Baile de Máscaras
Nunca fui bom em dançar, mas sempre gostei de observar. Naquele salão imaginário em que todos pareciam saber o compasso, descobri — tarde demais — que o ritmo não era ditado pela música, mas pela máscara.
As pessoas giravam, riam, brindavam, se inclinavam umas para as outras com sorrisos tão perfeitamente esculpidos que chegavam a brilhar mais do que o lustre central. E eu, tolo, apareci de rosto nu.
No início, pensei que seria um gesto de coragem. Afinal, para que se esconder se não havia nada a temer? Mas a cada volta pelo salão, percebia olhares enviesados, como se eu tivesse cometido um pecado de etiqueta: mostrar a pele quando todos vestiam porcelana. Foi quando a vergonha chegou — não como um tropeço súbito, mas como um peso que escorre pelo corpo e prende os pés no chão.
Eu não sabia que naquele baile, a sinceridade era a roupa imprópria. Ali, a verdade não se vestia de pele; vestia-se de fantasia. E quem ousava entrar desarmado aprendia, cedo ou tarde, que a nudez da alma é indecente para olhos acostumados a adornos.
Hoje entendo que talvez não fosse o caso de vestir uma máscara qualquer, mas de aprender a dançar com a minha própria. Porque nesse baile, para sobreviver, não basta ter um rosto — é preciso ter um disfarce.

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