sexta-feira, 21 de novembro de 2025

 Ser ou não ser? Eis a questão!



 Ser ou não ser? Eis a questão!

Por Abilio Machado 

Imortalizada por Shakespeare, esta frase está presente nas dúvidas de muitas pessoas quando o assunto é o espirito. Qualquer um de nós pode se perguntar: sou um espirito ou tenho um espírito? Ou ainda, sou um corpo ou tenho um corpo?

Se, após alguma análise, a conclusão for que sou um espirito e tenho um corpo, a dúvida seguinte poderá ser: sendo um espirito, sou imortal ou isso é uma ilusão das religiões?

Como ainda há muitos irmãos de outras crenças que nos informam que o espírito está sujeito a uma segunda morte, caberia questionar: se corpo e espirito fossem mortais, por que haveria corpo e espírito então? Considerando que não há dúvidas de que o corpo é mortal, podemos concluir que, ou não há espírito, ou o espirito é imortal.

Nos dizeres atribuídos a Jesus em seu diálogo com Nicodemos: (0 espírito é como o vento que sopra... "não se sabe de onde vem e nem para onde vai, mas em verdade te digo que se o Homem não renasce da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus".

Nesta oportunidade, Jesus buscava explicar ao interessado que reencarnação era o caminho evolucionário para um reino de harmonia que está dentro de cada um de nós, mas que temos que descobrir e ocupar por meio do nosso próprio esforço.

O espírito é creado simples e ignorante, mas por ser dotado de inteligência e liberdade constrói a si mesmo ao longo da sua trajetória.

Como modelo exemplar desta ideia, no pátio de uma universidade norte ame-ricana há uma estátua inacabada, onde o personagem bem acabado até a altura da cintura, com um martelo em uma mão e uma talhadeira na outra, aparece esculpindo a si mesmo. Sem uma palavra, a bela imagem passa a mensagem que o ser é o construtor do seu próprio aperfeiçoamento.


Como espirito, sou uma unidade de vida inteligente, sou também a soma de minhas vivências e convivências, alegrias e tristezas, amores e dissabores, erros e acertos. Sou a causa e o efeito da minha própria história multiencarnatória. Em mim estão os principios, as crenças e os valores morais que construi. Aos poucos vou testando e substituindo ideias. Sou o fruto do polimento que dei a mim mesmo e minha história é meu patrimônio de conhecimento.


Sou como o bloco de pedra ou metal que aos poucos tem os excessos removidos e que a exemplo da escultura mencionada adquire formas harmo-niosas, revela sua essência e cumpre os papéis que escolhe.


Aprendizado contínuo faz coerência com imortalidade, com liberdade, respon-sabilidade e resultados. Hoje já sou melhor do que fui ontem e amanhã poderei ser um pouco melhor do que sou hoje.


Duvido, logo penso. Penso, logo sou. Descartes

Relaxação...ou relaxamento !

 


Relaxação

Por Abilio Machado 

Técnica de relaxamento / meditação que objetiva promover relaxamento fisico e mental, diminuindo as tensões musculares ocasionadas pelo estresse.

Para obter bons resultados com a prática desta técnica, como a diminuição das dores de coluna, enxaqueca e insônia, é necessário que você a pratique diariamente, duas vezes ao dia, por 10 minutos.


Como realizar?


1º - Procure um local calmo, tranquilo;

2º - Sente-se confortavelmente, não deite;

3º - Feche os olhos;

4º - Inicie uma inspiração e expiração nasal profunda e tranquila e mantenha esta forma de respiração durante alguns segundos;

5º - De olhos fechados direcione o pensamento para o corpo (pés, pernas, braços...) e procure soltar os músculos de cada segmento corporal, dos pés a cabeça;

6º - Inicie o exercício de vocalização inspirando pelo nariz e quando soltar o ar vocalize a letra "U".


IMPORTANTE:


Não pratique a técnica (vocalização) por mais de 20 minutos.

Não coloque despertador para avisar o término do tempo.


A relaxação, ou ação de relaxar, propicia o relaxamento ou estado de estar relaxado e promove a meditação, autoconhecimento, equilíbrio e serenidade."

sábado, 8 de novembro de 2025

Quando o Desejo se Torna Refúgio: um olhar psicológico e teológico sobre a pornografia

 Há silêncios que o corpo grita. E desejos que se disfarçam de alívio.

A pornografia, por vezes, nasce desse lugar — onde a solidão busca companhia e o amor perde sua forma humana.

Entre o prazer e a culpa, entre o corpo e o espírito, muitos se perdem em imagens que prometem o que o toque real já não oferece.

Mas o que há por trás desse hábito tão comum e tão pouco confessado?

Seria um vício, um refúgio ou um sintoma de relações que já não respiram?

Tenho alguns conhecidos que volta e meia postam nos grupos ou enviam no privado imagens pornograficas,  e sempre há um misto no pensar dos por quês... E saiu este artigo...



Quando o Desejo se Torna Refúgio: um olhar psicológico e teológico sobre a pornografia

Por Abilio Machado 

Há um abismo silencioso que separa o prazer do encontro.

E é nesse espaço que muitos homens e mulheres têm se perdido — buscando na pornografia o alívio que não encontram mais na presença real, no toque verdadeiro, na reciprocidade amorosa.

Vivemos numa era de estímulos fáceis e recompensas instantâneas. Um clique e o cérebro é inundado por dopamina, o neurotransmissor do prazer e da recompensa. A princípio, parece inofensivo. Mas o que acontece quando o prazer se desconecta do vínculo, da ternura, da entrega? O que resta é o corpo como objeto, o outro como fantasia e a alma… vazia.


O ponto de vista psicológico


Do ponto de vista psicológico, a pornografia funciona como uma anestesia emocional.

Ela reduz a ansiedade, oferece uma fuga rápida da solidão, do estresse, da insegurança e da sensação de rejeição. Contudo, o preço é alto: o cérebro se condiciona a buscar o prazer em estímulos cada vez mais intensos, o que enfraquece o interesse pelo contato real, pela relação viva.

Casamentos e relacionamentos começam a sofrer: o toque do outro parece sem graça, o ritmo da vida sexual não compete com o frenesi das telas, e o olhar se perde em comparações. Surge a vergonha, a culpa, a mentira — e um ciclo de isolamento e distanciamento afetivo.

Em muitos casos, a pornografia não é a causa, mas o sintoma de uma relação em declínio. É o reflexo de vínculos enfraquecidos, de comunicações que se perderam, de afetos não ditos. Quando o desejo precisa se refugiar na fantasia, é sinal de que algo deixou de ser nutrido na realidade.


O ponto de vista teológico


Sob a ótica teológica, o corpo é templo, e o prazer é um dom sagrado — mas não um fim em si mesmo.

A espiritualidade cristã não nega o desejo, mas o convida à integração: amar é unir corpo, alma e compromisso. A pornografia, ao contrário, fragmenta. Ela cria uma dissociação entre o olhar e o coração, entre o ato e o sentido.

Jesus dizia que “quem olhar para uma mulher com intenção impura já cometeu adultério em seu coração” (Mateus 5:28). Não se trata de moralismo, mas de integridade: o olhar é o espelho da alma, e o desejo sem amor é uma chama que consome, não aquece.

A teologia do corpo, em sua beleza mais profunda, ensina que a sexualidade humana é linguagem de comunhão. Quando essa linguagem é usada para o isolamento — mesmo que no segredo de uma tela — ela deixa de ser expressão de vida e passa a ser consumo.



Entre o vício e a consciência


Reconhecer o vício não é sinal de fraqueza, mas de humanidade.

É admitir que há um buraco na alma que nenhuma imagem conseguirá preencher. A pornografia promete alívio, mas entrega vazio. O caminho da cura passa pelo autoconhecimento, pela escuta interna e, muitas vezes, pela necessidade de ajuda — psicológica e espiritual.

Curiosamente, é no tempo de abstinência que o corpo e a mente podem reencontrar o equilíbrio.

Como no teu caso, poetha — o período de recuperação após uma postectomia torna-se um convite à pausa. O corpo pede descanso, e o espírito pede sentido. É uma oportunidade de reconexão com o próprio sentir, de redescobrir o prazer que nasce do afeto e não apenas do impulso.


Os prós e os contras


Falar de “prós” na pornografia é delicado, mas podemos admitir que, em contextos terapêuticos ou educativos, ela pode despertar curiosidade, autoconhecimento ou servir de reflexão sobre o próprio desejo.

No entanto, seus contras são mais amplos e profundos: despersonaliza o outro, cria expectativas irreais, enfraquece vínculos emocionais, estimula comparações destrutivas e, em muitos casos, alimenta uma cultura de abuso e exploração.


O reencontro com o sagrado


Quando o prazer volta a ser gesto de amor, o corpo reencontra sua dignidade.

O desafio, portanto, não é reprimir o desejo, mas redimi-lo — dar-lhe significado, integrá-lo à vida. A castidade, nesse contexto, não é ausência de sexo, mas presença consciente: é amar de modo inteiro, sem se dividir entre o real e o virtual.

No fim, a pornografia é o espelho turvo de uma carência. E toda carência é um pedido de amor.

Talvez o verdadeiro milagre não esteja em deixar de desejar, mas em aprender a desejar de modo verdadeiro.




Contratransferência: quando o analista também é afetado...

  Contratransferência: quando o analista também é afetado  Durante muito tempo, acreditou-se que o analista deveria ser completamente neutro...