sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Quando o mal prova não ter idade !

 


A MALDADE DESTA CRIANÇA ERA TÃO GRANDE QUE ELE FOI SENTENCIADO À MORTE: MAS AS AUTORIDADES NÃO TIVERAM CORAGEM DE ENFORCA-LO! 

Jesse Pomeroy nasceu em 29 de novembro de 1859, em Boston, Massachusetts, em uma época em que a cidade crescia rapidamente com a chegada de muitos imigrantes europeus, mas também enfrentava pobreza, doenças e violência.


Era o caçula de dois irmãos e cresceu ao lado do irmão mais velho, Charles Pomeroy. A infância dos dois foi marcada por um ambiente familiar conturbado.


Seu pai, Thomas Pomeroy, veterano da Guerra Civil e trabalhador braçal, tinha fama de ser alcoólatra e violentíssimo. Segundo diversos relatos da época, costumava espancar os filhos com cintos e chicotes, chegando, em algumas ocasiões, a obrigá-los a tirar a roupa antes das agressões. 


Em contraste, sua mãe, Ruth Ann Pomeroy, era descrita como uma mulher carinhosa, paciente e profundamente dedicada aos filhos. Costureira, ela se esforçava para proteger a família e acreditava que Jesse era apenas um menino incompreendido.


Em 1870, quando Jesse tinha cerca de 11 anos, Thomas morreu. A perda do pai mudou completamente a dinâmica da casa. Ruth passou a assumir sozinha a responsabilidade pelo sustento da família, trabalhando por longas horas para manter os filhos. 


Sem a presença da figura que impunha medo dentro de casa, Jesse passou a ter muito mais liberdade para circular pelas ruas de South Boston.


Até então visto como um garoto reservado, de poucas amizades e comportamento estranho, Jesse passou a demonstrar um interesse incomum em meninos menores do que ele. 


Aos poucos, desenvolveu o hábito de abordar meninos que brincavam desacompanhados pelas ruas do bairro. Com conversa calma e aparência inofensiva, convencia alguns deles a acompanhá-lo até locais afastados, como terrenos baldios, áreas de mata e regiões pantanosas, longe da movimentação da cidade.


Ao chegar no local, Jesse utilizava cordas, cadarços ou cintos para amarrar os braços e as pernas das vítimas, impedindo qualquer tentativa de fuga.


Munido de canivetes, facas e chicotes improvisados, Jesse tirava a roupa dos garotos, e os submetia a sessões prolongadas de tortura extrema, dando chicotadas ferozes e infligindo cortes e ferimentos, enquanto se masturbava observando o sofrimento da vítima


As vítimas só conseguiam escapar quando Jesse interrompia as agressões por exaustão ou era obrigado a fugir diante da aproximação inesperada de alguma pessoa. Ainda assim, o trauma era devastador. Os meninos voltavam para casa ensanguentados, nus, aterrorizados e em estado de choque. 


Muitos mal conseguiam explicar o que havia acontecido, limitando-se a dizer que haviam sido atacados por um misterioso "menino maior", que surgia do nada, os levava para um lugar isolado e depois desaparecia sem deixar qualquer rastro. A falta de informações concretas dificultou o trabalho da polícia e permitiu que os ataques continuassem por meses.


Em 1872, depois de novos ataques, uma das vítimas finalmente conseguiu reconhecer Jesse. Com apenas 12 anos de idade, ele foi preso. A brutalidade dos crimes impressionou investigadores e médicos, mas sua pouca idade levantou um enorme dilema para a Justiça. 


As autoridades decidiram enviá-lo para a Westborough Reform School, uma instituição destinada à recuperação de jovens infratores.


Ali, Jesse surpreendeu a todos. Enquanto outros internos acumulavam punições, ele se tornou um dos detentos mais disciplinados da instituição. Obedecia às ordens, trabalhava sem reclamar e mantinha uma postura calma e educada. 


Aos poucos, funcionários e inspetores passaram a acreditar que o garoto havia se arrependido sinceramente. Muitos concluíram que a disciplina finalmente havia corrigido seu comportamento.

Essa impressão acabaria se mostrando profundamente equivocada.


Em 1874, aos 14 anos, Jesse recebeu liberdade por bom comportamento e voltou para a casa da mãe. Ruth havia aberto uma pequena loja de jornais e artigos de armarinho na Broadway Street, onde o filho passou a ajudá-la diariamente. Atrás do balcão, organizava mercadorias, atendia clientes e fazia pequenos serviços. Para os vizinhos, parecia um adolescente tímido, trabalhador e completamente recuperado.


Mas, longe dos olhares da comunidade, algo havia mudado. Pouco tempo depois de retornar ao convívio social, Jesse voltou a procurar vítimas. No entanto, havia uma diferença assustadora: os ataques deixaram de ter apenas o objetivo de provocar dor e sofrimento. Sua sede de violência havia crescido. A tortura deixou de satisfazer seus impulsos, e ele passou a cometer assassinatos.


Entre as vítimas estava Horace Mullen, um menino de apenas 10 anos. Jesse conseguiu atraí-lo para uma região pantanosa em Dorchester. Quando o corpo foi encontrado, a brutalidade dos ferimentos chocou até mesmo os médicos responsáveis pelo exame. 


A intensidade da violência foi tão brutal que causou enorme repercussão entre investigadores e moradores da cidade.


O assassinato provocou pânico coletivo. Famílias passaram a viver com medo constante, crianças desapareceram das ruas e logo, as suspeitas começaram a recair sobre Jesse Pomeroy.


As investigações se intensificaram e, à medida que novas evidências surgiam, Jesse passou a ser o principal suspeito. 


Ruth recusava-se a acreditar nas acusações. Para ela, Jesse era apenas um garoto tímido e trabalhador, incapaz de cometer crimes tão brutais. Enquanto a mãe insistia em defendê-lo, policiais cercaram a pequena loja da família e iniciaram uma busca minuciosa no imóvel. 


A inspeção começou pelo salão principal da loja e, em seguida, os investigadores desceram até o porão, um espaço onde Jesse trabalhava diariamente e ao qual apenas ele tinha acesso. Foi ali, escondido sob entulhos e detritos, que encontraram o corpo de outra criança desaparecida. 


A descoberta causou enorme comoção e praticamente encerrou o caso. A partir daquele momento, as suspeitas deram lugar a evidências concretas, e até mesmo a convicção de Ruth de que o filho era inocente começou a ruir diante das provas reunidas pela investigação.


O comportamento de Jesse chamou atenção, ele demonstrou pouca emoção diante das acusações e das evidências encontradas. Sua aparente frieza impressionou autoridades, jornalistas e o público que acompanhava o julgamento.


Em 1875, aos 15 anos, Jesse foi considerado culpado e condenado à morte por enforcamento por dois assassinatos confirmados, e por diversos abusos sexuais e torturas contra outros meninos.


A sentença entrou para a história por envolver o réu mais jovem já condenado à pena capital em Massachusetts.


No entanto, quando chegou o momento de decidir se um adolescente realmente seria levado ao cadafalso, surgiu um intenso debate entre políticos, magistrados e autoridades estaduais. 


A ideia de executar um garoto de apenas 15 anos dividiu profundamente a opinião pública. No fim, prevaleceu a decisão de comutar a sentença para prisão perpétua, grande parte dela cumprida em isolamento.


Jesse Pomeroy passaria praticamente toda a sua vida atrás das grades. Durante as décadas seguintes, aprendeu diversos idiomas, estudou literatura e escreveu poemas, demonstrando uma capacidade intelectual que contrastava de forma inquietante com a violência de sua juventude.


Ele morreu em 29 de setembro de 1932, após quase seis décadas de prisão. Seu caso continua sendo lembrado como um dos episódios mais perturbadores da história criminal dos Estados Unidos, não apenas pela brutalidade dos crimes, mas pelo fato de terem sido cometidos por alguém que ainda era uma criança.

domingo, 2 de agosto de 2026

O Código de Honra Invisível

 


 O Código de Honra Invisível


Vivemos em uma época em que quase tudo pode ser exibido. Fotografam-se conquistas, registram-se vitórias e compartilham-se aplausos. Mas existe um lugar onde nenhuma câmera alcança: o território silencioso do caráter.



É ali que o verdadeiro ser humano é construído.



Os antigos estoicos compreendiam que a vida não é uma sucessão de grandes batalhas heroicas. Na maior parte do tempo, ela é feita de pequenas escolhas. Levantar e cumprir a palavra dada. Admitir um erro antes que ele seja descoberto. Permanecer honesto quando a mentira seria mais conveniente. Fazer o bem mesmo quando ninguém agradecerá por isso.



O caráter raramente é provado quando tudo está dando certo. A prosperidade costuma esconder as rachaduras da alma. O teste acontece nas manhãs comuns, nos dias difíceis, nas decisões que ninguém testemunha.



Existe uma honra silenciosa em recusar aquilo que fere os próprios princípios, ainda que isso custe oportunidades. Há uma força invisível em assumir responsabilidades sem procurar culpados. E há uma paz que dinheiro algum compra: deitar a cabeça no travesseiro sabendo que a pessoa que o mundo vê é a mesma que existe quando todas as luzes se apagam.



Talvez esse seja o verdadeiro código de honra: não vestir uma máscara de virtudes, mas tornar-se alguém que não precisa dela.



O estoicismo nunca prometeu uma vida fácil. Prometeu algo muito maior: a possibilidade de permanecer íntegro em qualquer circunstância.



Porque, no fim, reputação é aquilo que dizem sobre nós. Caráter é aquilo que permanece quando ninguém está olhando.

Psicoarteterapeuta Abilio Machado





sexta-feira, 31 de julho de 2026

Escreveu La Boétie: "Sede resolutos em não mais servir, e sereis livres." (Discurso da Servidão Voluntária)

 


Você tentou disfarçar o incômodo no primeiro comentário desagradável de alguém. Preferiu não brigar. Evitou o enfrentamento. As coisas pioraram. A pessoa se sentiu mais à vontade para invadir seu espaço. Há algo que levei muito tempo para entender: gente "folgada" vai se sentindo cada vez mais à vontade se você não demarcar limites.

Escreveu La Boétie: "Sede resolutos em não mais servir, e sereis livres." (Discurso da Servidão Voluntária)

Conselho de sexta a partir de La Boétie: decida ser a sua própria prioridade e estabeleça com clareza direta seu direito a existir sem agradar babacas. Provavelmente, quando não puder mais atacar, a pessoa vai se afastar da sua vida. Eis uma perda a comemorar.

Bom fim de semana.   

(imagem: O terapeuta, Magritte)

quinta-feira, 30 de julho de 2026

A busca errada...

 


"Tenho visto as pessoas tornarem-se freqüentemente neuróticas quando se contentam com respostas erradas ou inadequadas para as questões da vida. Elas buscam posição, casamento, reputação, sucesso externo ou dinheiro, e continuam infelizes e neuróticas mesmo depois de terem alcançado aquilo que tinham buscado. Essas pessoas encontram-se em geral confinadas a horizontes espirituais muito limitados. Sua vida não tem conteúdo ou significado suficientes. Se têm condições para ampliar e desenvolver personalidades mais abrangentes sua neurose costuma desaparecer".

Carl Jung

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Eu vou fazer o que for necessário até dar certo !

 


Há uma frase que costumo dizer a muitos pacientes durante o processo terapêutico:


"Eu vou fazer o que for necessário até dar certo."


Mas atenção: isso não significa insistir no erro, negar o sofrimento ou acreditar que tudo acontecerá no nosso tempo. Significa desenvolver a coragem de aprender, ajustar a rota, recomeçar quantas vezes forem necessárias e permanecer fiel ao propósito que Deus colocou em seu coração.


A psicologia nos ensina que a resiliência nasce da capacidade de enfrentar a realidade sem desistir de si mesmo. A fé nos lembra que a perseverança produz experiência, a experiência fortalece a esperança, e a esperança não decepciona quando está firmada em Deus.


Por isso, não desista porque o caminho ficou difícil. Mude a estratégia quando for preciso, amadureça com as quedas, aceite ajuda quando necessário e continue caminhando. O tempo de Deus não elimina o esforço humano; ele o transforma em crescimento.


Como costumo orientar meus pacientes: faça o que for necessário, mas nunca abra mão dos seus valores, da sua saúde emocional e da sua fé. O sucesso mais importante não é apenas chegar ao destino, mas tornar-se alguém melhor durante a caminhada.


— Psicoarteterapeuta Abilio Machado


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O cisco no olho do outro...


 Há um perigo silencioso na alma: gastar tanto tempo observando as falhas dos outros que deixamos de enxergar as nossas.


A psicologia nos mostra que é mais fácil projetar no outro aquilo que nos incomoda em nós mesmos. A teologia nos recorda as palavras de Jesus: "Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão e não percebes a trave que está no teu próprio olho?" (Mateus 7:3).


Quando nossa atenção está excessivamente voltada para os erros alheios, nossa própria transformação fica estagnada. A crítica constante ao próximo pode se tornar um mecanismo de fuga, impedindo o encontro sincero com nossas fragilidades, medos e necessidades de mudança.


O amadurecimento espiritual e emocional começa quando trocamos o julgamento pela autorreflexão. Quem dedica tempo para corrigir a si mesmo descobre que sobra menos espaço para condenar o outro e mais espaço para exercer misericórdia, humildade e amor.


Antes de apontar um erro, pergunte a si mesmo: o que esta situação revela sobre mim? Talvez essa seja a pergunta que Deus mais deseja responder em nosso coração.


— Abilio Machado



NA CRUZ

Reflexões de Psicoteologia sobre a dor, a fé e a reconstrução da alma.

Abilio Machado

Psicoarteterapeuta


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Tudo que eu tinha medo de perder, eu perdi...

 

Há uma frase que, quando deixa de ser apenas uma hipótese e se torna realidade, muda para sempre a forma como enxergamos a vida:


"Tudo que eu tinha medo de perder, eu perdi."


A psique costuma acreditar que a segurança está em controlar, reter e impedir as perdas. A fé, porém, nos ensina outro caminho: Deus não promete uma vida sem rupturas, mas uma presença constante em meio a elas.


Quando perdemos pessoas, saúde, sonhos, posições ou certezas, descobrimos que nossa identidade não pode estar fundamentada apenas naquilo que possuímos. É no vazio que muitas vezes encontramos a oportunidade de reconstruir quem realmente somos.


Paradoxalmente, algumas perdas não encerram uma história; elas inauguram uma nova. O sofrimento não é um fim em si mesmo, mas pode tornar-se um mestre quando nos conduz ao amadurecimento, à humildade e à confiança em Deus.


Talvez a pergunta mais importante não seja: "O que eu perdi?", mas "Quem estou me tornando depois de tudo o que perdi?"


"O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor." (Jó 1:21)


Abilio Machado

Psicoarteterapeuta



NA CRUZ

Reflexões de Psicoteologia sobre a dor, a fé e a reconstrução da alma.

Abilio Machado

Psicoarteterapeuta

Quando o mal prova não ter idade !

  A MALDADE DESTA CRIANÇA ERA TÃO GRANDE QUE ELE FOI SENTENCIADO À MORTE: MAS AS AUTORIDADES NÃO TIVERAM CORAGEM DE ENFORCA-LO!  Jesse Pomer...