domingo, 18 de outubro de 2026

Afinal, o que faz um professor? Na pior das hipóteses, faz toda a diferença.

 


Afinal, o que faz um professor? Na pior das hipóteses, faz toda a diferença.


Por Abilio Machado


Afinal, o que faz um professor?


Ensina a ler, escrever, calcular, interpretar textos, compreender a História, questionar a realidade e descobrir que o mundo é muito maior do que aquilo que cabe dentro de uma sala de aula.


Mas, pensando bem, isso ainda é pouco.


Porque, na pior das hipóteses, um professor faz toda a diferença.


E perceba a ironia dessa afirmação. Em uma sociedade que frequentemente questiona o valor da educação, desvaloriza o magistério e cobra resultados imediatos de processos que exigem tempo, encontramos uma profissão cujo verdadeiro impacto nem sempre pode ser medido por provas, notas ou estatísticas.


Um professor pode passar anos ensinando alguém que talvez nunca se lembre de uma fórmula, de uma data ou de uma definição. Entretanto, aquele estudante pode carregar pela vida inteira uma pergunta que o professor fez, uma palavra de incentivo que recebeu ou a descoberta de que era capaz de aprender algo que julgava impossível.


O conteúdo pode ser esquecido. A experiência de ter sido transformado, nem sempre.


O professor não ensina apenas aquilo que sabe


Existe uma diferença entre transmitir informações e participar da formação de uma pessoa.


Informações podem ser encontradas em livros, plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial. O conhecimento, porém, exige interpretação, contexto, discernimento e capacidade de estabelecer relações entre aquilo que aprendemos e aquilo que vivemos.


É nesse processo que a presença do professor continua sendo fundamental.


Ele não é apenas alguém que apresenta respostas. É também quem ensina a formular perguntas melhores, a desconfiar de certezas precipitadas, a reconhecer contradições e a compreender que pensar não significa simplesmente concordar ou discordar.


Ensinar é ajudar o outro a desenvolver autonomia intelectual.


E isso exige muito mais do que dominar uma disciplina. Exige sensibilidade para perceber que cada estudante chega à sala de aula trazendo uma história que nem sempre aparece no boletim escolar.


Há quem chegue com fome. Há quem tenha dormido pouco. Há quem esteja enfrentando conflitos familiares, insegurança, violência, ansiedade ou a dolorosa sensação de não pertencer a lugar algum.


O professor não pode resolver todos esses problemas, nem deve ser responsabilizado sozinho por isso. Mas pode ser a primeira pessoa, naquele dia, a olhar para um estudante e enxergar alguém além de suas dificuldades.


Às vezes, a diferença começa exatamente aí.


Na pior das hipóteses...


Gosto particularmente dessa expressão: “na pior das hipóteses”.


Ela parece diminuir a importância do que vem depois, mas acaba fazendo justamente o contrário.


Na pior das hipóteses, o professor ensina uma criança a ler. E essa criança passa a ter acesso a mundos que antes lhe eram inacessíveis.


Na pior das hipóteses, ajuda um adolescente a descobrir que sua dificuldade em determinada disciplina não significa incapacidade para aprender.


Na pior das hipóteses, ensina alguém a argumentar sem agredir, a discordar sem desumanizar e a reconhecer que o conhecimento exige humildade.


Na pior das hipóteses, apresenta um livro que desperta uma vocação, uma experiência artística que abre novas possibilidades de expressão ou uma pergunta filosófica que acompanha alguém por décadas.


Na pior das hipóteses, faz um estudante perceber que não precisa repetir a história que lhe contaram sobre si mesmo.


E, na pior das hipóteses, faz toda a diferença.


Porque educar não é garantir que todos percorram o mesmo caminho. É oferecer condições para que cada pessoa descubra caminhos que talvez nem soubesse que existiam.


O professor diante das invisibilidades


Quem trabalha com educação sabe que nem toda transformação é imediatamente visível.


Há estudantes que demonstram aprendizado nas notas. Outros revelam avanços na maneira de se comunicar, na capacidade de trabalhar em grupo, na disposição para perguntar ou na coragem de tentar novamente depois de errar.


Nem todo progresso aparece em uma avaliação.


Uma criança que finalmente consegue ler uma frase sozinha experimenta algo que vai muito além da decodificação das palavras: descobre que é capaz de realizar uma tarefa que antes parecia distante.


Um adolescente que aprende a defender suas ideias sem precisar humilhar os colegas começa a desenvolver uma competência essencial para a vida em sociedade.


Um estudante que se reconhece em uma obra de arte pode encontrar uma linguagem para sentimentos que ainda não conseguia expressar.


São acontecimentos aparentemente pequenos. Mas a vida humana é construída também por essas pequenas mudanças.


O problema é que a sociedade costuma celebrar os resultados e ignorar o processo. Queremos profissionais competentes, cidadãos críticos, pessoas emocionalmente maduras e indivíduos capazes de conviver com as diferenças, mas nem sempre reconhecemos o trabalho cotidiano de quem participa dessa formação.


Cobramos da educação aquilo que, muitas vezes, não estamos dispostos a valorizar.


Quando o professor deixa marcas


Nem todo professor será lembrado pelo nome de sua disciplina. Alguns serão lembrados por uma frase. Outros, por uma atitude. Há aqueles que serão recordados porque acreditaram em alguém quando ninguém mais parecia acreditar.


Isso não transforma o professor em herói, nem significa que todos os educadores sejam extraordinários em todos os momentos.


Professores são seres humanos. Também se cansam, erram, frustram-se e precisam de apoio, formação, condições dignas de trabalho e reconhecimento profissional.


Idealizar a docência como uma missão de sacrifício permanente é outra forma de desvalorizar quem a exerce.


O professor não precisa viver exausto para provar que ama ensinar. Precisa de condições para ensinar bem.


Não basta homenageá-lo em uma data comemorativa enquanto se ignora a precarização de seu trabalho. Não basta dizer que a educação transforma vidas se não houver investimento, respeito à profissão e compromisso coletivo com a aprendizagem.


Reconhecer a importância do professor significa ir além dos aplausos.


Significa compreender que a qualidade da educação não pode depender exclusivamente da dedicação individual de quem está diante de uma turma.


Ensinar também é um ato de responsabilidade social


Uma sociedade que educa não está apenas preparando pessoas para o mercado de trabalho. Está formando indivíduos capazes de compreender seus direitos, reconhecer seus deveres, participar da vida pública e questionar as estruturas que organizam a realidade.


A educação não elimina automaticamente as desigualdades, nem garante que todo estudante terá as mesmas oportunidades. Mas pode ampliar possibilidades, oferecer instrumentos de compreensão e ajudar a romper ciclos de exclusão.


É por isso que o acesso ao conhecimento importa tanto.


Quando ensinamos alguém a pensar criticamente, não estamos determinando o que essa pessoa deverá pensar. Estamos oferecendo ferramentas para que ela possa construir suas próprias conclusões, confrontar argumentos e rever suas posições diante de novas evidências.


Um professor comprometido com a formação humana não precisa produzir estudantes que concordem com ele. Precisa contribuir para que desenvolvam a capacidade de pensar com autonomia e responsabilidade.


Talvez seja justamente essa uma das maiores contribuições da educação: permitir que o sujeito deixe de ser apenas espectador da própria história e passe a participar conscientemente de sua construção.


Afinal, o que faz um professor?


Ele ensina conteúdos, desenvolve habilidades, orienta processos de aprendizagem e participa da formação de pessoas.


Mas também pode despertar curiosidades, ampliar horizontes, questionar preconceitos, estimular a criatividade e ajudar alguém a reconhecer possibilidades que antes não conseguia enxergar.


Nem sempre saberá o alcance de seu trabalho.


Talvez nunca descubra que aquele estudante, anos depois, escolheu uma profissão porque uma aula despertou seu interesse. Talvez jamais saiba que uma conversa ajudou alguém a atravessar um momento difícil. Talvez não receba reconhecimento por uma transformação que só será percebida muito tempo depois.


Ainda assim, continua ensinando.


E é por isso que a frase permanece tão poderosa.


Afinal, que faz um professor?


Na pior das hipóteses, ensina alguém a ler o mundo.


Na melhor, ajuda esse alguém a descobrir que também pode transformá-lo.


E, entre uma hipótese e outra, existe uma infinidade de vidas tocadas pelo conhecimento, pela escuta e pela oportunidade de aprender.


Talvez não consigamos medir toda a diferença que um professor faz. Mas certamente podemos escolher se vamos reconhecê-la ou continuar fingindo que ela não existe.


Porque uma sociedade que desvaloriza seus professores pode até continuar produzindo informações.


O que precisa explicar é como pretende formar pessoas capazes de compreendê-las, questioná-las e utilizá-las para construir um mundo melhor.


Na pior das hipóteses, um professor faz toda a diferença. E talvez seja justamente por isso que precisamos levar a educação tão a sério.

“Na pior das hipóteses, ensina alguém a ler o mundo. Na melhor, ajuda esse alguém a descobrir que também pode transformá-lo.”

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Abilio Machado


Psicanalista e Psicoterapeuta | Arte-educador


Educar é mais do que transmitir conhecimento: é ampliar as possibilidades de alguém compreender a si mesmo, o outro e o mundo.

“Viu, quando você precisa, eu levanto!” — A ereção, o envelhecimento e a masculinidade em questão

 


“Viu, quando você precisa, eu levanto!” — A ereção, o envelhecimento e a masculinidade em questão


Por Abilio Machado — Psicanalista e Psicoterapeuta


O que uma piada sobre um velho e seu pênis revela sobre o medo masculino de envelhecer, perder a potência e deixar de se sentir desejado?


Quando o humor revela aquilo que o homem não consegue dizer


Um velho acorda de madrugada com vontade de urinar. Levanta-se, caminha até o banheiro e, antes de começar a fazer suas necessidades, olha para o próprio pênis e dispara:


— Está vendo? Quando você precisa, eu levanto! Agora, quando eu preciso de você, você não levanta!


É impossível não perceber o humor da situação. Afinal, o velho parece ter descoberto que seu companheiro de tantas décadas desenvolveu uma vontade própria: atende ao chamado da bexiga, mas já não responde com a mesma disposição aos desejos sexuais do seu proprietário.


Rimos porque reconhecemos a ironia. Mas, depois da risada, fica uma pergunta que merece ser feita: o que acontece com um homem quando seu corpo deixa de responder da maneira como ele aprendeu a esperar?


A anedota nos oferece uma oportunidade para conversar sobre um tema que ainda carrega constrangimentos, preconceitos e silêncios: a disfunção erétil no envelhecimento masculino.


E, antes que alguém pense que estamos falando apenas de sexo, vale esclarecer: estamos falando também de identidade, autoestima, afetividade, saúde e da maneira como aprendemos a compreender nossa própria masculinidade.


O envelhecimento não aposenta o desejo


Existe uma crença cultural persistente de que a sexualidade pertence à juventude e de que, depois de determinada idade, o homem deveria simplesmente aceitar o fim da vida sexual.


Essa ideia é tão equivocada quanto injusta.


Envelhecer não significa necessariamente deixar de desejar, de sentir atração ou de buscar intimidade. O que pode mudar é a resposta do organismo, o ritmo da excitação, a disposição física e a maneira de vivenciar o prazer.


A ereção pode demorar mais para acontecer, exigir estímulos diferentes ou apresentar menor rigidez. O período de recuperação depois do orgasmo também pode aumentar.


Essas mudanças não são iguais para todos os homens. E existe uma distinção fundamental: a disfunção erétil é caracterizada pela dificuldade persistente de obter ou manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória. Não deve ser confundida com um episódio ocasional em que o corpo simplesmente não correspondeu à expectativa.


A disfunção erétil torna-se mais frequente com a idade, mas não deve ser considerada uma consequência inevitável do envelhecimento. Há causas que podem ser investigadas e tratamentos que podem ajudar.


Portanto, não se trata de exigir que o corpo de um homem de setenta anos funcione exatamente como funcionava aos vinte. Trata-se de reconhecer suas mudanças sem transformar cada dificuldade em uma sentença definitiva.


Quando o pênis deixa de ser apenas um órgão


Aqui começamos a entrar no território da psicologia e da psicanálise.


Para muitos homens, o pênis representa muito mais do que uma parte da anatomia. Culturalmente, ele foi associado à potência, à força, à virilidade, à capacidade de conquistar e até ao valor pessoal.


Desde cedo, muitos aprendem que o homem precisa estar sempre pronto, disponível e capaz de corresponder sexualmente. A ereção, nesse imaginário, torna-se quase uma comprovação de masculinidade.


O problema começa quando essa associação se transforma em uma exigência.


Se o corpo responde, o homem sente-se seguro. Se não responde, pode experimentar vergonha, frustração, medo de decepcionar e uma sensação de perda que ultrapassa o acontecimento físico.


Ele não pensa apenas: “Hoje não consegui ter uma ereção”.


Pode pensar: “Será que deixei de ser homem?”.


Perceba a diferença.


Na primeira situação, temos uma dificuldade que precisa ser compreendida. Na segunda, temos uma dificuldade transformada em julgamento sobre a própria identidade.


É nesse ponto que a experiência fisiológica pode adquirir uma dimensão emocional dolorosa.


O medo do fracasso pode se tornar parte do problema


Imagine um homem que teve uma dificuldade de ereção em determinada ocasião.


Na próxima tentativa de intimidade, em vez de se permitir viver o encontro, começa a vigiar o próprio corpo.


Será que vai funcionar?


Será que ela vai perceber?


E se acontecer novamente?


A atenção, antes dirigida ao prazer, ao contato e à outra pessoa, passa a se concentrar no desempenho. O homem tenta controlar uma resposta fisiológica complexa, como se precisasse demonstrar sua capacidade diante de uma banca examinadora.


O quarto, que poderia ser um espaço de intimidade, transforma-se em um lugar de avaliação.


A ansiedade pode interferir na resposta sexual, e o medo de uma nova dificuldade pode contribuir para sua repetição.


Isso não significa que toda disfunção erétil tenha origem emocional. Problemas vasculares, diabetes, alterações neurológicas, determinados medicamentos, questões hormonais e outras condições de saúde podem estar envolvidos. Muitas vezes, fatores físicos e psicológicos coexistem.


O cuidado adequado começa justamente quando deixamos de procurar uma explicação única para todos os casos.


O homem não precisa escolher entre admitir que seu corpo mudou e reconhecer que está sofrendo emocionalmente. As duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.


O corpo tem suas razões: a dimensão física da ereção


A ereção depende de mecanismos neurológicos, vasculares e hormonais que trabalham em conjunto. Para que ela aconteça e seja mantida, é necessário que o sangue chegue adequadamente aos tecidos do pênis e que os mecanismos envolvidos na resposta sexual funcionem de maneira coordenada.


Por isso, algumas condições podem comprometer a função erétil, entre elas:


- Diabetes: pode prejudicar os nervos e os vasos sanguíneos envolvidos na ereção.

- Doenças cardiovasculares e aterosclerose: podem comprometer a circulação sanguínea.

- Hipertensão arterial: especialmente quando associada a outros fatores de risco vascular.

- Alterações hormonais: níveis baixos de testosterona podem contribuir para a redução do desejo e, em alguns casos, para dificuldades sexuais.

- Medicamentos: determinados antidepressivos, anti-hipertensivos e outros fármacos podem interferir na função sexual.

- Depressão, ansiedade, estresse e dor crônica: podem afetar o desejo, a excitação e a experiência da intimidade.


Esses fatores merecem atenção porque a dificuldade de ereção não é necessariamente um problema isolado. Em determinadas situações, pode ser um sinal de uma condição de saúde que ainda precisa ser identificada ou melhor controlada.


A orientação é procurar avaliação médica quando a dificuldade se torna recorrente. O profissional poderá investigar as causas, revisar os medicamentos em uso e discutir opções de tratamento.


É importante também não recorrer por conta própria a medicamentos para ereção. Alguns são contraindicados para pessoas que utilizam nitratos e podem causar interações perigosas em determinadas condições cardiovasculares.


Cuidar da sexualidade também é cuidar da saúde.


A companheira ainda me deseja?


Existe uma dimensão relacional que não pode ser ignorada.


Quando a ereção falha, alguns homens interpretam o episódio como uma ameaça à relação. Imaginam que a companheira ficará decepcionada, que perderá o interesse ou que começará a questionar sua capacidade de satisfazê-la.


Ao mesmo tempo, a parceira pode interpretar a dificuldade como sinal de que já não é atraente ou desejada.


E assim, sem que ninguém diga claramente o que está sentindo, os dois podem começar a construir uma distância.


O homem evita iniciar o contato íntimo porque tem medo de não corresponder. A mulher interpreta o afastamento como rejeição. Ele percebe o distanciamento dela e fica ainda mais inseguro.


O que começou como uma dificuldade física pode se transformar em um problema de comunicação e de vínculo.


Por isso, conversar é tão importante.


Não para exigir explicações, cobrar resultados ou procurar culpados, mas para permitir que ambos compreendam o que está acontecendo.


A intimidade não precisa ser reduzida à penetração. Beijos, carícias, abraços, massagens, conversas e outras formas consensuais de prazer continuam podendo fazer parte da vida sexual do casal.


Isso não significa desistir de buscar tratamento para a disfunção erétil. Significa não permitir que a dificuldade determine, sozinha, o destino da intimidade.


A masculinidade precisa de uma ereção para existir?


Talvez esta seja a pergunta mais importante de toda a reflexão.


Se um homem só se sente homem quando consegue uma ereção, o que acontece com sua identidade quando o corpo não corresponde?


A resposta pode revelar o quanto a masculinidade foi construída sobre exigências de desempenho.


Aprendemos a valorizar o homem que conquista, produz, sustenta, protege e demonstra força. Em muitos contextos, falar de fragilidade, pedir ajuda ou admitir dificuldades sexuais parece incompatível com esse ideal.


O resultado é um homem que, às vezes, prefere sofrer em silêncio a admitir que precisa de cuidado.


Do ponto de vista psicanalítico, podemos refletir sobre a relação entre a imagem que o sujeito construiu de si mesmo e a experiência concreta de um corpo que muda. Quando a identidade está excessivamente apoiada na potência sexual, a dificuldade de ereção pode ser vivida como uma ferida narcísica, isto é, como um abalo na imagem e no valor que o indivíduo atribui a si próprio.


Essa é uma possibilidade de compreensão clínica, não uma explicação universal. Cada homem tem sua história, seus vínculos, seus medos e sua maneira particular de experimentar o envelhecimento.


Ainda assim, vale perguntar: por que é tão difícil para alguns homens aceitar que precisam de tempo, adaptação ou ajuda?


Talvez porque tenham aprendido a medir seu valor pela capacidade de nunca falhar.


Mas o corpo humano não é uma máquina programada para satisfazer permanentemente nossas expectativas. Ele muda, adoece, recupera-se, impõe limites e exige cuidados.


E reconhecer isso não diminui ninguém.


Ressignificar a sexualidade é descobrir novas possibilidades


Quando compreendemos a sexualidade apenas como ereção e penetração, reduzimos uma experiência humana complexa a uma única resposta fisiológica.


A sexualidade também envolve desejo, fantasia, afeto, comunicação, confiança, curiosidade, prazer e intimidade.


Na maturidade, algumas pessoas descobrem novas formas de viver essa dimensão. Há casais que passam a conversar mais abertamente sobre suas necessidades, a respeitar o próprio ritmo e a experimentar maneiras diferentes de compartilhar prazer.


Isso não significa romantizar o envelhecimento nem sugerir que a pessoa deva simplesmente aceitar qualquer dificuldade. A perda persistente da função erétil merece investigação, e o sofrimento emocional merece acolhimento.


Significa compreender que buscar tratamento e ampliar a maneira de viver a intimidade são caminhos que podem caminhar juntos.


A sexualidade não precisa permanecer presa às expectativas da juventude. Ela pode ser reconstruída a partir das possibilidades reais de cada pessoa, de seus desejos e de suas condições de saúde.


O objetivo não é provar que o homem ainda consegue funcionar como antes. É ajudá-lo a viver com saúde, dignidade e satisfação.


E o velho da anedota, afinal?


Voltemos ao nosso personagem.


Ele levanta de madrugada, vai ao banheiro e reclama com o próprio pênis porque, segundo sua avaliação, um atende às necessidades do corpo enquanto o outro parece ignorar suas expectativas.


A piada continua engraçada.


Mas agora sabemos que, por trás dela, pode existir uma questão muito maior: o desconforto de perceber que o corpo já não responde da mesma maneira e a dificuldade de encontrar um novo significado para essa mudança.


Talvez o velho não esteja apenas reclamando do pênis. Talvez esteja reclamando do tempo, das expectativas que construiu e de uma sociedade que ensinou muitos homens a confundir potência com valor pessoal.


E talvez a verdadeira maturidade comece quando ele percebe que não precisa transformar cada mudança do corpo em uma disputa contra si mesmo.


Envelhecer não é deixar de ser homem. Não conseguir uma ereção não é deixar de desejar. E precisar de ajuda não é fracassar.


O corpo pode mudar, o desejo pode mudar de ritmo e a intimidade pode assumir outras formas. Nada disso elimina a possibilidade de afeto, prazer, vínculo e descoberta.


A questão não é exigir que o corpo continue levantando a qualquer custo.


É aprender a escutá-lo sem deixar de cuidar dele.


Uma última pergunta para você, leitor


Quantos homens você conhece que conseguem falar abertamente sobre seus medos, suas inseguranças e suas dificuldades sexuais, sem transformar tudo em piada?


E quantos continuam sofrendo em silêncio porque acreditam que admitir uma dificuldade é o mesmo que perder a masculinidade?


Talvez esteja na hora de rir com a anedota, mas ir além dela.


Porque o homem não precisa provar sua potência a cada encontro. Precisa, antes de tudo, compreender que seu valor nunca esteve condicionado a uma ereção.


---


Abilio Machado

Psicanalista e Psicoterapeuta


Este artigo tem caráter informativo e reflexivo. Não substitui avaliação médica ou acompanhamento psicológico individualizado.

Vídeo base da ideia para o artigo...


Referências para aprofundamento


- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). "Disfunção erétil: sintomas e causas" (https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/erectile-dysfunction/symptoms-causes).

- National Institute on Aging (NIA). "Sexualidade e intimidade em adultos mais velhos" (https://www.nia.nih.gov/health/sexuality/sexuality-and-intimacy-older-adults).

- NIDDK. "Disfunção erétil: diagnóstico e tratamento" (https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/erectile-dysfunction).


Palavras-chave: #envelhecimento #masculino, #disfunção #erétil, #saúde #sexual, #masculinidade, #autoestima, #psicanálise, #sexualidade na #terceiraidade.


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A LUZ NO DESERTO: UM CAMINHO PARA O APERFEIÇOAMENTO

 


"A LUZ NO DESERTO: UM CAMINHO DE APERFEIÇOAMENTO" 

 

A vida, muitas vezes, se assemelha a um deserto árido e inóspito. As provações e dificuldades surgem como tempestades de areia, obscurecendo o caminho e ameaçando nos desviar do curso. É nesses momentos de desolação que a promessa de Deus, como um farol na escuridão, nos oferece esperança e guia nossos passos.

 

O Senhor declara no Livro de Mórmon em 1 Néfi,no 17:13: "Serei vossa luz no deserto; e prepararei o caminho a vossa frente, se guardardes meus mandamentos, sereis conduzidos à terra da promissão; e sabereis que sois conduzidos por mim”. Essa promessa consoladora nos assegura que, mesmo em meio às dificuldades e incertezas da vida, Deus estará conosco, guiando nossos passos e abrindo caminho para um futuro glorioso.

 

A promessa de Deus se repete no Livro de Mórmon em 2 Néfi 10:14, onde Ele declara a Jacó: "Serei para sempre uma luz para aqueles que ouvem minhas palavras". Essa promessa nos convida a ouvir a voz do Senhor, a buscar Sua orientação e a confiar em Sua palavra como um farol que nos conduz à verdade e à paz.

 

O Élder D. Todd Christofferson nos lembra que a dificuldade, para aqueles que já atingiram a idade da responsabilidade, é um elemento crucial em nosso processo de aperfeiçoamento. A vida não é um teste de múltipla escolha, onde escolhemos a resposta certa e seguimos em frente. Deus não se interessa apenas em nossas ações, mas em quem estamos nos tornando.

 

Através das dificuldades, Deus nos molda, nos ensina a agir como Ele age, a sermos retos em todas as circunstâncias, mesmo "na escuridão", como disse o Presidente Brigham Young. A escuridão, muitas vezes, representa os momentos de incerteza, de provação, onde a fé é testada e a força interior é forjada.

 

O Presidente Spencer W. Kimball, em sua obra "O Milagre do Perdão", nos ensina: "As provações e tribulações da vida, embora dolorosas, são muitas vezes necessárias para nos ajudar a crescer e nos tornar mais semelhantes a nosso Pai Celestial." As dificuldades, embora desafiadoras, são oportunidades de fortalecer nossa fé, desenvolver nossa resiliência e nos aproximar de Deus.

 

A jornada terrena é um caminho de aperfeiçoamento, onde somos convidados a crescer, a aprender e a nos tornar mais semelhantes a nosso Pai Celestial. Através da luz de Sua palavra, da orientação do Espírito Santo e da força que vem de nossa fé, podemos enfrentar os desafios da vida com coragem e esperança, sabendo que Deus está conosco, preparando o caminho para a terra da promessa.

 

Como disse o Élder Neal A. Maxwell: "Deus não nos promete uma vida fácil, mas sim uma vida significativa." Através das dificuldades, Deus nos molda, nos ensina e nos guia para uma vida mais plena e significativa, a fim de que possamos, um dia, retornar à Sua presença.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Os excessos de laudos do espectro autista


 Uma pediatra chamou atenção para o aumento das avaliações relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil e destacou a importância de analisar cada situação com cuidado.


Em entrevista ao MidiaNews, a pediatra Cláudia Boutros Carvalho afirmou que o crescimento desses registros pode estar ligado tanto ao maior reconhecimento das características do TEA quanto ao aumento dos encaminhamentos para avaliação.


Segundo a médica, em algumas situações, a análise pode acontecer de forma muito rápida. Por isso, ela reforça a importância de acompanhar o desenvolvimento da criança desde os primeiros anos de vida, observando suas características e necessidades individuais.


A pediatra também mencionou o uso frequente de telas durante a infância e defendeu que diferentes aspectos do desenvolvimento sejam observados antes de qualquer conclusão.


O debate reforça a importância de avaliações cuidadosas e individualizadas, feitas por profissionais capacitados, para que cada família receba orientação adequada de acordo com as necessidades da criança.


Fonte: MidiaNews.

sábado, 26 de setembro de 2026

O dedo anular na mão esquerda e a aliança



 POR QUE DE SE USAR ALIANÇA NO QUARTO DEDO DA MÃO ESQUERDA?!


Há uma lenda que consegue explicar de uma maneira bonita e muito convincente:


Os polegares representam os pais. Os indicadores representam teus irmãos e amigos.O dedo médio representa a você mesmo. O dedo anelar (quarto dedo) representa o seu cônjuge. O dedo mindinho representa seus filhos. Agora junte suas mãos palma com palma, depois, une os dedos médios de forma que fiquem apontando a você mesmo, como na imagem….


Agora tenta separar de forma paralela seus polegares (representam seus pais) você vai notar que eles se separam porque seus pais não estão destinados a viver com você até o dia da sua morte, una os dedos novamente.

Agora tenta separar igualmente os dedos indicadores (representam seus irmãos e amigos), você vai notar que também se separam porque eles se vão, e tem destinos diferentes como se casar e ter filhos.


Tente agora separar da mesma forma os dedos mindinhos (representam seus filhos) estes também se abrem porque seus filhos crescem e quando já não precisam mais de nós se vão, una os dedos novamente.


Finalmente, tente separar seus dedos anelares (o quarto dedo que representa seu cônjuge) e você vai se surpreender ao ver que simplesmente não consegue separá-los. Isto se deve ao fato de que um casal está destinado a estar unido até o último dia da sua vida, e é por isso que o anel se usa neste dedo.


#EnsinamentosdePapaiNoel

#papainoelabiliomachado

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

EDUCAR NAO É AGRADAR

 


EDUCAR NÃO É AGRADAR


“Educar não é entreter.” era a crônica de uma colega a pouco...


Concordo.


Mas talvez essa frase precise de uma segunda parte:


educar também não é desagradar só para provar que estamos educando.


Porque existe uma confusão perigosa acontecendo.


Temos medo de que, ao tornar a aula interessante, acolhedora e prazerosa, estejamos transformando educação em entretenimento.


Não necessariamente.


O problema não é o aluno gostar de aprender.


O problema começa quando a obrigação de fazê-lo gostar passa a decidir o que ele vai aprender.


E aqui tocamos numa ferida que nem sempre é confortável.


Na escola particular, existe uma equação que não podemos fingir que não existe: o aluno estuda, mas quem paga é a família.


E quando a satisfação do cliente entra pela porta da escola, existe o risco de a autonomia pedagógica sair pela janela.


Porque se o aluno não gostou do professor, reclama-se.


Se achou a matéria difícil, reclama-se.


Se recebeu uma nota baixa, reclama-se.


Se ouviu um “não”, reclama-se.


E, dependendo da situação, quem acaba precisando se explicar não é quem precisa aprender, mas quem deveria estar ensinando.


Quando o aluno vira cliente, o professor pode deixar de ser educador para se tornar fornecedor de satisfação.


E isso é muito mais sério do que parece.


Porque educar é justamente oferecer aquilo que nem sempre queremos receber.


É ensinar limites.


É contrariar certezas.


É exigir esforço.


É permitir que alguém experimente a frustração de não saber — para depois descobrir o prazer de conseguir.


Uma criança que nunca pode ser contrariada não está sendo necessariamente acolhida.


Pode estar apenas sendo acostumada a acreditar que o mundo deve se adaptar a ela.


E a escola não deveria reproduzir essa ilusão.


Mas também não precisamos voltar à educação baseada no medo, na humilhação e naquele professor que acreditava que quanto mais sofrido fosse aprender, melhor seria o aprendizado.


É possível exigir sem humilhar.

É possível acolher sem mimar.

É possível ensinar com autoridade sem autoritarismo.

E é perfeitamente possível aprender com prazer sem transformar a escola em parque de diversões.


Talvez o verdadeiro desafio da educação não seja fazer o aluno gostar de tudo.


Talvez seja ajudá-lo a compreender que nem tudo precisa agradá-lo para fazer bem a ele.


Porque existe uma diferença enorme entre educar uma pessoa para o mundo...


e educar o mundo para agradar essa pessoa.


E talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes feridas da educação contemporânea.

E fica uma pergunta para nós: estamos educando crianças para enfrentarem um mundo que nem sempre vai dizer “sim” a elas, ou estamos tentando construir uma escola onde elas nunca precisem ouvir “não”?


Porque educar não é fazer o mundo agradar nossos filhos.

É prepará-los para viver no mundo sem perder a capacidade de transformá-lo.


— Abilio Machado

Psicanalista e Psicoterapeuta

"Especialista no Ensino de Artes e na Docência de Teologia e Filosofia" 

#Educação #Educar #Psicanálise #Psicologia #AbilioMachado

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A vida não vem com manual...

 

A VIDA NÃO VEM COM MANUAL


A vida é uma coisa engraçada.


Quando somos jovens, achamos que temos todas as respostas. Depois descobrimos que algumas perguntas mudam, outras ficam sem resposta e algumas… simplesmente deixam de fazer sentido.


A gente passa boa parte da vida tentando controlar tudo: o futuro, as pessoas, os acontecimentos, os sentimentos. Até perceber que a vida não assinou nenhum contrato conosco prometendo que tudo sairia como planejamos.


E aí começa uma espécie de sabedoria.


Não aquela sabedoria de quem sabe tudo, mas a de quem aprendeu a dizer:


“Isso eu não posso mudar. Mas posso escolher como vou atravessar.”


Talvez amadurecer seja exatamente isso.


Entender que nem toda perda é fracasso.

Que nem toda demora é abandono.

Que nem todo silêncio é rejeição.

Que algumas pessoas vão embora, outras ficam e algumas simplesmente deixam uma marca.


E que nós também mudamos.


Já fui muita coisa que hoje não sou mais. Já pensei de um jeito que hoje questiono. Já defendi certezas que a vida tratou de colocar em dúvida.


E tudo bem.


A vida não exige que sejamos perfeitos. Exige que sejamos verdadeiros com aquilo que estamos aprendendo a ser.


No fim das contas, talvez viver seja menos sobre encontrar todas as respostas e mais sobre aprender a fazer boas perguntas.


Quem estou me tornando?

O que realmente importa para mim?

Estou vivendo ou apenas cumprindo uma rotina?

Estou sendo bom comigo enquanto tento ser bom com os outros?


Porque existe uma diferença enorme entre simplesmente existir e realmente viver.


E talvez seja justamente aí que a filosofia encontra a psicologia, a espiritualidade encontra a experiência e a vida encontra sentido:


não precisamos entender tudo para continuar caminhando.


Às vezes, basta dar o próximo passo.


E, se possível, levar um pouco de fé, um pouco de coragem, algum bom humor…


E aceitar que, apesar de tudo, a vida ainda vale muito a pena.


— Abilio Machado

Afinal, o que faz um professor? Na pior das hipóteses, faz toda a diferença.

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