domingo, 20 de julho de 2025

As minhas filhas

 


Um filho não é um presente.

Não está aqui para acompanhar um irmão, nem para cumprir a saudade dos avós.

Não é uma conta pendente nem uma segunda chance para o que não conseguimos alcançar.

Não chega para dar sentido à nossa existência, porque ele ou ela é uma vida com sentido próprio.

Não substitui sonhos frustrados ou pessoas ausentes.

Não é um salva-vidas emocionais, nem o remédio para um casal em crise.

Um filho não vem para preencher vazios nem para completar ninguém.

Não é um substituto, nem um consolo, nem um redentor.

Um filho não é fruto do capricho, mas do desejo genuíno.

Desde o primeiro momento, é um ser diferente, com sua identidade, caráter e seu próprio impulso de ser.

Nossa tarefa é acompanhá-lo a descobrir-se, permitir que ele se expresse livremente, escolha o seu caminho e aquilo que lhe apaixona.

Desde o início aceitaremos que não está aqui para se ajustar aos nossos ideais, nem para responder às nossas falhas, nem para refletir o que somos.

Oferecer-lhe-emos os nossos braços, o nosso corpo para segurar, a nossa mão para guiar, e também a distância certa para que ele possa explorar por si mesmo.

E quando chegar o momento em que ele se afaste, mesmo que nos custe muito, esperaremos com amor intacto, sem censura ou culpa, com um abraço cheio de liberdade.

Filho, filha: eu te liberto de ter que me salvar, de cuidar de mim, de me fazer feliz ou de sentir que você está em dívida comigo.


quinta-feira, 17 de julho de 2025

análise precipitada



A professora chama os pais com urgência para a escola.Os pais Perguntaram ao filho o que havia acontecido , o filho responde que a professora não gostou do desenho que ele fez.
Quando chegaram na escola, a professora, muito atenciosa e curiosa, lhe mostrou esse desenho,dizendo que havia pedido às crianças ,que fizessem desenhos de sua família enquanto faziam algo juntas.
O pai disse a professora ,que de fato foi isso mesmo que aconteceu!
Durante as férias de verão, foram todos mergulhar juntos.

Reflexão:
Não tire conclusões precipitadas.
Antes de condenar, ouça as duas partes

O Sexo como Mistério e Linguagem do Sagrado

 


O Sexo como Mistério e Linguagem do Sagrado

Uma leitura psicanalítica de “A Mística do Sexo”, de Pierre Weil

Por Abilio Machado – Psicólogo e Psicanalista

Introdução: entre o desejo e o divino

Ao buscarmos um livro sobre sexualidade, esperamos encontrar definições fisiológicas, técnicas relacionais ou ao menos um vocabulário mais próximo da biologia ou da sexologia clínica. No entanto, A Mística do Sexo, de Pierre Weil, é justamente o oposto: não um manual do corpo, mas uma convocação à alma. Uma obra que exige do leitor mais do que compreensão racional — pede entrega simbólica. Ao final da leitura, somos confrontados não com uma explicação do sexo, mas com uma experiência de estranhamento. E é justamente nesse estranhamento que mora sua força.

Como psicólogo recém-formado, ainda organizando minhas próprias zonas de sombra diante do saber psicanalítico, encontrei nesse livro um ponto de atrito e também de iluminação. Porque ele não fala do sexo como acontecimento apenas biológico, mas como manifestação de algo que escapa — e, talvez por isso mesmo, se torna sagrado.


O choque inicial: quando o corpo cede lugar à alma

A expectativa de encontrar informações práticas sobre a sexualidade humana — como ocorre em textos de Freud, Reich ou mesmo nas abordagens comportamentais contemporâneas — se desfaz logo nas primeiras páginas. Weil está mais próximo de Gibran, de Jung e dos místicos orientais do que de qualquer manual clínico. Ele propõe que o sexo, para além de sua função reprodutiva e recreativa, seja um ato de expansão da consciência, um portal de transcendência.

Para muitos leitores, inclusive para mim, essa inversão pode gerar frustração. Mas logo compreendemos: o autor não nega o corpo — ele o consagra. Pierre Weil nos convida a olhar o ato sexual como um caminho iniciático, onde o gozo não é fim, mas rito. E isso muda tudo.


Entre Freud e Weil: quando o id encontra o sagrado

Uma das frases mais célebres de Freud afirma: “Onde o id estava, o ego deve advir.” Esse imperativo é o coração do processo psicanalítico: transformar pulsões inconscientes em experiências conscientes, permitir que o sujeito deixe de ser passivamente levado por suas forças internas para tornar-se autor de sua própria narrativa.

Weil, ao seu modo, propõe algo semelhante, porém ampliado: ele sugere que, “onde o desejo fala, talvez o sagrado queira ser escutado.” É uma ampliação do campo psíquico para o campo místico. O que Freud via como material bruto a ser elaborado pela consciência, Weil parece enxergar como uma fagulha do divino que precisa ser honrada. O desejo, para ele, não é apenas impulso: é idioma da alma.

Essa é uma proposta ousada. Mas também é profundamente psicanalítica, se pensarmos no inconsciente como um campo simbólico, onde tudo que é recalcado — inclusive o anseio por transcendência — retorna em forma de sintoma, fantasia ou sonho.


Sexo, sintoma e sentido: uma travessia analítica

Nos consultórios, vemos todos os dias como o sexo se torna lugar de sofrimento: disfunções, compulsões, bloqueios, repetições. A sexualidade, longe de ser uma experiência livre, carrega marcas de traumas, repressões e narrativas herdadas. Freud nos ensinou que o recalque sexual é fonte central de neurose. Weil vai além: sugere que a dor nasce também da perda de sentido. Não basta liberar a libido — é preciso que ela encontre direção.

Ao espiritualizar o sexo, Weil não moraliza, mas ressignifica. Ele não nos impõe um padrão sagrado — ele nos convida a redescobrir o sentido do ato como um encontro, e não apenas uma descarga. Nisso, se aproxima de Jung, que via no erotismo uma via arquetípica de comunhão com o Self. O orgasmo, para Weil, é um vislumbre da totalidade — o momento em que ego e alteridade se dissolvem na experiência do Uno.


Uma leitura para quem ousa escutar o corpo como oração

Concluo esta análise reconhecendo que A Mística do Sexo não é leitura leve — é provocação. Ele exige a suspensão dos conceitos, e a disposição para o silêncio simbólico. Ele nos desarma das ferramentas clínicas convencionais e nos coloca diante de uma sexualidade que ora, que clama, que celebra.

É uma leitura difícil, sim — sobretudo para nós, psicólogos formados em teorias que se baseiam em estrutura, diagnóstico e intervenção. Mas talvez seja exatamente por isso que ela seja tão urgente.

Afinal, quantos de nossos pacientes — e quantas vezes nós mesmos — vivemos o sexo como anestesia, como ruído, como fuga? Pierre Weil não responde perguntas. Ele as devolve à nossa carne, à nossa história, ao nosso desejo. E nos convida a escutá-las em silêncio.

Porque talvez, no fim das contas, o sexo não seja apenas um ato — mas uma pergunta. E toda pergunta que nasce do desejo carrega algo de sagrado.



Sobre o autor

Abilio Machado é psicólogo clínico- institucional e hospitalar, com especialização em Psicanálise e abordagem integrativa. Apaixonado por simbolismo, espiritualidade e os enigmas do comportamento e do desejo, desenvolve pesquisas e ensaios sobre sexualidade, religiosidade e subjetividade contemporânea filosóficas e teológicas.



terça-feira, 8 de julho de 2025

PSICÓLOGO AMIGO OU AMIGO PSICÓLOGO

 


Na delicada dança das relações humanas, um verso inesperado ecoa: "Muitas vezes não se quer um psicólogo, e sim um amigo." Essa frase, proferida com a leveza da verdade, carrega consigo o peso das experiências compartilhadas, das lágrimas represadas e dos segredos murmurados na escuridão da alma.


De um lado do espectro emocional, paira a figura do psicólogo, um profissional treinado nas artes sutis da mente. Ele é o guia habilidoso que desvenda os labirintos do ser, que lança pontes sobre os abismos do desconhecido. Sua presença é um farol de clareza em meio à neblina das confusões internas. Com técnicas refinadas e uma escuta compassiva, ele oferece um espaço seguro para a expressão das dores mais profundas, para a exploração dos cantos mais sombrios da psique. Suas ferramentas são afiadas como bisturis, capazes de dissecar os traumas, as neuroses e os padrões autodestrutivos que assombram o indivíduo.


Do outro lado da moeda relacional, surge o amigo, esse ser de carne e osso, permeado pelo calor humano e pela empatia genuína. Ele não possui um diploma em psicologia pendurado na parede, mas carrega consigo o título honroso de confidente, de ombro amigo, de companheiro de jornada. Sua presença é um bálsamo reconfortante nos momentos de aflição, um eco de risadas nos dias de bonança. Ele não tem técnicas especializadas para desvendar os enigmas da mente, mas oferece seu coração aberto e sua escuta atenta como antídotos para a solidão e o desespero.


Entre esses dois polos, há uma diferença crucial que define suas respectivas contribuições no universo do cuidado emocional. O psicólogo, além de oferecer apoio emocional, possui um arsenal de conhecimentos teóricos e práticos para ajudar na compreensão e na resolução dos conflitos internos. Ele é treinado para identificar padrões disfuncionais, para sugerir estratégias de enfrentamento e para acompanhar o processo de transformação pessoal de forma profissional e ética.


Já o amigo, embora possa não ter as mesmas habilidades técnicas, oferece um tipo único de suporte: o amor incondicional e a camaradagem. Ele não está preocupado em diagnosticar ou em prescrever tratamentos, mas em simplesmente estar presente, em compartilhar risos e lágrimas, em caminhar ao lado do outro nos altos e baixos da vida.


Portanto, quando a angústia aperta o peito e a solidão se faz presente, a escolha entre um psicólogo e um amigo não precisa ser excludente. Ambos têm seu lugar sagrado no vasto espectro das relações humanas. Um oferece as ferramentas da ciência e da técnica, enquanto o outro empresta seu coração e sua alma. E no encontro harmonioso desses dois mundos, encontramos o verdadeiro alívio para as dores da existência: um abraço afetuoso e uma escuta cuidadosa, unidos em uma dança de cura e compaixão.


Acho que o texto consegue equilibrar bem os dois aspectos. Ele destaca a importância tanto do profissionalismo do psicólogo quanto da camaradagem do amigo. Embora haja uma ênfase na distinção entre as habilidades técnicas do psicólogo e o suporte emocional do amigo, ambos são retratados como essenciais e complementares no cuidado emocional das pessoas. O texto reconhece a necessidade de ferramentas específicas para lidar com questões psicológicas, ao mesmo tempo em que valoriza o apoio emocional e o vínculo interpessoal proporcionado pela amizade.


Por Abilio Machado - Psicoarteterapeuta, Psicanalista e Neuropsicopedagogo

sábado, 28 de junho de 2025

Sobre respiração... Índia secreta!

 


"–A natureza concedeu ao homem para cada dia 21 600 movimentos respiratórios. A respiração tumultosa, rápida ou ruidosa excede essa medida e, consequentemente, encurta a vida. A lenta, profunda e tranquila economiza a quantidade prefixada e, consequentemente, a prolonga. Toda ex ou inspiração que se poupa forma uma grande reserva, da qual o homem pode obter anos extraordinários de vida. Os yogis não respiram ao mesmo ritmo que os outros homens; também não precisam fazê-lo, mas ai!... Como eu poderia dizer mais sem quebrar meus votos de silêncio?


A reserva do yogi é para mim como o suplício de Tântalo. Não haverá muitas coisas valiosas nesse conhecimento que dá tanto trabalho a esconder? Se assim for, você entende por que esses estranhos homens apagam seus rastros e escondem os tesouros dos seus ensinamentos para afastar os curiosos superficiais, aqueles que não estão mentalmente preparados e talvez aqueles que não são dignos no espiritual. Estarei incluído eu mesmo dentro de uma dessas últimas classificações e eventualmente sairei deste país sem nenhum prêmio além dos meus trabalhos? Mas Brama fala de novo:


- Os nossos mestres não possuem a chave para o poder da respiração? Eles sabem quão estreito é o laço que existe entre o dia e o sangue; eles entendem o mecanismo pelo qual a mente também segue o mesmo caminho; eles possuem o segredo de despertar a consciência animada, agindo sobre a respiração e o pensamento. Eu direi que o metabolismo do oxigênio e do anidrido carbônico é apenas a expressão neste mundo de uma força mais subtil que realmente mantém a vida? Reside nos órgãos vitais, embora invisível. Quando sai do corpo, a respiração pára e advém da morte. Mas dominando-a é possível, em certa medida, prevalecer sobre a corrente que nossos olhos não veem.


Há uma lição que podemos tirar dos animais, o método favorito de ensino do meu professor. Um elefante respira muito mais devagar que um macaco e ainda assim vive mais tempo. Algumas das grandes cobras respiram mais devagar que um cão e ainda assim são mais longevas. Portanto, existem criaturas que demonstram a possibilidade de prolongar a vida pela sua respiração lenta.


Se você me seguiu até aqui, a próxima etapa será ainda mais fácil de entender. Nos Himalaias há morcegos que hibernam. Penduram no teto das cavernas durante semanas sem respirar nem um pouco até acordarem. Também os ursos dessa mesma região, por vezes, dormem durante toda a estação fria, ficando seus corpos como se não tivessem vida nenhuma. Em tocas profundas do norte da Índia, onde não conseguem encontrar comida durante o inverno, há ouriços que passam alguns meses nesse estado durante o qual os pulmões não funcionam. Se esses animais param de respirar por um tempo e ainda assim vivem, por que os seres humanos não podem fazer o mesmo? "


Paul Brunton, a Índia Secreta. 

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Curriculum Lattes

 


Como recebi comentários sobre o CL - Currículo Lattes, percebi que muitos nem mesmo sabem o que é e a que se destina...


O Currículo Lattes se tornou um padrão nacional no registro da vida pregressa e atual dos estudantes e pesquisadores do país e do exterior, e é hoje adotado pela maioria das instituições de fomento, universidades e institutos de pesquisa do País. *Por sua riqueza de informações e sua crescente confiabilidade e abrangência, se tornou elemento indispensável e compulsório à análise de mérito e competência dos pleitos de financiamentos na área de ciência e tecnologia.*


Logo, *é a base curricular para análise e concessão de benefícios ou bolsas de fomento à ciência, tecnologia e inovação aos usuários (estudantes e pesquisadores) que pleiteiam apoio dos órgãos de fomento* a C&T&I.

Para que serve ter um currículo lattes?


*O currículo Lattes é uma das ferramentas mais importantes do mundo acadêmico. É por meio dele que os profissionais podem relatar suas experiências, entrar em contato com outros profissionais e ter acesso a documentos e materiais de estudo.*


Bom então...se você não é pesquisador, não busca ciência, não busca fomentos para seu trabalho, dirá eu não preciso, não tenho ou nunca vou ter... mas desvalorizar quem possui tem outro nome, né  ?!


#curriculolattes #pesquisa #formacao #registro #ciencia #academico

sábado, 14 de junho de 2025

O nervo vago : o fio secreto !

 


O NERVO VAGO: O FIO SECRETO QUE LIGA SEU CÉREBRO À SUA CALMA


No fundo do seu corpo existe um cabo-mestre, invisível mas poderoso, que percorre o caminho do seu cérebro até os seus órgãos mais vitais.

Ele se chama Nervo Vago — e, embora o nome possa soar estranho, o seu impacto no bem-estar é imenso.


Este nervo — o décimo dos pares cranianos — funciona como uma autoestrada de via dupla entre sua mente e seu corpo.

Ele regula:

• o ritmo cardíaco

• a digestão

• a respiração

• a inflamação

• e participa ainda de processos delicados como:

  • deglutição

  • fala

  • vômito


O Nervo Vago é o grande mensageiro do sistema parassimpático — aquela parte do sistema nervoso que nos ajuda a relaxar, curar e restaurar.


Quando o Nervo Vago está ativo:

• seu corpo entra em "modo calma"

• a pressão arterial diminui

• o açúcar no sangue é regulado

• a digestão melhora

• e seu cérebro se sente seguro


Ativá-lo é como enviar um sinal para todo o seu corpo de que ele está em segurança.


E o melhor: você pode estimulá-lo naturalmente, sem medicamentos, sem tecnologia — apenas com pequenas ações conscientes:


✅ Respire fundo e devagar, deixando o abdômen inflar e esvaziar como uma onda tranquila.

✅ Cante, entoe mantras ou ore suavemente — as vibrações na garganta ativam o nervo vago.

✅ Borrife água fria no rosto ou aplique uma toalha fresca no pescoço.

✅ Medite, agradeça, caminhe de forma consciente, abrace ou acaricie quem você ama.

✅ Massageie suavemente atrás das orelhas ou nas laterais do pescoço.

✅ E, acima de tudo, conecte-se com calma e segurança, tanto com os outros quanto consigo mesmo.


🥀 Ativar o Nervo Vago é um ato de amor-próprio.

🥀 Não se vê, mas se sente.

🥀 É uma maneira de dizer ao seu corpo: “Você está seguro.”

🥀 E quando seu corpo acredita nisso, ele começa a curar.


É nele que atuam a Terapia Filamentos da Alma criada por Abilio Machado 

O dilema do Bonde.

  O Dilema do Bonde Quadro 1: Um bonde desgovernado avança rapidamente por uma linha férrea. Cinco pessoas estão amarradas nos trilhos à fre...