terça-feira, 31 de março de 2026

O Dia em que Esqueci de Mim

 

O Dia em que Esqueci de Mim

Há uma educação silenciosa que nos atravessa desde cedo.

Ela não vem escrita em livros, nem é ensinada com clareza nas salas de aula.

É aprendida nos olhares de aprovação, nos sorrisos que recebemos quando agradamos… e, principalmente, nas ausências que sentimos quando ousamos ser quem somos.

Fomos ensinados a não incomodar.

A não decepcionar.

A sermos bons filhos, bons amigos, bons profissionais.

E, no meio dessa lista interminável de “bons”, esquecemos de aprender a ser inteiros.

Há algo profundamente doloroso em viver para corresponder.

Porque, aos poucos, vamos nos moldando às expectativas alheias como quem veste roupas que nunca serviram de fato.

Apertam aqui, incomodam ali… mas seguimos usando, porque fomos convencidos de que o desconforto é o preço do amor.

E assim adoecemos.

Não de forma brusca, não de uma vez só.

Mas em pequenas renúncias diárias.

Na palavra que engolimos.

No “sim” que dizemos querendo dizer “não”.

Na culpa que sentimos ao tentar nos priorizar.

No cansaço que não é físico, mas existencial.

Adoecemos porque nos abandonamos.

Há um momento — e ele chega, inevitavelmente — em que o corpo começa a falar aquilo que a alma já grita há muito tempo.

Ansiedade, angústia, irritação, vazio…

Não são fraquezas.

São mensagens.

São partes de nós batendo à porta, pedindo para voltar para casa.

Talvez o maior desafio da vida não seja aprender a amar o outro,

mas reaprender a amar a si mesmo sem culpa.

E isso exige coragem.

Coragem para decepcionar expectativas.

Para quebrar padrões antigos.

Para sustentar o desconforto de não ser mais aquilo que esperavam de nós.

Porque, no fundo, a verdade é simples e dura:

quem vive para agradar a todos, inevitavelmente trai a si mesmo.

E não há saúde emocional possível onde existe autoabandono.

Cuidar de si não é egoísmo.

É responsabilidade afetiva consigo mesmo.

É reconhecer que você também merece o cuidado que sempre ofereceu aos outros.

Talvez hoje seja um bom dia para começar diferente.

Não precisa ser um grande gesto.

Às vezes, tudo começa com um pequeno movimento de retorno.

Um limite colocado.

Um silêncio respeitado.

Uma escolha feita por você.

Porque, no fim, não se trata de deixar de amar o outro…

mas de, finalmente, incluir a si mesmo nesse amor.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Quando Somos Nosso Próprio Obstáculo: A Psicologia da Autossabotagem


 Quando Somos Nosso Próprio Obstáculo: A Psicologia da Autossabotagem

Por Abilio Machado 

Introdução

Há um paradoxo silencioso que atravessa a experiência humana: desejamos crescer, avançar, conquistar — mas, não raras vezes, somos nós mesmos que interrompemos esse movimento. A autossabotagem não é um acidente, tampouco um simples erro de percurso. Trata-se de um fenômeno psicológico complexo, que envolve conflitos internos, crenças limitantes e mecanismos inconscientes de proteção.

Como já apontava Carl Gustav Jung, “até que você torne o inconsciente consciente, ele dirigirá sua vida e você o chamará de destino”. Nesse sentido, compreender a autossabotagem é, antes de tudo, um convite ao autoconhecimento.

Desenvolvimento

A autossabotagem pode ser entendida como um conjunto de comportamentos, pensamentos ou emoções que interferem negativamente na realização de objetivos pessoais. Ela surge, muitas vezes, como uma tentativa inconsciente de evitar dor emocional, rejeição ou fracasso.

Do ponto de vista da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), esse processo está profundamente ligado às crenças centrais disfuncionais. Aaron Beck (1997) descreve que indivíduos podem desenvolver ideias rígidas como “não sou capaz”, “vou fracassar” ou “não mereço sucesso”, que acabam influenciando suas ações de forma automática.

Já na perspectiva psicodinâmica, a autossabotagem pode ser vista como um conflito entre desejos conscientes e conteúdos inconscientes. Freud (1923) sugeria que forças internas, como o superego rígido, podem punir o indivíduo quando ele tenta se afastar de padrões internalizados, gerando comportamentos autodestrutivos.

Além disso, fatores como experiências na infância, críticas constantes, traumas emocionais e padrões familiares disfuncionais contribuem para a formação desse padrão.

Sintomas da Autossabotagem

A autossabotagem nem sempre é evidente. Muitas vezes, ela se manifesta de forma sutil e repetitiva. Entre os principais sinais, destacam-se:

Procrastinação constante, especialmente em tarefas importantes

Medo excessivo de falhar ou de ter sucesso

Perfeccionismo paralisante

Autocrítica intensa e desproporcional

Dificuldade em manter consistência em projetos ou relacionamentos

Comportamentos impulsivos que prejudicam conquistas

Desistência recorrente diante de desafios

Esses sintomas frequentemente geram um ciclo de frustração, reforçando crenças negativas e alimentando ainda mais o comportamento autossabotador.

Tratamentos e Caminhos de Superação

Superar a autossabotagem não significa eliminá-la completamente, mas aprender a reconhecê-la e transformá-la. Alguns caminhos terapêuticos incluem:

1. Psicoterapia

A TCC ajuda a identificar e reestruturar pensamentos disfuncionais, enquanto abordagens psicodinâmicas exploram os conflitos inconscientes que sustentam esses padrões.

2. Consciência emocional

Reconhecer emoções como medo, vergonha e insegurança é essencial. Como aponta Daniel Goleman (1995), a inteligência emocional começa pela capacidade de perceber e nomear o que se sente.

3. Reestruturação de crenças

Questionar pensamentos automáticos e substituí-los por interpretações mais realistas e funcionais.

4. Desenvolvimento da autocompaixão

Kristin Neff (2011) destaca que tratar-se com gentileza, em vez de crítica, favorece mudanças mais sustentáveis.

5. Pequenas ações consistentes

A mudança não ocorre por grandes rupturas, mas por pequenas decisões repetidas que reconstroem a confiança interna.

Discussão

A autossabotagem revela uma verdade desconfortável: muitas vezes, não é o mundo externo que nos limita, mas os significados que construímos sobre nós mesmos. No entanto, é importante compreender que esses padrões não surgem por fraqueza, mas como estratégias de sobrevivência emocional.

O que hoje impede o crescimento pode ter sido, em outro momento, uma forma de proteção. Essa compreensão é fundamental para evitar julgamentos e promover um processo terapêutico mais acolhedor.

Além disso, em uma sociedade que valoriza desempenho constante, a autossabotagem também pode ser uma resposta ao excesso de pressão, funcionando como uma forma inconsciente de resistência.

Conclusão

A autossabotagem não é um inimigo a ser combatido com dureza, mas um sinal a ser escutado com atenção. Ela aponta para feridas, crenças e histórias que ainda precisam ser elaboradas.

Ao desenvolver consciência, acolhimento e novas formas de pensar e agir, é possível transformar esse padrão em um caminho de crescimento. Afinal, o maior avanço não está em nunca falhar, mas em compreender por que falhamos — e, a partir disso, escolher diferente.

Referências Bibliográficas

BECK, Aaron T. Terapia Cognitiva e Transtornos Emocionais. Porto Alegre: Artmed, 1997.

FREUD, Sigmund. O Ego e o Id. Rio de Janeiro: Imago, 1923.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

NEFF, Kristin. Self-Compassion: The Proven Power of Being Kind to Yourself. New York: William Morrow, 2011.

JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1928.

Se quiser citar meu artigo;

Machado de Lima Filho, Abilio. Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites. Campo Largo: Produção independente, 2026.

domingo, 29 de março de 2026

Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites



Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites

Por Abílio Machado 

Introdução

Vivemos sob a pressão silenciosa de sermos sempre agradáveis, disponíveis e emocionalmente estáveis. A ideia de “ser uma boa pessoa” foi socialmente moldada como sinônimo de ausência de conflito, erro ou limite. No entanto, essa construção tem produzido sujeitos exaustos, ansiosos e desconectados de si.

Como afirma Carl Rogers, “o curioso paradoxo é que quando me aceito como sou, então posso mudar”. A aceitação da própria imperfeição não é fracasso moral — é o início de um processo autêntico de crescimento.

Desenvolvimento

A psicologia contemporânea aponta que muitas pessoas desenvolvem padrões de comportamento baseados em aprovação externa. Segundo Aaron T. Beck, crenças centrais como “preciso agradar para ser amado” estruturam pensamentos automáticos disfuncionais, levando a comportamentos de submissão e evitação de conflitos.

O  desconstruir esse modelo ao validar atitudes essenciais para a saúde psíquica:

Dizer não

Estabelecer limites

Não dar conta de tudo

Discordar de alguém

Errar

Defender o que sente

Mudar de ideia

Ficar de mau humor

Essas atitudes se alinham ao conceito de assertividade, amplamente estudado por Manuel J. Smith, que afirma que o indivíduo tem o direito de dizer não sem culpa e de mudar de opinião sem precisar se justificar constantemente.

Já Donald Winnicott contribui com a ideia do “falso self”, um mecanismo psíquico no qual a pessoa se adapta excessivamente às expectativas externas, perdendo o contato com seu self verdadeiro. Nesse sentido, a tentativa de ser “bom demais” pode, na verdade, ser um afastamento da autenticidade.

Discussão

A dimensão psicoteológica amplia essa reflexão. A figura de Jesus Cristo frequentemente é interpretada como modelo de perfeição moral, mas os textos revelam alguém que expressava limites claros, indignação e posicionamento.

Ele disse “não”, confrontou estruturas e não buscou agradar a todos — o que reforça a ideia de que a verdadeira integridade não está na aceitação universal, mas na coerência interna.

Além disso, Brené Brown destaca que a vulnerabilidade não é fraqueza, mas “o berço da coragem, da conexão e da autenticidade”. Negar emoções como tristeza, frustração ou irritação é, portanto, negar partes essenciais da experiência humana.

O sofrimento psíquico surge quando o indivíduo tenta sustentar uma identidade idealizada. Essa dissonância entre o que se sente e o que se mostra gera ansiedade, culpa e esgotamento emocional.

Motivação

Talvez você tenha aprendido que ser bom era não incomodar.

Que amar era ceder sempre.

Que maturidade era suportar em silêncio.

Mas isso não é maturidade — é sobrecarga emocional.

Como aponta Albert Ellis, grande parte do sofrimento humano vem de crenças rígidas como “eu devo ser aprovado por todos o tempo todo”. Questionar essas exigências é um ato de libertação.

Você pode ser gentil sem ser permissivo.

Pode amar sem se anular.

Pode falhar sem se condenar.

Existe dignidade em ser humano — não em ser perfeito.

Conclusão

Ser uma boa pessoa não significa ausência de falhas, mas presença de consciência. Trata-se de viver com responsabilidade emocional sem abrir mão da própria identidade.

A integração entre limites, vulnerabilidade e autenticidade fortalece o indivíduo e melhora suas relações. A bondade saudável não exige autoabandono — ela inclui o próprio sujeito.

Como sintetiza Carl Rogers, tornar-se pessoa é um processo contínuo de aceitação, mudança e autenticidade.

Ser bom, portanto, é também saber onde você termina — e onde o outro começa.

Referências Bibliográficas

BECK, Aaron T. Terapia Cognitiva e os Transtornos Emocionais. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

BROWN, Brené. A Coragem de Ser Imperfeito. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

ELLIS, Albert. A Guide to Rational Living. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1961.

ROGERS, Carl. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

SMITH, Manuel J. Quando Digo Não, Me Sinto Culpado. São Paulo: Saraiva, 2000.

WINNICOTT, Donald W. O Ambiente e os Processos de Maturação. Porto Alegre: Artmed, 1983.

BÍBLIA SAGRADA. Diversas edições.

Se quiser citar este artigo:

Machado de Lima Filho, Abilio. Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites. Campo Largo: Produção independente, 2026.


Distimia: a tristeza persistente que silencia a vida cotidiana

 


Distimia: a tristeza persistente que silencia a vida cotidiana

Por Abilio Machado 

Introdução

A Distimia, atualmente denominada Transtorno Depressivo Persistente nos manuais diagnósticos contemporâneos, é uma condição psicológica caracterizada por um humor deprimido crônico, de intensidade geralmente leve a moderada, porém duradouro. Diferente dos episódios intensos da depressão maior, a distimia se infiltra na vida do indivíduo de forma contínua, muitas vezes sendo confundida com traços de personalidade ou “jeito de ser”.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), essa condição exige a presença de sintomas por pelo menos dois anos em adultos (American Psychiatric Association, 2013). A relevância clínica da distimia reside não apenas na sua persistência, mas no impacto silencioso que exerce sobre a qualidade de vida, relações interpessoais e funcionamento global do sujeito.

Desenvolvimento

A distimia manifesta-se por meio de sintomas como baixa autoestima, fadiga constante, dificuldade de concentração, desesperança e alterações no sono e apetite. Por ser menos intensa do que a depressão maior, muitas pessoas seguem suas rotinas, porém com sofrimento interno contínuo.

Do ponto de vista etiológico, a distimia é multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Estudos indicam a influência de predisposições genéticas, alterações neuroquímicas (especialmente envolvendo serotonina e dopamina), além de experiências de vida marcadas por perdas, negligência emocional ou ambientes invalidantes (Klein et al., 2018).

Na perspectiva cognitivo-comportamental, indivíduos com distimia tendem a desenvolver padrões de pensamento negativos e automáticos, frequentemente internalizados ao longo do tempo. Já sob um olhar psicodinâmico, pode-se compreender a distimia como uma expressão de conflitos psíquicos não elaborados, frequentemente ligados a experiências precoces de rejeição ou desamparo.

Aaron Beck, um dos principais teóricos da terapia cognitiva, afirma que:

“Os indivíduos deprimidos apresentam uma tríade cognitiva negativa: visão negativa de si mesmos, do mundo e do futuro” (Beck, 1979).

Essa tríade, quando persistente e menos intensa, pode sustentar o quadro distímico ao longo dos anos.

Discussão

Um dos maiores desafios no diagnóstico da distimia é sua invisibilidade relativa. Por não incapacitar completamente o indivíduo, muitas vezes ela é negligenciada tanto pelo próprio sujeito quanto pelo meio social. Isso gera um fenômeno importante: a naturalização do sofrimento.

Além disso, a distimia pode coexistir com episódios de depressão maior, caracterizando o chamado “duplo transtorno depressivo”, o que agrava significativamente o prognóstico (McCullough, 2003).

Do ponto de vista psicoterapêutico, abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia Interpessoal e intervenções integrativas têm demonstrado eficácia. Em muitos casos, o uso de medicação antidepressiva também é indicado.

Sob uma ótica psicoteológica — especialmente relevante para práticas clínicas integrativas — a distimia pode ser compreendida como um estado de esvaziamento existencial. Não necessariamente uma ausência de fé, mas, por vezes, uma dificuldade de acessar sentido, esperança e conexão interna. Viktor Frankl já apontava que:

“Quando não podemos mais mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos” (Frankl, 1984).

Essa reflexão abre espaço para intervenções que resgatem significado, propósito e reconstrução subjetiva.

Conclusão

A distimia é uma condição que exige atenção clínica sensível e contínua. Seu caráter crônico e silencioso a torna particularmente perigosa, pois pode limitar o potencial de vida do indivíduo sem que haja um colapso evidente.

Compreender a distimia é reconhecer que nem todo sofrimento grita — alguns apenas persistem. E é justamente nessa persistência que se encontra a necessidade de escuta qualificada, intervenção terapêutica e reconstrução de sentido.

A ampliação do olhar — integrando aspectos biológicos, psicológicos e existenciais — permite não apenas tratar sintomas, mas acolher a complexidade do ser humano em sua totalidade.

Referências

American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5th ed.). Washington, DC.

Beck, A. T. (1979). Cognitive Therapy and the Emotional Disorders. New York: Penguin.

Frankl, V. E. (1984). Man’s Search for Meaning. Boston: Beacon Press.

Klein, D. N., Shankman, S. A., & Rose, S. (2018). Dysthymia and chronic depression: Course and treatment. Annual Review of Clinical Psychology.

McCullough, J. P. (2003). Treatment for Chronic Depression: Cognitive Behavioral Analysis System of Psychotherapy (CBASP). Guilford Press.

Se quiser citar este artigo:

Machado de Lima Filho, Abilio. Distimia: a tristeza persistente que silencia a vida cotidiana . Campo Largo: Produção independente, 2026.

sexta-feira, 27 de março de 2026

EVOLUIR É...


 Uma metáfora simples, uma pergunta complexa e profundamente reveladora sobre o processo de crescimento humano — psicológico e espiritual.

De um lado, o recipiente transbordando acompanhado da frase “Eu sei tudo!” revela um estado psíquico marcado pela ilusão de completude. Aqui podemos associar ao conhecido fenômeno da Efeito Dunning-Kruger, no qual quanto menos alguém sabe, mais acredita dominar o conhecimento. Psicologicamente, isso aponta para um ego inflado que não tolera o “não saber”. Esse excesso, paradoxalmente, impede a entrada de algo novo — o sujeito está cheio demais de si.

Teologicamente, esse estado se aproxima daquilo que as Escrituras frequentemente tratam como orgulho ou endurecimento do coração. Um coração cheio de certezas não se abre para a revelação. É como um vaso que já está cheio: não há espaço para Deus agir, ensinar ou transformar. A arrogância espiritual cria uma barreira invisível entre o indivíduo e a graça.

Do outro lado, o recipiente sendo preenchido com a pergunta: “O que mais eu posso aprender?” revela uma postura completamente diferente — a humildade epistêmica. Psicologicamente, trata-se de uma mente aberta, curiosa, que reconhece suas limitações e, por isso mesmo, continua crescendo. Aqui o ego não precisa provar nada; ele pode aprender.

Na dimensão teológica, essa postura ecoa o princípio bíblico da mansidão e da humildade de coração. É o espírito ensinável, aquele que se coloca como aprendiz diante da vida e de Deus. Há uma espécie de “esvaziamento do eu” que lembra o conceito de kenosis (esvaziamento), abrindo espaço para ser preenchido por algo maior.

A imagem, portanto, propõe um contraste essencial:

O cheio de si → transborda, mas não cresce

O vazio consciente → se enche e se transforma

Psicoteologicamente, o crescimento verdadeiro exige um movimento duplo:

Desaprender certezas rígidas (quebrar defesas do ego)

Acolher o novo com humildade (abrir-se à transformação)

No fundo, o card nos confronta com uma pergunta silenciosa, mas decisiva:

Você quer estar cheio… ou quer ser preenchido?

E talvez a resposta mais madura seja perceber que evoluir não é acumular conteúdo, mas manter-se disponível ao processo. Porque quem acredita que já chegou, parou. Mas quem pergunta, continua caminhando.

Abílio Machado 🎅 Paz Profunda 

Os 13 problemas da Psicologia Atual

 

A obra “A Verdade saindo do poço armada com seu chicote” (Jean-Léon Gérôme, 1896) ilustra nosso cenário. A psicologia enfrenta uma crise metodológica silenciosa. A solução? Encarar o poço e adotar uma postura clínica e científica implacável. Primeiro, estabeleça limites estritos para o objeto de estudo. Especifique redes nomológicas testáveis, prove invariância conceitual entre contextos e evite criar falsas entidades teóricas. Quantifique a variância de erro, triangule medidas com vieses diferentes e justifique empiricamente a sensibilidade e especificidade de cada ponto de corte. Na prática terapêutica, o mero ajuste estatístico não confirma causalidade. Defina antecipadamente resultados empíricos que refutariam a teoria. Alinhe a análise ao nível de agregação adequado, modelando heterogeneidade para evitar a falácia ecológica. Explicite qual padrão normativo define o prejuízo, impedindo patologização sem critério e evitando a reificação. Como processos violam condições de ergodicidade, a precisão clínica requer modelos de séries temporais e avaliações ecológicas momentâneas, capturando a trajetória intrapessoal genuína. A inferência causal demanda grafos acíclicos explícitos e distinção rigorosa entre relações constitutivas, mediadoras e moderadoras. Por fim, a integridade científica cobra transparência absoluta: pré-registro de protocolos e análises de sensibilidade para combater viés de publicação. Para que intervenções funcionem na vida real, a transportabilidade exige modelar variáveis moderadoras de contexto antecipadamente, delineando ajustes exatos para novas populações. Salve este guia e envie para colegas que levam a ciência a sério.













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quarta-feira, 25 de março de 2026

No fim, morremos sozinhos



 No fim, morremos sozinhos

Há uma frase que chega sem pedir licença e se senta no meio da alma: no fim, morremos sozinhos. Ela não grita, não acusa — apenas fica. E, de algum modo estranho, verdadeiro.

Sozinhos.

Não porque faltou amor.

Não porque ninguém ficou.

Mas porque existe um território da existência onde ninguém atravessa conosco.

A vida inteira é construída em companhia. Nascemos sendo acolhidos por braços, crescemos sustentados por vozes, seguimos amparados por vínculos. Aprendemos a chamar nomes quando dói, a buscar olhos quando nos perdemos, a dividir o pão e também os silêncios. Somos, por natureza, seres de encontro.

Mas há um instante — esse último — que não se compartilha.

E isso, à primeira vista, assusta.

Porque desmonta a ilusão mais confortável que carregamos: a de que nunca estaremos verdadeiramente sós.

Do ponto de vista psicológico, essa solidão final confronta o núcleo mais primitivo do ser: o medo do abandono. Aquela sensação infantil de que, se o outro some, eu deixo de existir. Por isso evitamos pensar nisso. Disfarçamos. Ocupamos o tempo. Fazemos barulho dentro de nós mesmos para não ouvir o eco desse pensamento.

Mas há uma outra forma de olhar.

E talvez seja aí que a teologia sussurra algo diferente daquilo que o medo insiste em repetir.

Porque, se é verdade que ninguém pode atravessar a morte por nós, também é verdade que não a atravessamos no vazio.

A solidão do fim não é ausência — é interioridade.

É o momento em que tudo o que foi externo se recolhe, e resta apenas aquilo que fomos, em essência. Sem máscaras, sem papéis, sem aplausos, sem defesas. Apenas o ser diante do Ser.

É o encontro mais íntimo que existe.

Não com o outro humano, mas com aquilo que nos sustentou desde sempre, mesmo quando não percebíamos.

A tradição espiritual, em suas muitas formas, aponta para um paradoxo bonito: o momento mais solitário é também o mais acompanhado.

Porque, se ninguém pode morrer conosco, há Alguém que nos espera do outro lado da travessia — ou, talvez mais profundo ainda, que nunca deixou de caminhar por dentro dela.

Então a frase muda de cor.

“No fim, morremos sozinhos” deixa de ser uma sentença de abandono e passa a ser um convite à verdade.

Quem sou eu quando tudo o mais se vai?

O que permanece quando não há mais plateia?

Que tipo de presença habita em mim quando o mundo silencia?

Talvez o grande drama não seja morrer sozinho.

Talvez seja viver inteiro rodeado de gente… e nunca ter aprendido a estar consigo mesmo.

Porque quem não suporta a própria companhia, teme a solidão do fim.

Mas quem fez as pazes com o próprio interior, começa a perceber que nunca esteve realmente só.

No fundo, a morte apenas revela aquilo que a vida inteira tentou ensinar:

Que o outro é abrigo — mas não é fundamento.

Que o amor nos cerca — mas não nos substitui.

E que existe uma presença mais profunda do que qualquer presença visível.

Por isso, talvez a pergunta não deva ser se morreremos sozinhos.

Mas sim:

com quem aprendemos a estar… quando ninguém mais pode ficar?

terça-feira, 24 de março de 2026

Não se deixe abater



 Não se deixe abater.

Se até por pouca coisa você se abate, certamente arcará com os danos, de vez que a vida, do nascimento à morte, é cheia de lances e surpresas agradáveis e desagradáveis.

O contentamento e a paz dependem superiormente de boa conduta, bom pensamento, fé no poder superior e convicção de poder enfrentar qualquer problema.

Essa fé, esse ânimo, essa convicção de ser forte, competente e amoroso são as raízes da sua felicidade. Nunca deixe cair o ânimo.

A força que você tem é a soma dos seus esforços.


ABILIO MACHADO 

- PSICÓLOGO 

- ARTETERAPEUTA 

- MASSOTERAPEUTA

domingo, 22 de março de 2026

Contratransferência: quando o analista também é afetado...


 





Contratransferência: quando o analista também é afetado 

Durante muito tempo, acreditou-se que o analista deveria ser completamente neutro. Como se estivesse fora da relação analítica. 

Mas a clínica mostrou outra coisa. O analista também é atravessado pelo encontro com o paciente. 

Sentimentos, reações, incômodos, simpatias. Tudo isso pode surgir na escuta. Esse fenômeno recebeu o nome de contratransferência. 

Freud inicialmente viu a contratransferência como um obstáculo. Algo que o analista precisava controlar. Com o desenvolvimento da clínica, ela passou a ser compreendida também como instrumento. 

Um indicador do que está acontecendo na relação analítica. O importante não é eliminar essas reações. 

É poder analisá-las, compreendê-las e não agir a partir delas. 

Se você quer aprofundar a compreensão da prática clínica psicanalítica, me siga...

Encerrar uma análise...


 





Encerrar uma análise não é abandonar. 

É sustentar uma saída. Muitas pessoas imaginam que o fim de uma análise acontece quando “tudo está resolvido”. 

Mas a Psicanálise não promete uma vida sem conflito. O inconsciente continua existindo. Os desejos continuam produzindo impasses. 

A vida psíquica nunca se encerra. O que muda ao longo de uma análise é a posição do sujeito diante do que vive. Aquilo que antes aparecia como repetição cega pode se tornar algo reconhecido. 

Encerrar uma análise não significa ausência de sofrimento. Significa que o sujeito pode sustentar sua história sem precisar repeti-la da mesma maneira. 

Algo foi simbolizado. Algo foi elaborado. O sintoma já não ocupa o mesmo lugar. Por isso o final de uma análise não é ruptura. 

É passagem. O sujeito sai não porque tudo terminou, mas porque pode continuar sem depender do espaço analítico. 

Se você se interessa pela clínica psicanalítica para além dos estereótipos, me siga...

quinta-feira, 19 de março de 2026

Quando a dor não sangra, o mundo se cala...



 Quando a dor não sangra, o mundo se cala

Por Abilio Machado psicanalista, psicoarteterapeuta e neuropsicopedagogo 

Há dores que recebem flores.

Outras recebem silêncio.

No lado esquerdo da vida, quando o corpo adoece, o mundo se mobiliza. Chegam mensagens, visitas, sopas quentes, orações ditas em voz alta. Há uma coreografia social bem ensaiada: “Fique bem logo”, “Sentimos sua falta”, “Leve o tempo que precisar”. A doença física, visível, quase sempre convoca a empatia como um reflexo.

Mas há um outro lado — mais silencioso, mais difícil de nomear. Um território onde a dor não sangra, não incha, não aparece em exames simples. Ali, quando alguém diz “eu tive depressão”, o que muitas vezes encontra é um eco vazio. Ou pior: um constrangimento coletivo. Como se aquela dor fosse incômoda demais para ser acolhida, complexa demais para ser compreendida, invisível demais para ser legitimada.

E então o que se oferece não são flores, mas ausência.

A depressão não paralisa apenas quem a vive — ela também desorganiza quem está ao redor. Porque ela não cabe nas frases prontas. Ela desafia o senso comum que acredita que “basta reagir”, “ter fé”, “pensar positivo”. A dor psíquica não se resolve com pressa. E isso assusta uma sociedade que venera soluções rápidas.

Talvez, no fundo, o silêncio não seja falta de cuidado, mas falta de linguagem.

Não aprendemos a estar com quem sofre por dentro.

Não nos ensinaram a sentar ao lado de alguém que não consegue explicar o que sente. A sustentar um encontro onde não há respostas, apenas presença. A oferecer companhia sem a necessidade de consertar.

E assim, sem perceber, abandonamos exatamente quem mais precisa de vínculo.

A depressão é uma experiência de esvaziamento — de sentido, de energia, de identidade. E o silêncio externo pode aprofundar esse vazio, transformando sofrimento em solidão. Não é apenas a dor que pesa, mas a sensação de ser invisível dentro dela.

Por isso, talvez o convite deste tempo seja outro.

Aprender a cuidar do invisível.

Oferecer ao sofrimento psíquico o mesmo gesto que oferecemos ao corpo: atenção, tempo, presença e validação. Trocar o silêncio desconfortável por uma escuta disponível. Substituir o julgamento apressado por curiosidade genuína. Permitir-se não saber o que dizer — mas ainda assim, ficar.

Porque às vezes, o que salva não é a frase certa.

É alguém que não vai embora.

E se há algo profundamente humano — e também profundamente espiritual — é isso: permanecer ao lado do outro quando ele já não consegue permanecer em si mesmo.

Talvez não possamos curar todas as dores.

Mas podemos, ao menos, não ampliá-las com a nossa ausência.

Um pensamento que nasce…

…sentado no banco da igreja, olhando para pessoas que recebem abraços visíveis e outras que carregam lágrimas invisíveis. E me pergunto: quantos de nós estão sorrindo por fora, enquanto por dentro imploram apenas por alguém que fique?


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terça-feira, 17 de março de 2026

Crônica XIII - Matias - O Arquétipo da Continuidade Matias – O Discípulo que Reconstruiu o Círculo

Os Discípulos que Habitam a Alma

Crônica XIII - O Arquétipo da Continuidade

Matias – O Discípulo que Reconstruiu o Círculo

Sentado no banco da igreja, enquanto a luz atravessava os vitrais silenciosos, pensei em um nome que quase não aparece nas pregações.

Matias.

Ele não realizou milagres famosos.

Não escreveu cartas.

Não protagonizou episódios marcantes.

Ainda assim, sua presença foi fundamental.

Depois da morte de Judas, o grupo dos discípulos ficou incompleto. Algo parecia fora de lugar. O círculo dos doze, que simbolizava a nova comunidade, havia sido quebrado.

Então os discípulos oraram.

Não procuraram o mais famoso.

Nem o mais eloquente.

Procuraram alguém fiel.

Assim foi escolhido Matias.

Ele entrou não para brilhar, mas para restaurar o equilíbrio.

Há pessoas na história que ocupam o centro da narrativa.

E há outras que sustentam a estrutura da história sem serem notadas.

Matias pertence a essa segunda categoria.

Ele representa aqueles que servem sem aplausos.

Aqueles que não disputam visibilidade, mas mantêm viva a missão.

Talvez a fé precise mais dessas pessoas do que imaginamos.

Porque enquanto alguns anunciam em voz alta, outros sustentam silenciosamente o que foi anunciado.

Matias nos lembra que nem toda vocação precisa de palco.

Algumas vocações existem apenas para manter o círculo completo.

Arquétipo espiritual

Matias representa:

a fidelidade silenciosa

a continuidade da obra

o serviço sem busca de reconhecimento

Ele nos lembra que nem todos são chamados para o centro da cena.

Alguns são chamados para manter a história de pé.

Crônica XIV - Paulo - O Arquétipo da Conversão Paulo – Quando o Inimigo se Torna Mensageiro

 

Todos diferentes.

Todos necessários.

Porque o Cristo não constrói um grupo de perfeitos.

Ele constrói uma comunidade de transformação.

Os Discípulos que Habitam a Alma

O Apóstolo que Chegou Depois

Crônica XIV - O Arquétipo da Conversão

Paulo – Quando o Inimigo se Torna Mensageiro

Sentado no banco da igreja, olhando para o altar vazio, pensei em um dos personagens mais surpreendentes da história da fé.

Não foi pescador.

Não caminhou com Jesus pelas estradas da Galileia.

Não presenciou milagres nem ouviu as parábolas ao entardecer.

Ao contrário.

Ele perseguiu aqueles que seguiam o Nazareno.

Seu nome era Saulo. Homem culto, disciplinado, convicto de que defendia a verdade. Em sua mente não havia maldade. Havia certeza.

E talvez seja justamente isso que torna sua história tão inquietante.

Porque às vezes o erro mais profundo nasce da convicção absoluta de estar certo.

Saulo acreditava proteger Deus quando, na verdade, combatia aquilo que Deus estava fazendo.

Mas no caminho para Damasco algo aconteceu.

Não foi apenas uma visão.

Foi uma ruptura interior.

Aquele que perseguia encontrou Aquele que perseguia.

E naquele encontro nasceu Paulo.

A mesma força que antes empurrava sua vida contra os discípulos agora o impulsionava a anunciar aquilo que antes negava.

Ele não esteve entre os doze primeiros.

Não foi discípulo original.

Mesmo assim tornou-se um dos maiores anunciadores da mensagem de Cristo.

Paulo nos lembra de algo profundamente humano:

Deus não chama apenas os perfeitos.

Deus transforma os improváveis.

Porque às vezes o maior missionário nasce justamente do antigo opositor.

Talvez por isso sua história nos console tanto.

Se até um perseguidor pôde se tornar apóstolo, então ninguém está definitivamente perdido.

Sempre pode existir um caminho para Damasco dentro da alma.

Paulo, foi transformado, sinônimo de pura conversão que o fez ser além do momento, sua energia, sua inteligência e sua paixão foram redirecionadas para anunciar aquilo que antes combatia.

Tornou-se apóstolo entre os gentios.

O homem que caminhava contra a fé passou a carregá-la para terras onde nenhum dos doze havia ido.

Talvez por isso eu fiquei pensando naquele décimo terceiro assento.

Ele nunca existiu na mesa original.

Mas espiritualmente… talvez sempre tenha estado reservado.

Porque o Reino de Deus não termina com os primeiros chamados.

Ele continua chamando.

Paulo não substituiu ninguém.

Ele ampliou a mesa.

Se os doze representam as raízes da fé, Paulo representa seus ramos.

Ele é o arquétipo daquele que chega depois… mas chega com fogo.

Aquele que não estava no começo da história, mas se torna essencial para que a história continue.

E ali, sentado no banco da igreja, percebi algo curioso.

Talvez o décimo terceiro assento ainda não esteja ocupado.

Talvez ele represente todos aqueles que vieram depois.

Gente que não viu os milagres.

Que não caminhou com Jesus pela Galileia.

Mas que, de alguma forma misteriosa, foi chamada mesmo assim.

Talvez cada geração receba esse convite silencioso.

Sentar-se à mesa da missão.

Porque o Cristo que chamou pescadores, cobradores de impostos e até perseguidores…

Ainda continua chamando.

Arquétipo espiritual

Paulo representa:

a queda das certezas rígidas

a conversão profunda

a transformação do inimigo em mensageiro

Ele nos lembra que ninguém está longe demais para recomeçar.

As vozes da minha mente

 Esta atividade aprofunda o mesmo tema do visto anteriormente sobre pensar com a própria cabeça, e trabalha algo muito presente na clínica e na vida cotidiana: as vozes internas que dirigem nossos pensamentos. Na psicoarteterapia, reconhecer essas vozes é um passo importante para recuperar a própria consciência.



Atividade de Psicoarteterapia

As Vozes da Minha Mente

Objetivo terapêutico

Ajudar a pessoa a perceber quais vozes internas influenciam seu pensamento, diferenciando:

a voz crítica

a voz do medo

a voz da tradição

e a própria voz interior

Esse exercício estimula autoconhecimento, consciência emocional e autonomia psíquica.

Materiais necessários

uma folha de papel

lápis ou caneta

lápis de cor ou canetinhas

Etapa 1 — O Silêncio Inicial

Antes de começar, peça para a pessoa fechar os olhos por um minuto.

A proposta é perceber:

quais pensamentos surgem espontaneamente na mente?

Muitas vezes já aparecem:

preocupações

cobranças

lembranças

expectativas

Esses pensamentos serão a base do exercício.

Etapa 2 — O Círculo da Mente

Agora a pessoa deve desenhar um grande círculo no centro da folha.

Esse círculo representa a própria mente.

Dentro dele, serão colocadas diferentes vozes internas.

Etapa 3 — Identificando as Vozes

Peça para dividir o círculo em partes, como se fosse um mapa da mente.

Cada parte representará uma voz.

Alguns exemplos comuns:

A Voz do Crítico

Frases que julgam ou diminuem.

Exemplo:

“Você não é bom o suficiente.”

A Voz do Medo

Pensamentos que evitam risco.

Exemplo:

“Melhor não tentar.”

A Voz do Passado

Mensagens que vieram da infância.

Exemplo:

“Isso não é para você.”

A Voz da Expectativa Social

Aquilo que “esperam” da pessoa.

Exemplo:

“Você precisa agradar.”

A pessoa deve escrever ou desenhar essas vozes dentro do círculo.

Etapa 4 — A Voz Esquecida

Agora vem a parte mais profunda.

Peça para a pessoa procurar dentro da mente:

“Qual é a minha própria voz?”

Não a voz aprendida.

Não a voz repetida.

Mas a voz que nasce da própria consciência.

Ela deve ser desenhada no centro do círculo com:

outra cor

um símbolo

uma palavra

Etapa 5 — Expressão Artística

Agora a pessoa pode colorir o desenho livremente.

Muitas vezes a arte revela algo interessante:

algumas vozes aparecem maiores

outras parecem esmagar a voz interior

ou a própria voz surge pequena, mas luminosa

Esse momento permite uma leitura simbólica da própria psique.

Reflexão Terapêutica

Depois da atividade, algumas perguntas ajudam na integração:

Qual voz ocupa mais espaço na sua mente?

Existe alguma voz que você reconhece como herdada de alguém?

Sua própria voz aparece forte ou tímida?

O que seria necessário para fortalecê-la?

Perspectiva Psicológica

Esse exercício se conecta com algo muito estudado pela psicologia profunda.

O psiquiatra Carl Gustav Jung observou que a mente humana é formada por diferentes conteúdos psíquicos que dialogam entre si.

Parte do amadurecimento psicológico consiste em integrar essas vozes sem perder a própria consciência.

A mente humana raramente é silenciosa.

Dentro de nós convivem memórias, medos, expectativas e ensinamentos que recebemos ao longo da vida.

Mas em algum lugar, muitas vezes esquecido sob tantas influências, existe uma voz mais profunda.

Uma voz que não grita.

Não acusa.

Não impõe.

Ela apenas pergunta:

“O que você realmente pensa?”

Talvez ouvir essa voz seja o começo da verdadeira liberdade interior.🎨🧠📖

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