A ALEGRIA
Por Abilio Machado
A alegria nasce quando o ser humano decide acender a própria luz por dentro. É quando ele afina o passo, percebe o valor de cada segundo, e descobre que a felicidade verdadeira não é algo que se recebe — é algo que se oferece. Quem encontra esse estado interno sabe transformar pensamento em gesto, gesto em presença, presença em humanidade. Cria vínculos, estende solidariedade, dignifica quem toca. E faz isso com prazer.
Com a palavra suave e o coração desarmado, ele constrói mundo. Alimenta, acolhe, reconstrói pela via do amor. Caminha, sempre, na direção da integração — consigo, com o outro, com o todo.
A cada instante, coloca sua consciência a serviço do bem. Sabe que toda grande transformação humana nasce do equilíbrio mental, espiritual e moral. Por isso trabalha com empenho; liberta-se da angústia, da vacilação e do vazio, porque aprendeu a repousar o pensamento na construção — da justiça, da liberdade, da harmonia.
É alguém que busca o diálogo, cultiva entendimento, oferece boa vontade. Fraterno, reconhece que a vida cotidiana pede olhos atentos ao lado bom das coisas. Eleva-se acima das provações e mantém viva a capacidade de agradecer. Sua existência se torna um cântico suave dirigido ao Criador.
O espírito fortalecido cresce na disciplina, no autoconhecimento, na esperança que brota de uma autoestima bem cultivada. O homem espiritualizado não carrega tristeza como morada: ele confia, respeita, compreende a diversidade humana sem tentar encaixá-la em moldes estreitos.
A alegria, quando real, transforma destinos. Empurra o ser humano para territórios interiores onde o trabalho, o propósito e o bem ganham nova luz. Sempre foi — e sempre será — uma força evolutiva incontornável, capaz de elevar moral, espírito e caráter.
A certeza da vida eterna liberta a alma do que fere, do que magoa, do que tenta desviá-la no percurso terrestre. Quem vive o processo construtivo da alegria sabe que o futuro não é ameaça: é horizonte de luz, dignidade, esperança e paz.
E assim, aquele que se educa, que se forma cultural e moralmente, entende que tem um dever silencioso: cultivar autodisciplina, buscar aprendizado permanente, expressar — em todas as circunstâncias — o prazer de existir, a fé no Criador, e a convicção de que cada experiência é uma força que empurra o espírito para frente.
Esperança. Alegria. Júbilo.
Três sementes que, quando plantadas por dentro, fazem o mundo florescer por fora.






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