sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Nem Toda Luz Ilumina

 


Nem Toda Luz Ilumina


A humanidade sempre buscou a luz. Desde a chama das primeiras tochas até as telas brilhantes que hoje carregamos nos bolsos, luz é sinal de vida, progresso, esperança. Mas é preciso discernir: nem toda luz ilumina.


Existem claridades que confundem, brilhos que ofuscam em vez de revelar. A psicologia chama isso de falsas soluções: escolhas que parecem trazer alívio imediato, mas que a longo prazo aprofundam nossas sombras. Um relacionamento tóxico pode parecer “luz” para a solidão, mas logo mostra-se escuridão disfarçada. Uma dependência pode parecer conforto, mas apenas apaga a verdadeira chama interior.


Na teologia, esse alerta é ainda mais profundo. O apóstolo Paulo já nos advertia sobre aqueles que se transformam em “anjos de luz” (2 Coríntios 11:14), mas que nada têm de divino. É o brilho enganoso que seduz, mas não guia. Diferente da luz de Cristo, que não apenas clareia o caminho, mas revela a verdade e dá vida.


O perigo do brilho vazio


Quantas vezes corremos atrás de holofotes, curtidas e palcos? Eles brilham, mas não aquecem. A verdadeira luz não está na intensidade do brilho externo, mas na profundidade da transformação interior.


A luz que realmente ilumina


Iluminar é permitir que algo seja visto como realmente é. A luz que vem de Deus não cria ilusões, mas revela. Ela mostra o que estava escondido, não para nos condenar, mas para nos curar.


O Natal e a estrela verdadeira


O Natal nos lembra disso: no céu havia muitas luzes, mas apenas uma estrela guiava até o lugar certo. Nem todas as luzes da noite eram caminho, apenas aquela que apontava para a manjedoura.


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✨ Ensinamento do Papai Noel: Nem toda luz ilumina. Algumas apenas distraem. A verdadeira luz revela, aquece e conduz ao propósito.



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quarta-feira, 24 de setembro de 2025

  O Silêncio Também Fala

 


O Silêncio Também Fala


Vivemos cercados por barulhos: notificações do celular, vozes que disputam atenção, opiniões lançadas como pedras em praça pública. Nesse turbilhão, muitos acreditam que só se comunica quem fala. Mas esquecem que o silêncio também tem sua voz.


Na psicologia, o silêncio pode ser um espaço terapêutico: o lugar onde sentimentos ocultos emergem e o inconsciente encontra forma. Quantas vezes, diante do choro de alguém, não precisamos dizer nada? O simples silêncio acolhedor já transmite cuidado.


Na teologia, o silêncio é igualmente sagrado. O salmista escreveu: “Aquietai-vos, e sabei que Eu sou Deus” (Salmos 46:10). É na pausa que ouvimos o divino, na ausência de ruído que reconhecemos a presença. Deus não se revela apenas nos trovões, mas também no sussurro suave.


O peso e o sentido do silêncio


O silêncio pode ser cura ou arma. Cura, quando nos permite escutar, refletir e respeitar o outro. Arma, quando usado como indiferença ou castigo. Assim, não basta silenciar: é preciso perguntar de onde vem esse silêncio e para onde ele aponta.


O silêncio interior


Em meio à correria, nossa alma implora por silêncios interiores. Não apenas desligar o som externo, mas também aquietar as vozes internas de culpa, cobrança e comparação. O silêncio interior é o que abre espaço para a oração verdadeira, aquela que não é apenas palavras, mas escuta atenta ao coração de Deus.


Natal e o silêncio


O Natal é marcado por essa mesma linguagem silenciosa: o Filho de Deus veio ao mundo sem discursos, sem discursos triunfais, mas no silêncio de uma noite simples. Enquanto os homens dormiam, o maior acontecimento da história se desenrolava em silêncio.


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Ensinamento do Papai Noel: O silêncio pode ser vazio ou plenitude. Que o nosso seja sempre espaço para acolher, ouvir e deixar Deus falar.


---Por Abilio Machado Psicanalista - Psicoterapeuta - Neuropsicopedagogo ICH


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terça-feira, 23 de setembro de 2025

Não é Porque Cabe que Está no Lugar Certo.


 Não é Porque Cabe que Está no Lugar Certo


Vivemos em um tempo em que a lógica da adaptação parece ser o lema de vida. Se algo cabe em nossa rotina, em nossa casa, em nossos relacionamentos, logo achamos que está tudo bem. Mas será mesmo? O simples fato de caber não significa que esteja no lugar certo.


Pense em uma gaveta abarrotada. Você força um objeto ali dentro, ele até entra, mas o excesso cria desordem, e aquilo que deveria estar acessível se torna perdido. Assim também acontece com a alma: enchemos nossa vida de coisas, pessoas e escolhas que “cabem” no espaço imediato, mas desalinhadas com o propósito maior que Deus nos confiou.


A psicologia nos ensina que o ser humano tem uma tendência natural de buscar preencher vazios — emocionais, espirituais ou existenciais — com aquilo que está mais próximo e fácil de encaixar. Mas a teologia nos lembra: nem tudo o que preenche edifica. Como disse o apóstolo Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém” (1 Coríntios 6:12).


O engano do “encaixe”


Quantas vezes aceitamos relacionamentos porque “naquele momento” cabiam em nossa carência, mas estavam longe de ser saudáveis? Quantas vezes dissemos sim a oportunidades que preenchiam um espaço financeiro, mas nos esvaziavam de sentido e de paz?


O problema não está em caber, mas em distorcer nossa vida para fazer caber. É quando nos ajustamos a algo que não deveria estar ali — como uma peça de quebra-cabeça empurrada no lugar errado: ocupa espaço, mas desfigura a imagem maior.


O lugar certo


O que é estar no lugar certo?

É alinhar o que temos e vivemos com o que fomos chamados a ser. É colocar prioridades, dons, afetos e limites dentro de uma ordem que respeite tanto nossa saúde psicológica quanto nossa caminhada espiritual.


No fundo, o convite é para uma vida menos cheia e mais coerente. Não é acúmulo, é direção. Não é quantidade de encaixes, mas a fidelidade ao propósito de cada peça.


No psicológico: pergunte a si mesmo — “Isso que estou colocando na minha vida me constrói ou apenas me ocupa?”


No espiritual: ore — “Senhor, mostra-me não apenas onde cabe, mas onde deve estar.”


O Natal, símbolo maior da simplicidade e do propósito divino, nos lembra: não havia espaço nas hospedarias, mas havia o lugar certo — uma manjedoura. Caberia em muitos outros lugares, mas Deus escolheu o que fazia sentido no Seu plano.


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Ensinamento do Papai Noel: O verdadeiro presente da vida não é encher espaços, mas discernir o lugar certo para cada coisa, cada pessoa e cada decisão.


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domingo, 21 de setembro de 2025

Seu pescoço...e sua defesa!


 Sua defesa silenciosa também vive no seu pescoço


O que aparece nesta imagem não são apenas “cabos” percorrendo o corpo, mas uma rede de vasos sanguíneos e linfáticos que trabalham juntos para manter você vivo e protegido.


* As veias (em azul) são responsáveis por devolver o sangue pobre em oxigênio e carregado de resíduos da cabeça de volta ao coração.

* Os vasos linfáticos (em amarelo) e seus gânglios funcionam como filtros biológicos: retêm vírus, bactérias e células alteradas antes que sigam circulando.


Sempre que suas defesas entram em ação, esses pequenos nódulos aumentam de tamanho, mostrando que o corpo está enfrentando uma batalha interna.


O pescoço é uma das regiões onde essa união vital fica mais evidente: aqui se encontram veias, artérias, nervos e cadeias de gânglios linfáticos, todos protegendo funções essenciais como respiração, digestão e a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.


Um detalhe importante: quando o médico palpa seu pescoço, ele não está apenas verificando tensão muscular, mas também avaliando esses gânglios linfáticos, que podem indicar infecções, inflamações ou até doenças mais graves.


Nota: este conteúdo (texto e imagem) é educativo e informativo. Não substitui avaliação médica presencial nem deve ser usado para autodiagnóstico. Se houver sintomas ou dúvidas sobre sua saúde, procure sempre um profissional qualificado.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

 A dor de ver demais

 


A dor de ver demais

Em troca de mensagem com meu primo sobre como a inteligência, desenvolvimento cognitivo, nos causa dor porque acabamos tendo mais percepção das coisas ao nosso redor e nos entristecemos por compreende-las.

Há uma estranha ironia no tempo: quando mais precisamos da leveza da ignorância, ele nos dá o peso da lucidez. Na juventude, caminhamos quase cegos, e ainda assim a vida parece menos árdua. O tempo é um rio largo, sem margens visíveis, e acreditamos que ele sempre estará ali, correndo a nosso favor.

Mas os anos passam, e a inteligência se aguça como uma lâmina que já não podemos devolver à bainha. E com ela, vêm percepções que antes nos escapavam: o limite do corpo, a fragilidade dos laços, a finitude dos dias. Descobrimos que cada manhã é também um adeus silencioso, e que a memória, essa companheira fiel, guarda não apenas a doçura do vivido, mas também as feridas que insistem em latejar.

Sofremos porque vemos. Vemos demais.

Vemos as injustiças que antes não nos importavam, os enganos que nos vestiam de esperança, os rostos que envelhecem ao nosso lado. Vemos as contradições humanas, as máscaras, o fingimento que a vida exige para se manter em movimento. E nessa clareza, já não há o consolo do véu da ignorância.

É curioso: a mesma inteligência que expande nosso olhar também amplia nossa dor. Porque enxergar não é apenas contemplar o que é — é também vislumbrar o que poderia ter sido. É perceber a beleza que se perdeu, o afeto que não floresceu, os caminhos que ficaram intransitáveis.

E ainda assim, há um paradoxo silencioso. Essa dor que nasce da lucidez é também a seiva de uma vida mais autêntica. Quando sofremos por compreender, também amamos com mais profundidade, perdoamos com mais generosidade, e nos tornamos capazes de enxergar a dignidade que existe mesmo naquilo que fere.

O tempo nos ensina a ver. A inteligência nos obriga a sentir. E entre a dor e a beleza, seguimos vivendo — carregando nos ombros não apenas os anos, mas a claridade de tudo o que eles revelam.



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terça-feira, 16 de setembro de 2025

 O amor sombrio e a criança em vulnerabilidade.

 


O amor sombrio e a criança em vulnerabilidade.

Por Abilio Machado - Psicanalista/Psicoarteterapeuta/Neuropsicopedagogo ICH


> “Você não sabe o que é apanhar todo dia sem saber por quê, ter cigarros apagados em seu corpo ou mãos querendo arrancar seus segredos. Era só denunciar, disseram. Mas como? Este já era o lar adotivo.”


Esse testemunho cru, carregado de dor, expõe uma das faces mais obscuras da infância em vulnerabilidade. Aquilo que deveria ser lugar de proteção se transforma em campo de violência, confundindo a criança em sua noção de amor, cuidado e pertencimento.


O paradoxo do amor sombrio


O amor costuma ser sinônimo de cuidado, afeto e proteção. Mas, em muitos contextos, ele aparece distorcido, carregando sombras. Esse “amor sombrio” se manifesta quando o adulto, em vez de oferecer segurança, projeta frustrações e feridas emocionais sobre a criança.

Como apontava Donald Winnicott (1975), a infância precisa de um “ambiente suficientemente bom” para crescer saudável. Quando esse ambiente falha, abre-se espaço para negligência, abuso e formas sutis de violência, muitas vezes justificadas como cuidado.


A criança em vulnerabilidade


A vulnerabilidade infantil pode estar ligada a fatores sociais (pobreza, violência, abandono), familiares (abuso físico, sexual ou emocional) ou psicológicos (pais com transtornos mentais, dependência química, ausência de suporte afetivo).

É nesse terreno que o amor sombrio ganha corpo em frases como:


“Bato porque amo.”

“É para o seu bem.”

“Você me deve obediência porque sou seu pai/mãe.”


Nesses discursos, a criança aprende a confundir dor com afeto, submissão com vínculo e violência com cuidado.


Consequências psicológicas


O impacto desse tipo de vivência é profundo. Pesquisas de Bowlby (1988) e Fonagy (2002) demonstram que padrões de apego moldam a maneira como os indivíduos se relacionam no futuro. Quando o amor é sombrio, os efeitos são duradouros:

Ambivalência afetiva: a criança associa amor com dor.

Baixa autoestima: cresce acreditando não ser digna de cuidado.

Dificuldade em confiar: adota defesas que dificultam vínculos genuínos.

Reprodução do ciclo: pode repetir relações abusivas na vida adulta.


Caminhos de ressignificação


A clínica psicológica tem papel essencial na ressignificação dessas experiências. O processo terapêutico oferece um espaço seguro para que a criança — ou o adulto que carrega a criança ferida dentro de si — reconstrua sua capacidade de confiar e acreditar que o amor pode ser fonte de vida.

Entre as intervenções possíveis, destacam-se:

Psicoterapia individual: elaboração da dor e construção de novas narrativas.

Terapia familiar: revisão das dinâmicas de poder e afeto.

Apoio social: fortalecimento de políticas públicas de proteção à infância.


Mais do que tratar sintomas, trata-se de devolver dignidade, esperança e a possibilidade de experimentar o amor em sua forma saudável.


Este artigo traz à tona de maneira visceral e aborda: o “amor sombrio” — esse afeto distorcido que se esconde atrás da palavra família, do discurso do cuidado, e até mesmo das instituições criadas para proteger.


O impacto da frase “este já era o lar adotivo” carrega um duplo choque:


1. Mostra como a violência pode estar presente não apenas nas famílias de origem, mas também em ambientes que deveriam ser refúgio.


2. Expõe a ingenuidade comum (e até cruel) de quem nunca viveu essa realidade — imaginar que havia uma saída simples, quando, na verdade, para a criança vulnerável, todas as portas parecem trancadas.


Conclusão


O amor sombrio é uma das formas mais cruéis de violência porque se disfarça de cuidado. Reconhecer seus sinais, dar voz às vítimas e oferecer alternativas de proteção é tarefa urgente para famílias, profissionais e sociedade.

A criança em vulnerabilidade não precisa apenas sobreviver — ela tem direito de ser amada de forma verdadeira, segura e libertadora.


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Bibliografia


Bowlby, J. (1988). Apego e perda: Vol. 1. Apego. São Paulo: Martins Fontes.

Fonagy, P. (2002). Apego e funções reflexivas: Desenvolvimento e psicopatologia. Porto Alegre: Artmed.

Winnicott, D. W. (1975). O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artes Médicas.

Bourdieu, P. (1999). A miséria do mundo. Petrópolis: Vozes.

Rizzini, I., & Pilotti, F. (2011). A arte de governar crianças: A história das políticas sociais, da legislação e da assistência à infância no Brasil. São Paulo: Cortez.

Minayo, M. C. S. (2006). Violência e saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Dia Mundial da Saúde Mental e de Prevenção ao Suicídio

 


Dia Mundial da Saúde Mental e de Prevenção ao Suicídio


“Não entregues tua alma à tristeza” (Eclesiástico 30:21-23)


“Não entregues tua alma à tristeza, nem atormentes a ti mesmo em teus pensamentos.

A alegria do coração é vida para o homem, e a felicidade do homem prolonga os seus dias.

Ama tua alma e consola o teu coração, afasta a tristeza para longe de ti, porque a tristeza matou a muitos, e nela não há proveito algum.”

— Eclesiástico 30:21-23

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Hoje, 10 de setembro, o mundo se une em um só propósito: refletir sobre a saúde mental e lutar contra o suicídio. É um dia de conscientização, mas, acima de tudo, um convite à esperança.

As palavras antigas do livro do Eclesiástico ecoam como um conselho eterno: não entregue sua alma à tristeza. Isso não significa ignorar a dor ou fingir que ela não existe, mas lembrar que a vida não se resume às feridas que carregamos. A tristeza prolongada pode se tornar uma prisão, mas a fé, o cuidado com a mente e o apoio de quem nos ama podem abrir portas de libertação.

Neste tempo em que tantas pessoas enfrentam depressão, ansiedade e o peso de existências fragmentadas, precisamos resgatar a importância do cuidado integral: corpo, mente e espírito. A Bíblia nos lembra que a alegria do coração é vida, mas não uma alegria superficial — trata-se de um estado construído no amor, no acolhimento e na busca por sentido.

O suicídio, infelizmente, é um grito de silêncio. Um pedido de alívio diante de uma dor que a pessoa sente não poder suportar. É por isso que este dia nos chama à responsabilidade:


Escutar mais do que julgar.


Acolher em vez de condenar.


Cuidar em vez de virar o rosto.


A fé pode ser um refúgio, mas também precisamos da coragem de buscar ajuda profissional. Psicólogos, psiquiatras, terapeutas e grupos de apoio são instrumentos de Deus para nossa cura.

E se você, que lê estas palavras, está em luta contra pensamentos de morte, lembre-se: sua vida tem valor imenso. Mesmo que agora a dor pareça insuportável, há sempre uma fresta de luz — e ela pode começar no simples gesto de pedir ajuda.

No dia mundial da saúde mental, a mensagem é clara:

👉 Sua vida importa. Sua dor não define quem você é. Sua história ainda pode florescer.

Que possamos, como comunidade, como Igreja, como sociedade, ser respostas vivas a este chamado. Que nossas mãos estejam estendidas, nossas palavras sejam de consolo e nossos corações dispostos a caminhar lado a lado.


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✨ #DiaMundialDaSaúdeMental #SetembroAmarelo #PrevençãoAoSuicídio #Eclesiástico302123 #Esperança #FéQueCura #CuidarÉAmar


terça-feira, 9 de setembro de 2025

Dicas para homens e mulheres ...


Dicas para homens e mulheres ...

1. Você NÃO deve terminar todas as tarefas da casa em um dia. Os que fazem isso ficam estressados e alguns já estão enterrados. As tarefas são DA CASA, não sua e todos devem ajudar, inclusive crianças a partir de 2 anos. Ensine...
2. TIRE TEMPO PARA DESCANSAR, não é imoral sentar-se, colocar as pernas em cima da mesa e comer algo que você gosta, mexer no celular, fofocar, sim conversar alivia as intemperanças.
3. DURMA quando puder, ou se necessário, vai perceber que a dor de cabeça desaparece, as ideias se renovam. Aqueles que se recusam a tirar férias, ir embora, tirar tempo livre ou tempo de descanso, suas famílias vão sentir saudades porque se vão prematuramente para aquela tal viagem sem retorno.
4. TENTE PARAR de tomar sedativos para dormir, você está destruindo seu cérebro e seus órgãos. Evite a medicação agressiva. Esse excesso de remédios para dormir fará que em algum momento comece a esquecer as coisas. Relaxe o cérebro, se preocupe menos, saia pra caminhar, ria, sorria mais, tudo passará com o tempo. Faça seu tempo...
5. SINTA- SE em algumas ocasiões, fora de sua casa em silêncio, sozinho; não diga nada, respire ar fresco com calma, agradeça por tudo, não se apresse. Medite, respire, abrace a si mesmo...
6. FIQUE em frente ao seu espelho, sorria para si, veja sua beleza interior e exterior, seu conhecimento e sabedoria, isso acende uma aura positiva ao seu redor, para que você possa brilhar com luz própria. Valorize-se...
7. VÁ , saia, vá ao parque, ao cinema, dar uma volta na rua, fazer um lanche, vá cortar ou pintar os cabelos...Faça algo para é por você...
8. OBTENHA se possível os eletrodomésticos necessários para facilitar o seu trabalho e evitar o estresse, pois ele é o maior assassino silencioso que existe.
9. DIGA quando não estiver se sentindo bem, faça algo sobre isso, vá para o centro de saúde, hospital ou chame algum médico próximo, não se sente na poltrona a esperar que alguém compre medicamentos para você, eles podem voltar tarde e sua vida importa, lute por si, deixe de seguir lemas absurdos de pessoas mal amadas.
10. CONTROLE SUA PRESSÃO E NÍVEL DE AÇÚCAR OCASIONALMENTE, quer você esteja doente ou não. Fazer isso salvou muitas vidas no passado.
Confie nestas boas dicas que eu lhe dou e dê o valor que você merece, ame-se e cuide-se, você é uma grande pessoa e não esqueça que você é... Instrumento precioso para DEUS. E por último e, não menos importante
11. AFASTE- SE de relacionamentos tóxicos (leia-se amores e amizades) e também de pessoas que só te criticam, não reconhecem suas conquistas, só te procuram para falar de problemas ou quando precisam de algo. Nestes casos, não tenha medo de dizer NÃO.


Quanto de você está naquilo que odeia no outro?




Quanto de você está naquilo que odeia no outro? 

Psicoarteterapeuta e Psicanalista Abilio Machado

Há situações raras, mas que ocorrem com frequência, como estar entre os nossos e por algum motivo, um atrito resulta em inúmeras acusações. Somos confrontados e pressionados, não gostamos de tal situação e este incômodo nos conduz às trevas, que se manifestam pela raiva, mágoa, tristeza e frustração. A pergunta que não fazemos: O que existe de verdade nisso? Todas as vezes que deixamos de viver a nossa verdade em razão de conceitos alheios significa que o preconceito é nosso e não dos outros. O preconceito nada mais é do que o medo de encarar a verdade diante de si e do mundo. O medo será sempre uma fonte de sofrimento. A coragem é parte essencial da cura; cabendo o restante à verdade. Saber exatamente quem somos, sem subterfúgios, é o passo inicial para a jornada rumo à libertação e a paz.
É preciso sensibilidade, sutileza e amor para quando abordamos a verdade do outro, pois nem sempre ele estará pronto para o confronto. Pode não ser o melhor momento ou talvez não sejamos os melhores mensageiros. Que nunca falte paciência e compaixão. No entanto, quando se trata da verdade sobre a nossa própria vida, ela é simples, sim. Apenas precisa de amor e coragem para ser tratada, o que nem sempre é fácil. É impressionante como abdicamos do poder que temos.
Ser forte é uma escolha que fazemos todos os dias. A coragem, como todas as demais virtudes, está ao lado, está à frente, está à disposição de todos. Ela está dentro de cada um, adormecida, à espera de um leve chamado para despertar e se tornar companheira. A todo momento temos a escolha de enfrentar ou fugir das dificuldades. Não há como fugir das dificuldades, uma vez que elas são as lições que nos cabem. Na realidade, apenas adiamos a batalha até o dia em que ela nos alcança. Podemos sim adiar a luta até o último instante. O problema é que nesse caso prolongamos o sofrimento. Coragem, não se perca de si mesmo e tenha fé no seu caminho. Todos os dias busque saber quem ainda você não é...

Paz profunda
Abilio Machado

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A Linha da Vida como recurso terapêutico para adolescentes em vulnerabilidade — e além

 


A Linha da Vida como recurso terapêutico para adolescentes em vulnerabilidade — e além

A violência contra adolescentes em situação de vulnerabilidade é um grave problema de saúde pública. Suas consequências vão muito além do momento da agressão: deixam marcas físicas, emocionais e psicológicas que afetam o desenvolvimento e o bem-estar desses jovens.

Na psicoterapia, compreender esse impacto exige sensibilidade. Cada adolescente traz uma história singular, na qual os traumas se entrelaçam com outros desafios da vida. É por isso que o trabalho terapêutico precisa respeitar não apenas os fatos vividos, mas também o significado que cada jovem atribui às suas experiências.

O desafio do TEPT na adolescência

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma resposta comum a situações de violência. Entre os sintomas, estão lembranças intrusivas, pesadelos, hipervigilância e evitação de situações que remetam ao trauma. Em adolescentes, isso pode prejudicar o desempenho escolar, a convivência familiar e até a construção da identidade.

Estudos mostram que, quando há múltiplos episódios traumáticos, os tratamentos tradicionais para TEPT muitas vezes não são suficientes. É nesse cenário que a psicologia busca recursos inovadores para favorecer o processo de cura.

A técnica da Linha da Vida

A Linha da Vida é uma dessas ferramentas. Nela, o adolescente é convidado a construir uma representação de sua trajetória, marcando eventos significativos, sobretudo os dolorosos. Essa linha narrativa não é apenas uma recordação dos fatos: é uma oportunidade de reorganizar memórias, perceber padrões e compreender como a violência se repetiu em diferentes momentos da vida.

O processo cria um distanciamento saudável, permitindo que o jovem observe sua história de forma mais clara e encontre novos significados para experiências que antes eram apenas fonte de sofrimento.

Resultados promissores

Pesquisas mostram que a Linha da Vida pode ajudar adolescentes em vulnerabilidade a:

  • Identificar diferentes formas de violência sofridas ao longo da vida;

  • Reconhecer padrões de risco, prevenindo situações de revitimização;

  • Ressignificar memórias dolorosas, transformando a relação com o passado;

  • Fortalecer a regulação emocional, diante de lembranças traumáticas ou situações adversas.

Integrada a protocolos de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), em conjunto com exercícios de regulação emocional, a técnica tem se mostrado eficaz em contextos de traumas recorrentes.

Aplicações para outros transtornos e fobias

Embora tenha sido estudada principalmente em situações de violência, a Linha da Vida pode ser útil também em outros contextos. Entre eles:

  • Fobias específicas: ao organizar a história, o paciente pode reconhecer quando e como o medo se consolidou, facilitando o trabalho de exposição gradual.

  • Transtorno de ansiedade generalizada (TAG): ajuda a identificar momentos em que a ansiedade foi mais intensa, permitindo observar gatilhos e padrões de pensamento.

  • Transtorno depressivo: ao revisitar a linha do tempo, o adolescente pode compreender ciclos de tristeza e desesperança, abrindo espaço para construir narrativas de superação.

  • Transtornos relacionados à perda e ao luto: a técnica contribui para integrar lembranças dolorosas em uma narrativa mais ampla de vida, suavizando o peso da ausência.

Em todos esses casos, a Linha da Vida atua como um mapa: uma ferramenta que ajuda o paciente a visualizar sua história de forma organizada, encontrar conexões e, principalmente, abrir espaço para novas perspectivas.

Reflexão final

Trabalhar com adolescentes em vulnerabilidade é lidar com vidas que carregam dores, mas também possibilidades de transformação. A Linha da Vida se mostra uma técnica capaz de oferecer não apenas clareza, mas também esperança.

Ao dar voz e forma às memórias, o jovem deixa de ser apenas espectador de sua dor e passa a ser autor de uma narrativa que pode ser ressignificada. E esse é um passo essencial não só para o tratamento do TEPT, mas também para o enfrentamento de outros transtornos que limitam a vida e o crescimento saudável.

O exercício: 

Linha da Vida envolve traçar uma linha horizontal num papel, marcar datas de nascimento e outros eventos significativos da sua vida, como o nascimento de filhos ou mudanças de casa, usando cores para diferentes tipos de acontecimentos (eventos, pontos de inflexão). O objetivo é refletir sobre esses momentos, analisando os impactos positivos e negativos, e compreender como eles moldaram quem você é hoje para planejar o futuro. 

Passos para criar a sua Linha da Vida:

  1. 1. Prepare o material:

    Pegue uma folha de papel (ou coloque papéis no chão para uma versão dinâmica) e um conjunto de cores. 

  2. 2. Marque o seu nascimento:

    No lado esquerdo do papel, escreva a sua data de nascimento. 

  3. 3. Desenhe os anos:

    Continue a linha para a direita, marcando todos os anos que se passaram desde o seu nascimento até o momento atual. 

  4. 4. Identifique os acontecimentos:

    Ao longo da linha, identifique e anote os eventos mais importantes da sua vida. Use a sua criatividade para marcar: 

    • Eventos gerais: Anote acontecimentos como o nascimento de irmãos ou filhos, casamento, início ou fim de estudos, mortes de pessoas queridas, mudanças de casa, etc. 

    • Pontos de inflexão (cor vermelha): Destaque os momentos que te tornaram mais forte, que foram cruciais para a sua fase de vida ou que representaram uma crise superada. 

    • Cortes ou traumas (outra cor): Marque as situações difíceis, traumatizantes ou que representaram um "antes e depois" definitivo na sua vida. 

  5. 5. Reflita sobre as conexões:

    Preste atenção às ligações entre os eventos e anote como eles afetaram você, suas emoções e a pessoa que você se tornou. 

  6. 6. Analise a sua linha:

    No final, observe a sua linha da vida para entender os padrões, os desafios e as conquistas. Essa reflexão ajuda a compreender o seu passado e a planejar o futuro. 


imagem: Gerd Altmann-Pixabay

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Cirurgia bariátrica por dentro: técnicas, escolhas e o cuidado psicológico que sustenta resultados - Parte II.



 Cirurgia bariátrica por dentro: técnicas, escolhas e o cuidado psicológico que sustenta resultados

Por Abilio Machado  - Psicanalista e Psicoarteterapeuta 

A seguir, um guia direto e completo sobre os tipos de cirurgia bariátrica e os cuidados psicológicos que fazem toda a diferença antes e depois do procedimento — com referências recentes e confiáveis ao final.


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1) As principais técnicas — como funcionam, para quem são e pontos de atenção


a) Gastrectomia vertical (“sleeve”)


O que é: remoção de ~70–80% do estômago, formando um “tubo” que reduz fome e capacidade.


Vantagens: técnica única (sem desvios intestinais), ampla experiência, boa perda de peso e controle metabólico.


Cuidados: pode piorar/induzir refluxo em parte dos pacientes; requer suplementação e seguimento.


Evidência: é uma das duas técnicas com recomendação mais forte nas diretrizes internacionais (ASMBS/IFSO 2022) e também entre as mais indicadas no Brasil pelo CFM em 2025. 



b) Bypass gástrico em Y de Roux (RYGB)


O que é: cria-se um pequeno “bolso” gástrico e desvia-se parte do intestino, combinando restrição e leve má-absorção.


Vantagens: excelente para diabetes tipo 2 e para refluxo refratário à sleeve.


Cuidados: maior risco de deficiências nutricionais e maior risco de problemas com álcool no longo prazo em comparação à sleeve. 



c) Duodenal switch clássico (BPD-DS) e SADI-S


O que são: combinam sleeve com desvio intestinal mais longo, aumentando o efeito metabólico.


Vantagens: maior perda de peso e efeito sobre DM2 em casos muito graves, inclusive revisões após falha de outras técnicas.


Cuidados: alto risco de deficiência de vitaminas e proteínas; exigem equipe experiente e adesão rígida à suplementação. Evidência recente aponta eficácia do SADI-S, inclusive em estudos de 2024–2025. 



d) Bypass gástrico de uma anastomose (OAGB/MGB)


O que é: variação com uma única anastomose, efetiva e usada também como revisional.


Cuidados: risco de refluxo biliar em alguns pacientes; seleção criteriosa é essencial. 



e) Banda gástrica ajustável


O que é: anel de silicone regulável ao redor do estômago.


Situação atual: caiu muito em popularidade por menor eficácia e maior taxa de reoperações; hoje é rara como primária. (As diretrizes ASMBS/IFSO e a atualização do CFM refletem essa tendência ao priorizar sleeve e bypass.) 



Quem pode operar?


As indicações clássicas foram ampliadas em 2022 (ASMBS/IFSO) e, no Brasil, o CFM atualizou em 20/maio/2025 os critérios para adultos e adolescentes a partir de 16 anos, com ampliação da elegibilidade em casos de IMC 30–34,9 com doença metabólica associada sob critérios específicos. Procure sempre checar a resolução CFM nº 2.429/2025 para detalhes. 


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2) Resultados e riscos que devem entrar na decisão


Perda de peso e diabetes: sleeve e RYGB têm forte evidência de perda ponderal sustentada e remissão/controle de DM2; técnicas malabsortivas (BPD-DS/SADI-S) tendem a maior potência — ao custo de mais deficiências nutricionais. 


Álcool e saúde mental: após o RYGB o risco de transtorno por uso de álcool e internações relacionadas ao álcool é maior do que após sleeve; o risco de tentativas de suicídio é discretamente mais alto em operados do que em controles com obesidade — exigindo rastreamento e seguimento psicológico estruturados. 



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3) O cuidado psicológico — o que não pode faltar (antes e depois)


a) Avaliação pré-operatória estruturada


As diretrizes recomendam uma avaliação psicossocial padronizada antes da cirurgia (história psiquiátrica, uso de substâncias, padrões alimentares, compreensão do procedimento, rede de apoio, expectativas). Ferramentas comuns: PHQ-9 (depressão), GAD-7 (ansiedade), AUDIT-C (álcool), EDE-Q/BES (transtornos alimentares). Sinais que não contraindicam automaticamente, mas pedem plano de manejo: TDAH, ansiedade/depressão estáveis, TEPT, histórico de trauma; já psicose não controlada, uso ativo de substâncias ou transtornos alimentares graves sem tratamento costumam adiar a cirurgia até estabilização. 


Objetivos dessa etapa


Alinhar expectativas (cirurgia = ferramenta, não “cura mágica”).


Mapear riscos psicossociais (isolamento, baixa adesão, “transferência de dependência”).


Construir um plano de suporte (família/grupo de pares + equipe multiprofissional). 



b) Intervenções psicológicas baseadas em evidências


TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental): foco em reestruturação de pensamentos, planejamento de refeições, manejo de gatilhos e prevenção de recaídas.


ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) e Entrevista Motivacional: ajudam na aderência e no desconforto com mudanças de estilo de vida.


Tratamento dos transtornos alimentares (compulsão, “loss-of-control eating”, picadas contínuas): combinação de TCC + nutrição comportamental; avaliar medicações quando indicado. A literatura aponta que transtornos alimentares podem persistir ou emergir no pós-operatório se não tratados ativamente. 



c) Monitoramento de longo prazo (min. 2–5 anos, idealmente contínuo)


Álcool e outras substâncias: educar que o álcool “bate” mais rápido (especialmente após RYGB) e o risco aumenta após 2 anos; rastrear com AUDIT-C em todas as consultas. 


Humor, ansiedade e suicidabilidade: reavaliar com escalas padronizadas; fortalecer rede de apoio e acesso rápido à psicoterapia. 


Comportamento alimentar: reforçar habilidades de TCC/ACT, grupos de suporte e acompanhamento nutricional para evitar “graze eating” e reganho. 



d) Educação prática que reduz recaída


Regra das “4 colunas”: (1) consultas regulares; (2) suplementos e exames; (3) plano alimentar com proteína prioritária e metas de hidratação; (4) higiene do sono/estresse + movimento diário.


Contrato de segurança para álcool (especialmente após RYGB): metas de abstinência ou limite baixo, plano escrito para festas/feriados, quem acionar se houver deslize. 


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4) Como escolher a técnica com sua equipe


1. Quadro clínico (DM2, refluxo, hérnia hiatal, doença hepática, osteoarticulares).

2. Perfil psicológico e de adesão (disponibilidade para suplementação vitalícia, risco de álcool, suporte familiar).

3. Evidência e normas vigentes (ASMBS/IFSO 2022; CFM 2.429/2025 no Brasil, incluindo regras para adolescentes ≥16 anos).

4. Experiência do centro cirúrgico com a técnica proposta. 


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Referências (seleção comentada)


1. ASMBS/IFSO 2022 — Indicações para cirurgia metabólica e bariátrica. Atualizou critérios e consolidou evidências de eficácia/segurança; base para decisões globais. 


2. CFM nº 2.429/2025 (Brasil). Amplia elegibilidade (inclui IMC 30–34,9 com critérios) e autoriza a partir dos 16 anos sob protocolo. 


3. JAMA Surgery 2023 — álcool após bariátrica. RYGB associado a mais hospitalizações relacionadas ao álcool do que sleeve/banda. 


4. Umbrella review 2023 — saúde mental. Sinaliza maior risco relativo de suicídio em operados vs. cuidado usual, exigindo vigilância. 


5. Diretriz de avaliação psicossocial (Sogg et al., 2016) + materiais educacionais ASMBS. Estruturam o que avaliar e como acompanhar no pré/pós. 


6. SADI-S/BPD-DS — evidência recente. Apontam alta eficácia com maior necessidade de suplementação e seguimento intensivo. 



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Bibliografia 


EISENBERG, D. et al. 2022 American Society for Metabolic and Bariatric Surgery (ASMBS) and IFSO Indications for Metabolic and Bariatric Surgery. Surg Obes Relat Dis., 2022. Disponível em: ASMBS/IFSO. 


CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.429/2025. Brasília, 2025. Disponível em: Portal CFM. 


CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. CFM atualiza regras para realização de cirurgia bariátrica e metabólica. Nota oficial, 20 mai. 2025. 


MAHMUD, N. et al. Association Between Bariatric Surgery and Alcohol Use–Related Hospitalizations. JAMA Surgery, 2023. 


LAW, S. et al. Bariatric surgery and mental health outcomes: an umbrella review. Transl Psychiatry, 2023. 


SOGG, S.; LAURETTI, J.; WEST-SMITH, L. Recommendations for the presurgical psychosocial evaluation of bariatric surgery patients. Surg Obes Relat Dis., 2016. (Documento público de sociedades; material complementar ASMBS). 


HAIDER, M. I. et al. Outcomes of Single Anastomosis Duodeno-Ileal Bypass with Sleeve Gastrectomy (SADI-S). Cureus, 2024. 


ROBERT, M. et al. Efficacy and safety of SADI-S. The Lancet, 2025 (on-line first). 


“Cirurgia Bariátrica: Transformação de Vida com Responsabilidade — Benefícios, Riscos e Evidências Científicas - parte I”

 



“Cirurgia Bariátrica: Transformação de Vida com Responsabilidade — Benefícios, Riscos e Evidências Científicas”


Por Abilio Machado - Psicanalista e Psicoarteterapeuta ICH

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1. Introdução


A obesidade grave é reconhecida como uma epidemia global com consequências sérias para a saúde, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, alterações hepáticas e câncer . A cirurgia bariátrica tem se destacado como o tratamento mais eficaz para a perda de peso sustentável e a melhoria de doenças associadas .

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2. Benefícios Clínicos


2.1 Perda de peso duradoura


Após a cirurgia, a maioria dos pacientes consegue perder mais de 50 % do excesso de peso . Estudos apontam que procedimentos como bypass gástrico podem reduzir de 65 a 80 % do excesso de peso, enquanto a sleeve gastrectomy reduz cerca de 58 % . Uma meta-análise com até 5 anos de seguimento mostrou perda de IMC de 12 a 17 pontos .


2.2 Remissão de comorbidades metabólicas


Diabetes tipo 2: taxas de remissão chegam a 73 % em seguimento médio de 5 anos ; outros estudos relatam entre 85–90 % de resolução .


Hipertensão e dislipidemias: melhorias em 63 % (hipertensão) e 65 % (dislipidemia) dos pacientes .


Benefícios cardiovasculares: redução de infarto, AVC e mortalidade; risco de morte cardiovascular quase pela metade e eventos cardiovasculares em até um terço a menos .


2.3 Redução de mortalidade e outros impactos


Uma meta-análise recente indica diminuição de 59 % e 30 % na mortalidade geral em obesos com e sem diabetes, respectivamente. Além disso, ganho de expectativa de vida de até 9 anos .


Risco de câncer reduzido em aproximadamente 32 % a 44 % e mortalidade por câncer em até 48 % .



2.4 Outros benefícios múltiplos


A cirurgia também traz benefícios comprovados para infertilidade, síndrome dos ovários policísticos, incontinência urinária, refluxo e saúde mental .


Um estudo com adolescentes acompanhados por 10 anos mostrou redução média de IMC em 20 % e remissão de diabetes tipo 2 em 57 % dos casos .


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3. Riscos e Complicações


3.1 Mortalidade cirúrgica


As taxas de mortalidade perioperatória são baixas: entre 0,03 % e 0,2 % ; outras estimativas indicam 0,08 % em 30 dias, e 0,31 % após esse período .



3.2 Complicações


Complicações gerais: taxa de complicação geral em até 17 % e reoperação em cerca de 7 % dos casos .


Complicações gastrointestinais: risco aumentado (ex: úlceras 4,7 %, deficiências de ferro 14 %, incisões ou vazamentos) .


Procedimento específico – sleeve gastrique: vazamento (~0,5 %), infecção de ferida (10–15 %), estenoses, refluxo, deficiência de vitamina B12, queda óssea, entre outros .


Duodenal switch (biliopancreatic diversion): risco de má nutrição e deficiências de vitaminas e minerais .



3.3 Efeitos a longo prazo


Aumento do risco de fraturas, distúrbios mentais (suicídio, automutilação), distúrbios alimentares, abuso de álcool e alterações obstétricas adversas como anemia, parto prematuro .


Alguns estudos reportam inconsistências nos benefícios da pressão arterial .



3.4 Preparação e abordagem multidisciplinar


Segundo relatos brasileiros, os riscos vêm caindo significativamente graças ao avanço técnico e à abordagem multidisciplinar que inclui psicólogo, nutricionista e acompanhamento contínuo .



3.5 Experiências de pacientes (site Reddit)


Alguns depoimentos ressaltam que a cirurgia não é um “caminho fácil”, exige responsabilidade pós-operatória intensa e pode trazer dificuldades emocionais e funcionais importantes:


> “Dependendo do quanto você pisar na bola, você pode morrer”

“Pós bariátrica é um caminho difícil e sem retorno. E no fim, todos voltam a ganhar peso.” 


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4. Considerações para Tomada de Decisão


A decisão deve ser compartilhada (shared decision-making), com avaliação individualizada baseada em dados clínicos, perfil de comorbidades, suporte psicossocial, expectativas e risco cirúrgico . Procedimentos mais malabsorptivos trazem maior eficácia mas também maior risco, enquanto os mais restritivos refletem menor risco, porém resultados de peso mais modestos .


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5. Conclusão


A cirurgia bariátrica representa uma ferramenta poderosa e transformadora no combate à obesidade grave e suas comorbidades, com evidências robustas de benefícios como perda de peso sustentável, remissão de doenças metabólicas, redução da mortalidade e melhoria da qualidade de vida. Contudo, exige preparo cuidadoso, acompanhamento multidisciplinar e compreensão dos riscos, incluindo complicações cirúrgicas e efeitos psicológicos a longo prazo.




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Referências Bibliográficas


1. Arterburn DE, Telem DA, Kushner RF, Courcoulas AP. Benefits and Risks of Bariatric Surgery in Adults: A Review. JAMA. 2020 



2. Brethauer SA, Chand B, Schauer PR. Risks and Benefits of Bariatric Surgery: Current Evidence. Clev Clin J Med. 2006 



3. Sjöström L. Long-term effects of bariatric surgery on hypertension, diabetes, cardiovascular events, cancer and mortality: the SOS study. PMCID articles 



4. PubMed meta-analysis: Outcomes and Adverse Events After Bariatric Surgery (2013–2023) 



5. Global umbrella review: Bariatric surgery and health outcomes 



6. Sleeve gastrectomy complications, Wikipedia 



7. Gastric bypass benefits and outcomes, Wikipedia 



8. Cardiovascular effects review, Nat Rev Cardiol 



9. MASLD improvements after bariatric surgery, Wikipedia 



10. Verywell Health – Gastric Sleeve vs Bypass 



11. New England J Medicine: adolescent bariatric outcomes 



12. Time.com: Bariatric surgery for T2D remission 



13. Time.com: Drop in cancer risk post-surgery 



14. CNN Brasil: redução de riscos e abordagem multidisciplinar 



15. Reddit depoimentos sobre pós-operatório 




O dilema do Bonde.

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