou para a história por envolver o réu mais jovem já condenado à pena capital em Massachusetts.


No entanto, quando chegou o momento de decidir se um adolescente realmente seria levado ao cadafalso, surgiu um intenso debate entre políticos, magistrados e autoridades estaduais. 


A ideia de executar um garoto de apenas 15 anos dividiu profundamente a opinião pública. No fim, prevaleceu a decisão de comutar a sentença para prisão perpétua, grande parte dela cumprida em isolamento.


Jesse Pomeroy passaria praticamente toda a sua vida atrás das grades. Durante as décadas seguintes, aprendeu diversos idiomas, estudou literatura e escreveu poemas, demonstrando uma capacidade intelectual que contrastava de forma inquietante com a violência de sua juventude.


Ele morreu em 29 de setembro de 1932, após quase seis décadas de prisão. Seu caso continua sendo lembrado como um dos episódios mais perturbadores da história criminal dos Estados Unidos, não apenas pela brutalidade dos crimes, mas pelo fato de terem sido cometidos por alguém que ainda era uma criança.

domingo, 2 de agosto de 2026

O Código de Honra Invisível

 


 O Código de Honra Invisível


Vivemos em uma época em que quase tudo pode ser exibido. Fotografam-se conquistas, registram-se vitórias e compartilham-se aplausos. Mas existe um lugar onde nenhuma câmera alcança: o território silencioso do caráter.



É ali que o verdadeiro ser humano é construído.



Os antigos estoicos compreendiam que a vida não é uma sucessão de grandes batalhas heroicas. Na maior parte do tempo, ela é feita de pequenas escolhas. Levantar e cumprir a palavra dada. Admitir um erro antes que ele seja descoberto. Permanecer honesto quando a mentira seria mais conveniente. Fazer o bem mesmo quando ninguém agradecerá por isso.



O caráter raramente é provado quando tudo está dando certo. A prosperidade costuma esconder as rachaduras da alma. O teste acontece nas manhãs comuns, nos dias difíceis, nas decisões que ninguém testemunha.



Existe uma honra silenciosa em recusar aquilo que fere os próprios princípios, ainda que isso custe oportunidades. Há uma força invisível em assumir responsabilidades sem procurar culpados. E há uma paz que dinheiro algum compra: deitar a cabeça no travesseiro sabendo que a pessoa que o mundo vê é a mesma que existe quando todas as luzes se apagam.



Talvez esse seja o verdadeiro código de honra: não vestir uma máscara de virtudes, mas tornar-se alguém que não precisa dela.



O estoicismo nunca prometeu uma vida fácil. Prometeu algo muito maior: a possibilidade de permanecer íntegro em qualquer circunstância.



Porque, no fim, reputação é aquilo que dizem sobre nós. Caráter é aquilo que permanece quando ninguém está olhando.

Psicoarteterapeuta Abilio Machado





sexta-feira, 31 de julho de 2026

Escreveu La Boétie: "Sede resolutos em não mais servir, e sereis livres." (Discurso da Servidão Voluntária)

 


Você tentou disfarçar o incômodo no primeiro comentário desagradável de alguém. Preferiu não brigar. Evitou o enfrentamento. As coisas pioraram. A pessoa se sentiu mais à vontade para invadir seu espaço. Há algo que levei muito tempo para entender: gente "folgada" vai se sentindo cada vez mais à vontade se você não demarcar limites.

Escreveu La Boétie: "Sede resolutos em não mais servir, e sereis livres." (Discurso da Servidão Voluntária)

Conselho de sexta a partir de La Boétie: decida ser a sua própria prioridade e estabeleça com clareza direta seu direito a existir sem agradar babacas. Provavelmente, quando não puder mais atacar, a pessoa vai se afastar da sua vida. Eis uma perda a comemorar.

Bom fim de semana.   

(imagem: O terapeuta, Magritte)

Entre o medo de falar e o medo de se perder

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