quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sócrates sobre a amizade: “Um amigo deve ser como o dinheiro; antes de precisar dele, você precisa saber o seu valor.”

 




Sócrates sobre a amizade:

 “Um amigo deve ser como o dinheiro; antes de precisar dele, você precisa saber o seu valor.”


Sócrates sobre a amizade: “Um amigo deve ser como o dinheiro; antes de precisar dele, você precisa saber o seu valor.”


O filósofo grego direcionava seus questionamentos para as virtudes morais que sustentavam a convivência social na Grécia Antiga.


Muitas pessoas sofrem com decepções profundas porque investem sentimentos em relações superficiais sem compreender a real natureza dos seus vínculos. Compreender a lógica do filósofo exige analisar como o valor da amizade se estabelece na alma humana antes das dificuldades surgirem.


Como Sócrates enxergava as relações humanas?


O filósofo grego direcionava seus questionamentos para as virtudes morais que sustentavam a convivência social na Grécia Antiga. Ele defendia que os indivíduos deveriam buscar a sabedoria de forma conjunta através do diálogo honesto e reflexivo. Desse modo, o valor da amizade não residia na utilidade momentânea, mas na busca mútua pela evolução espiritual e intelectual.


A maioria das conexões mundanas costuma desmoronar diante do primeiro sinal de escassez material ou crise emocional. O pensador criticava duramente as uniões baseadas em interesses egoístas e vaidades passageiras do cotidiano. Por isso, a verdadeira parceria exige um exame racional prévio sobre o caráter do companheiro escolhido.


Por que devemos avaliar os vínculos antes da necessidade?


Testar a lealdade de um companheiro nos momentos de desespero representa um erro estratégico que gera sofrimento evitável. O indivíduo prudente analisa as atitudes cotidianas para identificar quem realmente possui nobreza nas ações diárias. Assim, estabelecer o valor da amizade na calmaria garante proteção psicológica durante as inevitáveis tempestades da vida.


A analogia com a moeda revela a importância de reconhecer a autenticidade dos afetos antes de realizar qualquer troca emocional profunda. Companheiros falsificados perdem o poder de sustentação quando o destino exige sacrifícios reais de ambas as partes. O autoexame contínuo ajuda a separar os bajuladores oportunistas dos aliados legítimos que enriquecem nossa existência.



Como a filosofia clássica nos ensina a cultivar conexões reais?


A sabedoria antiga fornece diretrizes claras para pavimentar o caminho das relações duradouras baseadas na virtude ética. Os discípulos do pensamento socrático aplicavam critérios rigorosos de convivência para proteger a integridade do grupo. O aprendizado histórico detalha os pilares necessários para a construção de laços afetivos inabaláveis:


Praticar a honestidade brutal nos diálogos diários sobre falhas humanas.


Buscar o crescimento intelectual compartilhado através de debates enriquecedores.


Demonstrar apoio silencioso sem esperar recompensas financeiras ou elogios públicos.


Manter a consistência moral mesmo diante das pressões externas da sociedade.


Essas práticas antigas blindam o indivíduo contra o isolamento existencial provocado pela superficialidade moderna das redes atuais. O compromisso com a verdade fortalece as estruturas internas que mantêm os seres humanos unidos nos cenários complexos. Alcançar essa maturidade social exige tempo, paciência e desapego das aparências ilusórias.




Qual o impacto de reconhecer o valor da amizade na atualidade?


A sociedade contemporânea transformou os relacionamentos em mercadorias descartáveis de consumo rápido e satisfação imediata. Resgatar a visão socrática devolve o peso ideal aos compromissos que assumimos com o outro no cotidiano. O entendimento profundo sobre o valor da amizade protege nossa saúde mental contra o vazio das interações virtuais

terça-feira, 16 de junho de 2026

O que não chama atenção costuma ser o que sustenta tudo!

 


A maior parte das coisas que realmente transformam a nossa vida quase nunca faz barulho.


Ninguém costuma aplaudir a disciplina de quem acorda cedo todos os dias. Pouca gente percebe o esforço silencioso de quem continua tentando depois de várias decepções. Quase ninguém enxerga as horas de dedicação, os sacrifícios, os aprendizados e as escolhas corretas feitas longe dos holofotes.


Vivemos em uma época que valoriza muito aquilo que aparece. Os resultados chamam atenção. As conquistas recebem elogios. Os momentos de sucesso ganham destaque. Mas o que sustenta tudo isso normalmente acontece nos bastidores.


Uma casa firme depende de fundamentos que ficam escondidos. Uma árvore forte depende de raízes que ninguém vê. Da mesma forma, relacionamentos duradouros são construídos por pequenos gestos diários, confiança e respeito. A saúde depende de hábitos repetidos. O crescimento pessoal nasce de decisões que parecem insignificantes quando vistas isoladamente. 🌱


O problema é que muitas pessoas abandonam o processo justamente porque ele não gera reconhecimento imediato. Querem resultados visíveis sem investir no que é invisível. Querem colher antes de plantar. Querem estabilidade sem construir bases sólidas.


Com o tempo, porém, a vida revela uma verdade simples: aquilo que parece pequeno e discreto costuma ser exatamente o que mantém tudo de pé. A paciência sustenta os sonhos. A constância sustenta os resultados. A honestidade sustenta a confiança. E os valores sustentam o caráter quando ninguém está olhando.


Por isso, não subestime os detalhes. Não despreze os hábitos simples. Não ignore os pequenos esforços que você faz todos os dias. Muitas vezes, aquilo que ninguém percebe hoje será justamente o motivo das suas conquistas amanhã. ✨


O que realmente importa nem sempre chama atenção. Mas quase sempre é o que faz toda a diferença quando as dificuldades aparecem.

_ Abilio Machado - Psicoarteterapeuta

#VidaComPropósito #Mentalidade #LarDoceLar #BemEstar 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Demência Corporal Lewy - Quando a Mente Acende e Apaga as Luzes

 

Quando a Mente Acende e Apaga as Luzes


Por Abilio Machado – Psicoarteterapeuta


Outro dia ouvi uma familiar dizer algo que me chamou a atenção:


— Doutor, tem dias que minha mãe conversa normalmente, lembra de fatos antigos, ri das histórias da família. No dia seguinte parece outra pessoa. Fica confusa, vê coisas que ninguém vê e não consegue acompanhar uma conversa simples. É como se alguém ficasse acendendo e apagando as luzes da mente dela.


A comparação foi perfeita.


Muitas pessoas conhecem a Doença de Alzheimer, mas poucas ouviram falar da Demência por Corpos de Lewy. E talvez justamente por isso tantas famílias sofram tentando entender o que está acontecendo com quem amam.


Imagine o cérebro como uma grande cidade iluminada. As informações circulam pelas ruas, as lembranças encontram seus caminhos, os pensamentos chegam ao destino certo. Porém, na Demência por Corpos de Lewy, pequenos depósitos anormais de proteínas começam a se acumular dentro das células nervosas, atrapalhando esse funcionamento.


O resultado é uma cidade onde os semáforos falham, as luzes piscam e algumas ruas deixam de funcionar adequadamente.


Diferente do Alzheimer, onde a perda de memória costuma ser o sinal mais evidente, na Demência por Corpos de Lewy a pessoa pode apresentar oscilações impressionantes. Pela manhã parece estar completamente lúcida. À tarde, encontra-se desorientada. No dia seguinte volta a conversar normalmente.


Isso costuma gerar sofrimento para a família.


Muitos pensam:


— Será que ela está fingindo?

— Será que está fazendo drama?

— Será que é psicológico?


Não.


Essas oscilações fazem parte da própria doença.


Outro aspecto que costuma assustar são as alucinações visuais. A pessoa pode enxergar crianças brincando na sala, animais caminhando pela casa ou visitantes que simplesmente não existem.


Para quem observa de fora, aquilo parece absurdo. Para quem está vivendo a experiência, porém, é absolutamente real.


Discutir, corrigir ou confrontar geralmente aumenta a angústia. O acolhimento costuma ser mais útil do que a tentativa de provar que aquilo não existe.


Além disso, podem surgir sintomas parecidos com os da Doença de Parkinson: lentidão nos movimentos, rigidez muscular, dificuldade para caminhar e maior risco de quedas.


O sono também pode se tornar um desafio. Algumas pessoas conversam, gritam, chutam ou gesticulam durante os sonhos, como se estivessem vivendo aquilo que estão sonhando.


O que mais me impressiona nessa condição é que ela nos ensina algo profundamente humano.


A identidade não desaparece de uma vez.


Ela vai ficando escondida atrás de nuvens.


Existem momentos em que a pessoa retorna. Um sorriso conhecido aparece. Uma lembrança surge inesperadamente. Um olhar reconhece alguém amado. Por alguns minutos, a nuvem se abre e o sol reaparece.


É por isso que o cuidado não pode se limitar aos medicamentos.


Quem convive com alguém portador de Demência por Corpos de Lewy precisa aprender uma nova linguagem: a linguagem da paciência, da presença e da compreensão.


Nem sempre será possível corrigir a memória.


Mas quase sempre será possível oferecer segurança.


Nem sempre será possível restaurar as capacidades perdidas.


Mas será possível preservar a dignidade.


Porque quando a mente começa a apagar algumas luzes, o amor precisa aprender a iluminar os caminhos que permanecem.


Um exemplo da doença: 

Meses depois, a autópsia revelou quem foi realmente o responsável. Não a depressão.


"Demência corporal Lewy", explicaram os médicos. "Um dos casos mais graves que já vimos. " »


Ninguém sabia quando ele ainda estava vivo.


Durante décadas, Robin Williams parecia imparável.


De *Mork & Mindy* em 1978 para *The Lost Poets Circle* em 1989, depois *Madame Doubtfire* em 1993, ele havia construído uma carreira única.


A mente dele estava a correr a uma velocidade extraordinária.


Cineastas, parceiros e espectadores viram todos a mesma coisa: um artista cuja imaginação parecia ilimitada.


Espere um minuto, ele estava seguindo o guião.


No momento seguinte ele estava inventando algo ainda melhor.


Mas por trás das risadas, algo estava errado.


Durante os últimos anos de sua vida, Robin começou a sofrer de ansiedade, confusão, problemas de memória e distúrbios graves do sono. Foi difícil entender o que estava acontecendo com ele.


"Estou a perder a cabeça", disse ele à sua esposa, Susan Schneider Williams.


Mais tarde, ela lembrou-se do medo que leu em seus olhos.


Aqueles momentos em que ele parecia incapaz de entender o que estava acontecendo na sua própria mente.


A doença que o estava a devastar era a demência corporal de Lewy, uma condição neurológica devastadora que afeta o movimento, a memória, o humor, o sono e as habilidades de raciocínio.


Seus sintomas muitas vezes se assemelham aos de depressão, doença de Parkinson ou distúrbios de ansiedade.


É por isso que ela é frequentemente mal compreendida.


E às vezes diagnosticado tarde demais.


Em 2014, os danos tornaram-se impossíveis de ignorar.


Durante as filmagens de *A Noite no Museu: O Segredo dos Faraós*, as pessoas ao seu redor notaram mudanças.


As falas dele estavam ficando mais difíceis de lembrar.


Esta capacidade natural de improvisação que definiu toda a sua carreira estava a começar a desaparecer.


Para um homem cujo maior talento assentava na rapidez e brilho da sua inteligência, esta perda foi devastadora.


Susan mais tarde descreveu a doença como "um terrorista no seu cérebro. "


Ela atacou tudo de uma vez.


Os pensamentos dele.


As emoções dela.


A confiança dela nele.


A capacidade dele para trabalhar.


E mesmo assim, ele continuou.


Os amigos dela disseram que o calor humano dela ainda estava lá.


Sua bondade sempre esteve lá.


O desejo dela de se conectar com os outros sempre esteve lá.


Mesmo quando a doença gradualmente tirou mais dele.


Após a sua morte, os médicos finalmente identificaram a extensão total da doença.


Sua família então escolhe falar sobre isso abertamente.


Não para não chamar atenção.


Mas para ajudar os outros a reconhecer os sinais de alerta.


Esta honestidade aumentou a consciência significativa da demência corporal de Lewy e incentivou mais pesquisas sobre a doença.


O que muitos tinham inicialmente percebido como uma história triste acabou por ser algo muito mais complexo.


Era a história de uma doença neurológica séria escondida por trás de um sorriso familiar.


Robin Williams passou a vida a trazer alegria a milhões de pessoas.


Ele fez as pessoas rirem nos seus dias mais difíceis.


Através de todas as fases da sua carreira, ele ofereceu conforto, imaginação e uma humanidade profunda.


E mesmo nos seus últimos anos, enquanto ele lutava uma luta que ninguém realmente entendia, ele continuou a tentar passar aquele presente.


"Nós só te damos um pouco de loucura", disse ele uma vez. "Você nunca deve perdê-la. »


Robin não perdeu essa faísca.


Uma doença tirou-a dela.


E entender essa verdade pode ajudar a salvar outra pessoa.


Abilio Machado

Psicoarteterapeuta


📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923


📷 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado


Referência:


Machado de Lima Filho, Abilio. Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites. Campo Largo: Produção independente, 2026.

terça-feira, 9 de junho de 2026

O jogo da decisão



 Há uma ilusão que aprisiona muitas pessoas: a de que é possível viver sem correr riscos. Por medo de errar, adiamos decisões, evitamos mudanças, permanecemos em relacionamentos desgastados, adiamos sonhos e permanecemos em lugares que já não nos fazem crescer.


Mas a vida não fica em espera enquanto pensamos. O tempo continua avançando. As oportunidades se transformam. As circunstâncias mudam. E aquilo que não decidimos hoje, muitas vezes será decidido amanhã pelas consequências da nossa própria omissão.


Escolher errado pode trazer perdas, frustrações e aprendizados. Faz parte da experiência humana. Porém, permanecer indefinidamente na indecisão costuma cobrar um preço ainda maior: o arrependimento de nunca ter tentado.


No tabuleiro da vida, nem sempre vencem os que fazem os movimentos perfeitos. Muitas vezes avançam aqueles que tiveram coragem de mover uma peça, mesmo sem garantias.


Porque, às vezes, o maior risco não é errar o caminho.


É entregar ao tempo o poder de escolher por você.


Abilio Machado


#psicologia #saudemental #terapia #autoconhecimento #reflexao #desenvolvimentopessoal #inteligenciaemocional #ansiedade #escolhas #vida #motivacao #psiquiatria #psicologo #psiquiatra #crescimentopessoal #pensamentos #reflexoes #bemestar

Nem toda escolha traz alívio...



 Nem toda escolha certa traz alívio. Nem toda escolha errada destrói uma vida. Mas ficar parado entre possibilidades costuma custar mais do que imaginamos.


Muitas pessoas acreditam que o sofrimento está em escolher. Na verdade, frequentemente ele nasce da indecisão. Permanecer por muito tempo entre o "e se der certo?" e o "e se der errado?" pode consumir mais energia emocional do que qualquer caminho escolhido.


A busca pela decisão perfeita costuma ser uma armadilha. A vida raramente oferece garantias. Crescer exige aceitar que toda escolha envolve ganhos e perdas, portas que se abrem e outras que se fecham.


Quem espera ter absoluta certeza para agir acaba transformando o medo em moradia permanente. Enquanto isso, o tempo segue seu curso, as oportunidades mudam de forma e a ansiedade encontra terreno fértil para crescer.


Decidir não é eliminar todos os riscos. É assumir a responsabilidade pela própria trajetória. Mesmo quando erramos, aprendemos, ajustamos a rota e seguimos adiante. Já a paralisia nos mantém presos ao mesmo lugar, imaginando vidas que nunca chegamos a viver.


Às vezes, o peso não está na decisão. Está em nunca decidir.


#psiquiatra #psicologo #psiquiatria #terapia #saudemental #autoconhecimento #psicologia #ansiedade #desenvolvimentopessoal #inteligenciaemocional

domingo, 7 de junho de 2026

Homem masculino vs Homem feminino

 


HOMEM MASCULINO VS HOMEM FEMININO

A provocação destes cards não fala de sexo biológico. Fala de algo muito mais profundo: das energias, características e formas de existir que habitam cada ser humano.



O chamado "homem masculino" costuma ser associado à ação, objetividade, liderança, decisão, conquista e enfrentamento dos desafios. É aquele que olha para um problema e busca imediatamente uma solução. Sua força está na capacidade de agir, construir caminhos e seguir adiante mesmo diante das dificuldades.



Já o "homem feminino" representa a sensibilidade, a empatia, a intuição, a escuta, a reflexão e o acolhimento. É aquele que não busca apenas resolver uma situação, mas compreendê-la. Sua força está na capacidade de sentir, conectar-se consigo mesmo e perceber aquilo que muitas vezes passa despercebido aos olhos.



 O problema surge quando acreditamos que precisamos ser apenas uma dessas versões.

O excesso de masculinidade pode transformar determinação em rigidez, coragem em agressividade e independência em isolamento emocional.



O excesso de feminilidade pode transformar sensibilidade em insegurança, empatia em dependência emocional e reflexão em paralisia diante das escolhas.

A maturidade psicológica acontece quando aprendemos a integrar os dois aspectos.



Precisamos da firmeza para tomar decisões difíceis e da sensibilidade para compreender suas consequências.

Precisamos da coragem para enfrentar o mundo e da delicadeza para cuidar das pessoas.

Precisamos da razão para construir caminhos e da emoção para dar sentido à caminhada.

Talvez a verdadeira força não esteja em escolher entre ser masculino ou feminino. Talvez esteja na capacidade de equilibrar ambos dentro de nós.


Porque o ser humano mais completo não é aquele que vive apenas pela força ou apenas pela sensibilidade. É aquele que aprendeu a transformar ambas em sabedoria.

E você? Em sua vida, qual dessas energias costuma falar mais alto: a que age ou a que sente?

#Psicologia #Autoconhecimento #SaúdeMental #InteligênciaEmocional #DesenvolvimentoHumano #Psicoterapia #Reflexão #EquilíbrioEmocional #Psicanálise #Terapia #LinkedIn #Instagram #AbilioMachado

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Não se Acende Vela para Defunto Ruim

 


Não se Acende Vela para Defunto Ruim


Há ditados populares que atravessam gerações porque carregam mais do que palavras; carregam julgamentos, crenças e, muitas vezes, feridas. Um deles diz: "Não se acende vela para defunto ruim."


A frase parece simples. Em sua essência, sugere que algumas pessoas não merecem homenagem, oração, saudade ou lembrança após a morte. Como se a vida pudesse ser resumida a um veredito final: bom ou ruim.


Mas será que a existência humana cabe em classificações tão definitivas?


A Psicologia do Julgamento


A mente humana gosta de simplificar. É mais fácil colocar alguém na gaveta dos heróis ou dos vilões do que lidar com a complexidade das contradições humanas.


Quando dizemos que alguém foi "ruim", raramente estamos descrevendo toda a pessoa. Estamos descrevendo a dor que ela nos causou, os erros que cometeu ou as marcas que deixou.


A psicologia nos ensina que ninguém nasce pronto. Somos resultado de histórias, traumas, escolhas, influências e circunstâncias. Isso não elimina a responsabilidade pelos atos, mas amplia nossa compreensão sobre eles.


Há pessoas que ferem porque foram feridas. Há quem destrua porque nunca aprendeu a construir. Há quem ame de forma torta porque jamais conheceu outra forma de amor.


Compreender não significa justificar. Significa enxergar além da superfície.


A Perspectiva Teológica


Curiosamente, a Bíblia está cheia de personagens que poderiam ser considerados "defuntos ruins".


Moisés matou um homem.


Davi adulterou e conspirou para a morte de um inocente.


Pedro negou Cristo.


Paulo perseguiu cristãos.


Ainda assim, Deus não os definiu apenas pelos seus piores momentos.


O Evangelho apresenta uma lógica desconcertante: a da graça. Não porque o erro deixe de existir, mas porque a misericórdia se recusa a permitir que o erro seja a última palavra.


Quando Cristo estava na cruz, não morreu pelos perfeitos. Morreu justamente pelos imperfeitos.


Isso deveria nos tornar mais cuidadosos ao decretarmos quem merece ou não uma vela.


A Vela que Ilumina os Vivos


Talvez o verdadeiro propósito da vela nunca tenha sido iluminar os mortos.


Os mortos já encerraram sua caminhada.


Quem precisa de luz somos nós.


Acender uma vela pode simbolizar memória, perdão, reflexão ou oração. Não necessariamente aprovação.


Quando alguém morre, permanece entre os vivos um emaranhado de sentimentos: mágoa, saudade, revolta, gratidão, arrependimento.


A vela, nesse sentido, ilumina os cantos escuros da alma de quem ficou.


Uma Reflexão Necessária


Existe uma diferença entre reconhecer os erros de alguém e apagar completamente sua humanidade.


A justiça exige verdade.


O amor exige misericórdia.


A maturidade exige ambas.


Talvez algumas pessoas tenham vivido de modo tão destrutivo que deixaram pouca coisa para celebrar. Ainda assim, isso não nos transforma em juízes definitivos de seu destino.


Afinal, se Deus decidisse acender velas apenas para os perfeitos, o mundo inteiro permaneceria na escuridão.



---


Lembro-me de um antigo cemitério do interior. Em uma noite de finados, caminhei entre túmulos iluminados por centenas de pequenas chamas. Havia ali santos e pecadores, trabalhadores honestos e pessoas que certamente cometeram erros graves. A luz não perguntava quem merecia brilhar. Apenas iluminava.


Talvez seja essa a maior lição.


Nem toda vela é para quem partiu.


Algumas são para impedir que a escuridão tome conta de quem ficou.


Abilio Machado


Me siga no Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado



terça-feira, 2 de junho de 2026

A Árvore que Pensava Estar Morrendo

 


A Árvore que Pensava Estar Morrendo

A Árvore que Pensava Estar Morrendo


Quem viveu os primórdios da internet certamente se lembra de um dos memes mais curiosos e carinhosamente engraçados da cultura brasileira: "As árveres somos nozes...". A frase, escrita de forma propositalmente errada, arrancava risadas justamente por sua simplicidade. Mas, curiosamente, por trás do humor quase infantil, escondia-se uma verdade profunda.


As árvores somos nós.


Cada um de nós.


Com nossos períodos de sombra e de luz, de crescimento e de aparente estagnação, de flores e de galhos nus.


Há fases da vida em que olhamos para nós mesmos como quem contempla uma árvore no inverno. Os galhos parecem secos, as folhas desapareceram, os frutos já não estão ali e a impressão é de que tudo terminou. Muitas pessoas carregam essa sensação silenciosa: acreditam que perderam algo essencial de si mesmas, que envelheceram emocionalmente, que fracassaram ou que não possuem mais forças para florescer.


Mas a natureza nos ensina uma verdade que frequentemente esquecemos: a mesma árvore que parece morta em uma estação é aquela que, algum tempo depois, volta a cobrir-se de verde.


Na clínica, observo quantas pessoas confundem uma fase difícil com sua identidade permanente. Uma perda afetiva, um desemprego, uma doença, uma decepção familiar ou uma crise existencial acabam sendo interpretados como uma definição da própria vida. O sofrimento passa a ser visto não como uma estação, mas como um destino.


A psicanálise nos mostra que o ser humano possui uma tendência curiosa: transformar momentos em eternidades. Quando estamos felizes, acreditamos que a alegria durará para sempre. Quando estamos sofrendo, temos a mesma ilusão, imaginando que a dor jamais terminará. Porém, a existência é movimento. Nada permanece exatamente igual.


Sob um olhar social, vivemos numa cultura que valoriza apenas as "primaveras". As redes sociais exibem conquistas, sorrisos, viagens, corpos impecáveis e sucessos profissionais. Poucos mostram seus invernos. Poucos compartilham seus períodos de silêncio, de luto, de reconstrução ou de dúvidas.


Isso gera uma falsa impressão coletiva de que somente nós estamos atravessando tempos difíceis. Como consequência, muitos sentem vergonha de suas próprias secas emocionais.


Entretanto, até mesmo a terra precisa descansar para voltar a produzir.


Sob a perspectiva teológica, existe uma mensagem profunda nessa imagem da árvore. Deus não trabalha apenas nas épocas de florescimento. Muitas vezes Sua ação mais importante acontece quando nada parece estar acontecendo. As raízes crescem longe dos olhos. A transformação ocorre no oculto. O amadurecimento espiritual raramente acontece durante os aplausos; geralmente nasce nos desertos.


As Escrituras estão repletas de personagens que atravessaram seus invernos particulares. Houve momentos de espera, solidão, fracassos e incertezas. Contudo, aquilo que parecia o fim tornou-se preparação para uma nova etapa.


Talvez a maior sabedoria seja compreender que não precisamos florescer o tempo todo.


Existem períodos para produzir e períodos para recolher-se.


Há momentos para cantar e outros para escutar.


Há dias de abundância e dias de aprendizado.


A árvore não se desespera quando perde suas folhas. Ela sabe, pela linguagem silenciosa da natureza, que a vida continua circulando em seu interior.


Quem sabe sua alma esteja vivendo exatamente isso agora.


Talvez você esteja olhando para os galhos e esquecendo das raízes.


Talvez esteja observando aquilo que perdeu e não percebendo aquilo que está sendo fortalecido.


Talvez esteja chamando de fim aquilo que Deus chama de preparação.


E talvez o velho meme estivesse mais certo do que imaginávamos:


"As árveres somos nozes."


Porque, no fundo, todos nós passamos pelas mesmas estações.

E a boa notícia é que o inverno nunca tem a última palavra.


Abilio Machado

Psicoarteterapeuta

📸 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado


Machado de Lima Filho, Abilio. Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites. Campo Largo: Produção independente, 2026.

O Que Fica em Nós

 


O Que Fica em Nós

Há pessoas que passam por nossa vida como rios passageiros. Levam consigo palavras, gestos, abraços, tempo, cuidado e até partes inteiras de nossa história. Quando partem, quase sempre deixamos algo delas em nós. E, inevitavelmente, deixamos algo de nós nelas.

Mas existe uma dor silenciosa que acompanha o ato de oferecer: a esperança.

Esperamos que o carinho retorne. Que a dedicação seja reconhecida. Que a presença seja lembrada. Que o amor encontre eco no coração de quem o recebeu. Afinal, somos humanos. Não amamos como pedras lançadas ao acaso. Amamos porque desejamos encontro. Desejamos reciprocidade. Desejamos que aquilo que floresceu em nosso peito encontre solo fértil no outro.

E quando isso não acontece, quando a gratidão não vem, quando o afeto retorna deformado ou simplesmente não retorna, surge uma pergunta amarga:

"Será que tudo foi em vão?"

A alma ferida costuma responder que sim.

Mas a vida, com sua sabedoria paciente, responde diferente.

Aquilo que você ofereceu nunca pertenceu verdadeiramente ao outro. Pertenceu primeiro a você. A generosidade revelou sua essência. A compaixão mostrou sua humanidade. O cuidado expôs a beleza que habita seu coração. Cada gesto de amor foi um retrato silencioso de quem você é.

O retorno, ou a ausência dele, fala sobre a história do outro.

A entrega fala sobre a sua.

Talvez um dos maiores aprendizados da maturidade seja compreender que o amor não perde valor quando não é correspondido. A bondade não se torna inútil porque não foi reconhecida. A luz não deixa de iluminar porque alguém escolheu fechar os olhos.

Existe uma riqueza que ninguém pode tomar de nós: a capacidade de amar.

Ela não depende de aplausos, recompensas ou agradecimentos. É um patrimônio construído nas profundezas da alma, onde a dignidade encontra morada e o afeto encontra sentido.

Por isso, quando a vida parecer injusta e o coração insistir em contabilizar o que deu e o que recebeu, lembre-se:

Nenhum amor verdadeiro foi desperdiçado.

Tudo aquilo que nasceu de sua melhor parte continua sendo seu.

E isso, talvez, seja a mais preciosa herança que uma pessoa pode carregar pela existência.

"Há viagens que fazemos pelos trilhos do mundo. Outras percorremos dentro de nós. E, olhando pela janela do tempo, descobrimos que nem tudo o que ficou para trás foi perdido. Algumas coisas transformaram-se em paisagem, outras em saudade, e algumas em sabedoria. O que oferecemos ao longo do caminho continua viajando conosco."

Abilio Machado

Psicoarteterapeuta

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A pornografia e a vontade de conpartilhar a seus contatos...

Esse comportamento pode ser analisado sob diferentes perspectivas psicológicas e sociais.

Ver pornografia, por si só, não significa necessariamente um problema psicológico. No entanto, quando a pessoa passa a compartilhar esse conteúdo de forma frequente, indiscriminada e sem considerar o desejo ou os limites dos outros, entramos em outra questão: a dificuldade de perceber o impacto do próprio comportamento sobre o ambiente social.

Sob um olhar psicoterapêutico e psicanalítico, alguns fatores podem estar presentes:

1. Busca de validação e pertencimento

Algumas pessoas utilizam conteúdos sexuais como uma forma de buscar aceitação em determinados grupos. Existe a fantasia de que compartilhar pornografia reforça uma imagem de masculinidade, liberdade ou cumplicidade entre amigos. É como se dissessem inconscientemente: "Olhem, eu faço parte desse grupo".

O problema surge quando a pessoa não percebe que os valores e interesses dos outros podem ser diferentes dos seus.

2. Dificuldade de reconhecer limites

A maturidade emocional envolve compreender que aquilo que me agrada não necessariamente agrada aos demais.

Quando alguém envia pornografia para todos os contatos, sem avaliar contexto, idade dos familiares, crenças religiosas, ambiente profissional ou familiar, pode estar demonstrando uma dificuldade em perceber fronteiras interpessoais.

3. Dessensibilização

O consumo frequente de pornografia pode tornar o conteúdo tão comum para a pessoa que ela perde a noção de que aquilo ainda é íntimo ou constrangedor para muitos.

Aquilo que deveria permanecer na esfera privada passa a ser tratado como algo banal.

4. Aspectos compulsivos

Em alguns casos, o compartilhamento excessivo pode estar associado a um comportamento compulsivo. A pessoa não apenas consome, mas sente necessidade de espalhar, comentar e manter o tema constantemente presente.

Nesse contexto, o ato de compartilhar deixa de ser uma escolha consciente e passa a funcionar como uma extensão do próprio hábito.

5. Consequências sociais previsíveis

Quando amigos bloqueiam ou se afastam, geralmente não estão punindo a pessoa por seus gostos pessoais. Estão protegendo seus próprios limites.

Muitos possuem filhos, netos, trabalham em ambientes profissionais ou simplesmente não desejam receber esse tipo de conteúdo. O bloqueio acaba sendo uma forma silenciosa de estabelecer uma fronteira que não foi respeitada anteriormente.

Uma reflexão importante

Existe uma diferença enorme entre liberdade pessoal e imposição social.

Cada indivíduo tem o direito de consumir aquilo que deseja dentro da legalidade e da privacidade. Mas ninguém tem a obrigação de participar desse consumo.

Por isso, sua observação parece apontar para uma questão de responsabilidade pessoal: se repetidamente as pessoas se afastam por causa de um comportamento específico, talvez a pergunta não seja "Por que estão me bloqueando?", mas sim "O que estou fazendo que leva tantas pessoas a se afastarem?".

Como psicoterapeuta, eu diria que a capacidade de fazer essa pergunta é um dos maiores sinais de maturidade emocional. O autoconhecimento começa quando deixamos de investigar apenas as reações dos outros e passamos a examinar também as nossas próprias atitudes.

Meu maior conselho a você que sente esta compulsão em compartilhar o seu gosto pela pornografia é: Não faça, tome a iniciativa de não enviar, pôr que...

 "Aquilo que fazemos em nossa intimidade é uma escolha pessoal. Aquilo que levamos para a intimidade dos outros exige respeito. Quando muitas portas se fecham, nem sempre o problema está nas portas; às vezes é preciso observar o que estamos carregando conosco ao tentar atravessá-las."

_Abilio Machado 

Psicanalista e Psicoarteterapeuta_ 



domingo, 31 de maio de 2026

A Biologia das Emoções: Quando o Corpo Participa da Cura

 


A Biologia das Emoções: Quando o Corpo Participa da Cura


Por Psicoarteterapeuta Abilio Machado


Durante muito tempo, aprendemos a dividir a vida entre razão e emoção, como se fossem mundos separados. Entretanto, as descobertas da neurociência, da psicologia e da psiconeuroimunologia mostram exatamente o contrário: aquilo que sentimos influencia diretamente o funcionamento do cérebro, do sistema imunológico, dos hormônios e até da forma como nosso organismo enfrenta doenças.


O ser humano não foi projetado apenas para pensar. Foi projetado para sentir.


O riso como medicamento natural


Quando rimos genuinamente, uma cascata de substâncias benéficas é liberada pelo cérebro. Entre elas estão as endorfinas, a dopamina e a serotonina, neurotransmissores associados ao prazer, ao bem-estar e à redução da percepção da dor.


O riso diminui os níveis de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, reduz tensões musculares e favorece respostas anti-inflamatórias no organismo.


Não é por acaso que pessoas que preservam momentos de alegria costumam apresentar maior resiliência diante das dificuldades. O humor não elimina os problemas, mas fortalece a capacidade emocional de enfrentá-los.


Rir não é fugir da realidade. É criar condições internas para suportá-la melhor.


O choro como mecanismo de regulação


Em muitos ambientes, ainda existe a crença de que chorar é sinal de fraqueza. Porém, biologicamente, o choro é uma ferramenta sofisticada de regulação emocional.


Quando choramos, especialmente por emoções profundas, ativamos mecanismos fisiológicos que ajudam a reduzir a tensão acumulada. O sistema nervoso passa gradualmente de um estado de alerta para um estado de reorganização.


O choro comunica sofrimento, pede acolhimento e permite que emoções represadas encontrem uma via de expressão.


O problema raramente está em chorar. Frequentemente está em não poder chorar.


Em consultório, é comum observar pessoas que carregam anos de tristeza silenciada. Muitas vezes, aquilo que chamam de fraqueza é justamente o esforço exaustivo de manter-se emocionalmente anestesiadas.


O abraço e a necessidade do vínculo


O ser humano nasce dependente do contato. Antes mesmo da linguagem, aprendemos sobre segurança através do toque.


Um abraço afetuoso estimula a liberação de ocitocina, conhecida como o hormônio do vínculo. Essa substância favorece sentimentos de confiança, pertencimento e proteção.


Além dos efeitos emocionais, estudos demonstram que relações afetivas saudáveis estão associadas a melhores indicadores de saúde física, recuperação mais rápida de enfermidades e menor incidência de sintomas depressivos.


Não sobrevivemos apenas de alimento e oxigênio.


Também necessitamos de conexão humana.


A solidão prolongada, por sua vez, tornou-se um dos grandes fatores de risco para o sofrimento psíquico contemporâneo.


O canto e a voz que organiza o organismo


Pouca gente imagina que cantar possui efeitos que vão muito além da expressão artística.


Ao cantar, controlamos a respiração, prolongamos a expiração e estimulamos estruturas ligadas ao nervo vago, uma das principais vias de comunicação entre cérebro e corpo.


Esse processo favorece estados de relaxamento, reduz a hiperativação do sistema nervoso e contribui para maior equilíbrio emocional.


Talvez por isso a humanidade cante há milhares de anos em celebrações, rituais, orações, encontros familiares e manifestações culturais.


A voz não serve apenas para falar.


Serve também para organizar emoções.


A dança e o cérebro em movimento


O cérebro adora movimento.


Quando dançamos, diferentes áreas cerebrais trabalham simultaneamente: coordenação motora, memória, atenção, ritmo, emoção e criatividade.


Essa integração favorece a chamada neuroplasticidade, capacidade que o cérebro possui de criar e reorganizar conexões neurais ao longo da vida.


Dançar também reduz tensões, amplia a consciência corporal e ajuda a romper estados de estagnação emocional.


Não importa a perfeição dos passos.


Importa a experiência de colocar a vida novamente em movimento.


Muitas vezes, aquilo que a mente não consegue elaborar em palavras, o corpo consegue expressar através do gesto.


Sentir não é um luxo; é uma necessidade


Vivemos em uma sociedade que frequentemente valoriza produtividade acima da experiência emocional.


Muitas pessoas aprenderam a funcionar, mas desaprenderam a sentir.


Entretanto, emoções não desaparecem porque são ignoradas. Elas permanecem atuando nos bastidores da mente e do corpo.


A tristeza não expressa pode transformar-se em sofrimento crônico.


A raiva reprimida pode surgir como irritabilidade constante.


O medo não reconhecido pode alimentar estados de ansiedade persistente.


Sentir não é um defeito da condição humana.


É uma função biológica indispensável para adaptação, sobrevivência e construção de significado.


Reflexão Final


Como psicoarteterapeuta, observo diariamente que a saúde emocional não depende apenas de eliminar sintomas, mas de recuperar capacidades humanas fundamentais: rir sem culpa, chorar sem vergonha, abraçar sem medo, cantar sem julgamento, movimentar o corpo com liberdade e reconhecer aquilo que se sente.


Talvez a verdadeira maturidade emocional não esteja em controlar todas as emoções, mas em permitir que elas cumpram sua função natural.


Quando acolhemos nossas emoções, não estamos apenas cuidando da mente.


Estamos oferecendo ao corpo a oportunidade de participar do processo de cura.


Abilio Machado

Psicoarteterapeuta – Psicologia Essencial


📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📷 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado


Referência bibliográfica:

Machado de Lima Filho, Abilio. Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites. Campo Largo: Produção independente, 2026.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Formas de lidar com a dor: entre o peso que paralisa e a experiência que transforma



 Formas de lidar com a dor: entre o peso que paralisa e a experiência que transforma

A dor é uma das poucas experiências universais da existência humana. Todos, em algum momento, carregam perdas, frustrações, traumas, rejeições, medos ou cicatrizes invisíveis. O que diferencia as pessoas não é a ausência da dor, mas a forma como escolhem atravessá-la.

Existem indivíduos que acabam esmagados emocionalmente pelas próprias experiências. A dor se torna tão pesada que sufoca a esperança, rouba a identidade e paralisa o movimento da vida. Quando alguém vive apenas no sofrimento, a ferida deixa de ser um acontecimento e passa a definir quem a pessoa acredita ser. Nesse estágio, a dor não é apenas sentida; ela domina.

Outros conseguem continuar caminhando, mas arrastando consigo tudo aquilo que viveram. São pessoas que seguem funcionando, trabalhando, sorrindo às vezes, porém emocionalmente exaustas. A dor continua presente em cada passo. Ela não destrói completamente, mas também não permite liberdade. É o peso emocional crônico de quem nunca teve tempo ou espaço para elaborar suas próprias experiências.

Há também aqueles que tentam compreender profundamente o que sentem. Analisar a dor é uma atitude importante, porque transforma sofrimento bruto em consciência. Quando refletimos sobre nossas emoções, começamos a perceber padrões, origens, traumas antigos, mecanismos de defesa e necessidades emocionais negligenciadas. Entretanto, existe um risco: viver apenas na análise pode aprisionar a pessoa dentro da própria mente. Entender não é o mesmo que curar. Algumas pessoas se tornam especialistas na própria dor, mas continuam incapazes de senti-la de forma saudável e atravessá-la emocionalmente.

Aprender com a dor talvez seja um dos movimentos mais difíceis e mais maduros da vida. Isso exige coragem para olhar para as experiências sem negar a realidade. A dor pode ensinar limites, fortalecer vínculos verdadeiros, revelar fragilidades escondidas e até despertar empatia. Muitas pessoas que hoje acolhem, cuidam e ajudam outros nasceram justamente de experiências profundamente dolorosas. A ferida, quando elaborada, pode se tornar instrumento de humanidade.

Existe ainda um estágio muito delicado e frequentemente mal compreendido: a aceitação. Aceitar não significa gostar do sofrimento, concordar com injustiças ou desistir da mudança. Aceitar é reconhecer a realidade como ela é, sem desperdiçar energia lutando contra fatos que já aconteceram. A resistência prolongada ao inevitável costuma aumentar o sofrimento psicológico. Quando a pessoa aceita, ela deixa de guerrear contra a própria existência e começa a reorganizar a vida a partir da realidade possível.

Mas talvez a experiência mais profunda seja transformar a dor.

Transformar não significa apagar cicatrizes. Significa reorganizar o sofrimento em algo que produza sentido. Algumas pessoas transformam a dor em arte. Outras em fé. Outras em cuidado, maturidade, conhecimento, compaixão ou propósito. A dor transformada não desaparece completamente, mas deixa de ser apenas destruição. Ela passa a gerar consciência.

Como psicoarteterapeuta, acredito que a dor reprimida adoece, a dor ignorada endurece, mas a dor elaborada pode humanizar profundamente alguém. A arte, a escrita, a música, a espiritualidade e o diálogo terapêutico oferecem caminhos simbólicos para reorganizar aquilo que muitas vezes não conseguimos explicar racionalmente.

Muitas vezes, o sofrimento não precisa ser vencido imediatamente. Ele precisa primeiro ser ouvido.

Vivemos numa sociedade que ensina as pessoas a parecerem fortes, mas não a lidarem emocionalmente com suas próprias fragilidades. Por isso, tantos adoecem em silêncio. O excesso de produtividade, distrações constantes e relações superficiais acabam afastando o indivíduo do contato consigo mesmo.

A maturidade emocional não nasce da ausência de dor. Ela nasce da capacidade de atravessar experiências difíceis sem perder completamente a sensibilidade, a identidade e a capacidade de amar.

A grande pergunta talvez não seja: “Por que estou sofrendo?”

Mas: “O que farei com aquilo que vivi?”

Porque algumas dores apenas ferem. Outras despertam. E algumas, quando profundamente elaboradas, transformam completamente a maneira como enxergamos a vida.

— Abilio Machado

Psicoarteterapeuta



Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

Telefones: 41 99845-1364 | 41 99635-3923

Machado de Lima Filho, Abilio. Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites. Campo Largo: Produção independente, 2026.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Sou forte

 


Não invoque o pessimismo e a infelicidade para que não apareçam e façam um estrago na sua vida.

Seja você quem acredita no futuro, crê na realização das idéias, não se deixe abater e tenha uma palavra de esperança na dificuldade.

Faça funcionar as suas qualidades. Invoque, busque a capacidade, a força, o sucesso para que surjam e levantem você. Chame de dentro de si o poder de realização e pense desta maneira: "SOU FORTE DIANTE DOS PROBLEMAS. CONFIO EM MIM. TENHO UM FUTURO BELO NAS GRAÇAS DE DEUS. NÃO PREJUDICO A NINGUÉM. NADA TENHO A TEMER".

A sua vida é o resultado do que você pensa.

Deus abençoe você?

Eu abençoo você!

Bom dia!


#psiabiliomachado 

#papainoelabiliomachado 

#comportamento 

#dodiaparaavida

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Entre a Escuridão e a Luz Existe um Território Chamado Vazio

 


Entre a Escuridão e a Luz Existe um Território Chamado Vazio

Há pessoas que abandonam a dor, mas não encontram a paz.

Saem de relacionamentos destrutivos, rompem ciclos, afastam-se de ambientes tóxicos, silenciam vozes que lhes feriam… e ainda assim continuam perdidas dentro de si. Porque fugir da escuridão não é a mesma coisa que aprender a caminhar na direção da luz.

Existe uma diferença profunda entre escapar e transformar-se.

Muitos acreditam que basta deixar o sofrimento para trás para que a vida automaticamente floresça. Mas a alma humana não funciona apenas por ausência. O vazio deixado pela dor precisa ser preenchido por sentido. Caso contrário, a escuridão apenas muda de endereço dentro de nós.

Na psicologia, especialmente nas leituras existenciais e psicodinâmicas, compreende-se que o sujeito pode abandonar um comportamento autodestrutivo sem necessariamente desenvolver uma nova estrutura emocional saudável. Um homem pode deixar o vício e continuar escravo da culpa. Uma mulher pode sair de uma relação abusiva e permanecer aprisionada ao medo. Um jovem pode afastar-se da violência e ainda carregar guerras inteiras dentro da mente.

Porque a sombra não vive apenas nos lugares onde estivemos. Ela também aprende a morar nas interpretações que fazemos da vida.

A teologia toca esse ponto com profundidade inquietante. Em muitas passagens bíblicas, vemos pessoas que saíram do Egito, mas não conseguiram retirar o Egito de dentro delas. O deserto torna-se então símbolo desse espaço intermediário: já não se está na escravidão, mas ainda não se alcançou a terra prometida.

E talvez esse seja um dos maiores dramas humanos: confundir afastamento com redenção.

Há quem abandone o pecado sem encontrar a graça.

Quem deixe o caos sem desenvolver propósito.

Quem se afaste da maldade sem aprender o amor.

A luz não é apenas ausência de trevas. Luz é consciência. É responsabilidade. É encontro consigo mesmo. É coragem para olhar as próprias feridas sem transformá-las em identidade permanente.

Carl Jung dizia que “ninguém se ilumina imaginando figuras de luz, mas tornando consciente a própria escuridão”. Há uma verdade poderosa nisso: negar as sombras não produz maturidade. O que transforma é atravessá-las sem permitir que elas definam quem somos.

Muitos passam a vida inteira apenas sobrevivendo emocionalmente. Tornam-se especialistas em fugir. Fogem de pessoas, de lugares, de conversas, de memórias, de si mesmos. Mas a luz exige permanência. Ela pede elaboração, reflexão, reconciliação interna e, muitas vezes, silêncio.

A espiritualidade madura não nasce do medo do inferno, mas do desejo sincero de encontrar sentido na existência.

Por isso, afastar-se da escuridão pode ser apenas o primeiro passo. Um passo importante, necessário, corajoso até. Mas incompleto.

Porque existe um momento em que Deus, a vida ou a própria consciência parecem perguntar:

“Você saiu daquilo que te destruía… mas está caminhando para onde?”

E essa pergunta muda tudo.

Há pessoas moralmente corretas e espiritualmente vazias. Há indivíduos aparentemente fortes, mas emocionalmente desertificados. Há quem viva sem grandes pecados e ainda assim sem verdadeira vida dentro do peito.

A luz não é um lugar onde simplesmente chegamos. É uma construção diária. Pequena. Silenciosa. Dolorosa às vezes.

Ela aparece quando alguém aprende a pedir perdão sem humilhação.

Quando decide não repetir violências recebidas.

Quando escolhe descansar em vez de provar valor o tempo todo.

Quando compreende que fé não é performance religiosa, mas vínculo profundo com aquilo que devolve humanidade ao coração.

Talvez o maior perigo não seja viver na escuridão.

Talvez seja permanecer eternamente no meio do caminho — longe das sombras, mas incapaz de abraçar a luz.

E nesse território intermediário, muitos continuam existindo… sem verdadeiramente viver.


Escrevo estas palavras quase em silêncio, sentado sozinho, enquanto o gosto amargo do café já frio repousa na boca e a noite parece conversar baixinho com minhas próprias sombras. Às vezes, os pensamentos mais profundos chegam exatamente quando a alma percebe que fugir da dor não basta: é preciso descobrir para onde o coração deseja caminhar.

#Psicologia #Psicanálise #Espiritualidade #Reflexão #Crônica #SaúdeEmocional #Psicoteologia #Autoconhecimento #Existencialismo #AbilioMachado

Entre Cicatrizes Invisíveis e a Coragem de Ser



 Entre Cicatrizes Invisíveis e a Coragem de Ser

Há textos que apenas passam pelos olhos. Outros, porém, atravessam a alma como uma oração silenciosa. O card em questão não fala apenas sobre comparação, autoestima ou autenticidade; ele toca numa ferida profundamente humana: a dificuldade que temos de reconhecer o valor da própria existência sem medir nossa vida pela régua do outro.

Vivemos uma era em que as pessoas aprenderam a editar a aparência, mas desaprenderam a revelar a verdade. As redes sociais transformaram dores em filtros, lágrimas em legendas motivacionais e vazios emocionais em vitrines cuidadosamente iluminadas. Nesse cenário, comparar-se tornou-se quase automático. E é justamente aí que nasce um dos maiores sofrimentos psíquicos da contemporaneidade: acreditar que o outro vive plenamente enquanto nós apenas sobrevivemos.

O texto rompe com essa ilusão ao afirmar que cada ser humano carrega uma história invisível. Essa percepção possui uma profundidade psicológica e espiritual gigantesca. A psicanálise compreende que todo sujeito é constituído também por suas faltas, suas marcas e suas dores não verbalizadas. O que vemos nas pessoas é apenas a superfície organizada do ego; por baixo dela existe um território complexo de angústias, medos, culpas, desejos reprimidos e batalhas silenciosas.

As “cicatrizes invisíveis” mencionadas no texto revelam exatamente isso: ninguém chega inteiro aos dias atuais. Todos foram atravessados por abandonos, rejeições, humilhações, perdas ou frustrações. Alguns aprenderam a esconder tão bem suas dores que até parecem felizes o tempo todo. Mas aparência emocional não é sinônimo de paz interior.

Do ponto de vista psicoteológico, o texto também carrega uma verdade profundamente sagrada: o valor do ser humano não está na performance, mas na essência. A espiritualidade adoecida ensina pessoas a buscarem aceitação através da perfeição, como se precisassem provar constantemente que merecem amor, reconhecimento ou pertencimento. Porém, a experiência espiritual genuína aponta exatamente para o oposto: Deus não se relaciona com máscaras sociais, mas com aquilo que existe por trás delas.

Existe algo extremamente libertador quando compreendemos que não precisamos nos encaixar em padrões para possuir dignidade. A comparação destrói porque ela nos faz abandonar nossa singularidade em troca de personagens socialmente aceitos. Aos poucos, o indivíduo deixa de viver quem é para interpretar quem acreditam que ele deveria ser. E toda vez que alguém abandona sua verdade para ser aceito, nasce um sofrimento psíquico silencioso.

A frase “a essência que transborda por dentro” talvez seja o ponto mais poderoso do texto. Porque essência não se fabrica. Não se compra. Não se edita. Ela emerge justamente das travessias humanas. Há pessoas lindas por fora e emocionalmente vazias. E há outras marcadas pela vida que carregam uma beleza quase sagrada no modo como acolhem, escutam, sobrevivem e continuam amando apesar das dores.

A autenticidade, então, deixa de ser apenas um conceito moderno de autoaceitação e passa a ser um ato espiritual de coragem. Ser quem se é exige enfrentar rejeições, romper expectativas externas e suportar o desconforto de não agradar todos ao redor. Isso dói. Mas existe uma liberdade imensa em parar de viver para corresponder aos olhos dos outros.

O texto também denuncia, de forma delicada, uma das maiores prisões emocionais do nosso tempo: a necessidade de validação constante. Quando alguém depende da aprovação externa para sentir valor, passa a viver emocionalmente refém do olhar alheio. E quem vive tentando impressionar o mundo geralmente perde o contato consigo mesmo.

Talvez por isso tantas pessoas estejam cansadas. Não pelo excesso de trabalho apenas, mas pelo esgotamento de sustentar personagens. A alma humana adoece quando precisa fingir felicidade o tempo inteiro.

No fundo, o texto nos convida a uma reconciliação interior. Um chamado para compreender que existir não exige perfeição. Exige verdade. A beleza real nasce quando alguém aceita suas próprias rachaduras sem transformá-las em vergonha. Porque há luzes que só conseguem entrar pelas partes quebradas da alma.

E talvez seja justamente isso que torne alguém verdadeiramente especial: não a ausência de cicatrizes, mas a coragem de continuar sendo inteiro mesmo depois delas.


_____________________________________________

Abilio Machado

Psicanalista | Psicoterapeuta Integrativo | Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

Referência:

Machado de Lima Filho, Abilio. Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites. Campo Largo: Produção independente, 2026.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Quando o Corpo Começa a Se Despedir: os sinais silenciosos entre a carne, a alma e o tempo...

 


Quando o Corpo Começa a Se Despedir: os sinais silenciosos entre a carne, a alma e o tempo...

Por Abilio Machado 

Há algo profundamente humano — e quase sagrado — no instante em que o corpo começa a compreender aquilo que a mente ainda tenta negar: a proximidade da morte.

A medicina descreve esse processo através da fisiologia, da falência orgânica e das alterações neurológicas. A espiritualidade, por sua vez, tenta traduzir esse fenômeno como travessia, despedida ou retorno. Entre uma linguagem e outra, existe o ser humano: frágil, consciente e misterioso.

O corpo fala antes da palavra.

E, muitas vezes, ele começa pelo invisível.

O cheiro muda. A respiração muda. O olhar muda.

Há uma espécie de silêncio biológico que antecede a ausência definitiva.

Em contextos paliativos, profissionais experientes relatam perceber alterações sutis no odor corporal quando o organismo entra em processo de falência progressiva. Não se trata de “misticismo”, mas de mudanças químicas produzidas pelo colapso metabólico dos órgãos. O nariz humano — tão ligado à memória e ao instinto — frequentemente percebe aquilo que os exames ainda tentam confirmar.

Talvez por isso tantos familiares digam frases como:

“Eu senti que algo havia mudado.”

Porque sentir também é uma forma de saber.

O corpo reduz o mundo para preservar o essencial

Quando a morte se aproxima, o organismo entra em economia extrema de energia.

Ele desliga lentamente aquilo que não considera mais prioridade.

A fome desaparece.

O sono aumenta.

Os movimentos se tornam lentos.

A consciência oscila entre presença e distância.

Não é abandono.

É despedida biológica.

A circulação sanguínea diminui nas extremidades, tornando mãos e pés frios, pálidos ou azulados. A respiração pode alternar pausas longas e ritmos irregulares — fenômeno conhecido na medicina como respiração de Cheyne-Stokes. O cérebro também reduz sua atividade, produzindo confusão mental, silêncios prolongados e estados de sonolência profunda.

O corpo não “desiste”.

Ele apenas começa a fechar portas internas.

A morte não chega apenas no fim — ela chega aos poucos

Existe um equívoco em imaginar a morte apenas como um instante.

Na verdade, ela costuma ser um processo.



Uma travessia lenta entre presença e ausência.

Em muitos casos, familiares percebem mudanças antes mesmo dos profissionais de saúde: um olhar mais distante, uma quietude incomum, uma espécie de cansaço existencial que não cabe apenas no diagnóstico. A ciência compreende isso como alterações neurofisiológicas e metabólicas; já diversas culturas interpretam como um movimento espiritual do ser.

Talvez ambas estejam certas.

Porque o ser humano nunca foi apenas biologia.

Mas também nunca deixou de ser corpo.

O nariz, a memória e o adeus

O olfato é um dos sentidos mais primitivos da existência humana. Antes mesmo das palavras, o cheiro já nos ensinava perigo, afeto, doença, alimento e proteção. Médicos antigos diagnosticavam enfermidades através do odor corporal muito antes dos exames laboratoriais modernos.

Curiosamente, é justamente esse sentido ancestral que muitas vezes percebe os primeiros sinais do fim.

Como se o corpo, silenciosamente, começasse a anunciar sua despedida através daquilo que não pode mais sustentar.

Humanizar o fim também é cuidar da vida

Reconhecer esses sinais não deve servir para alimentar medo, mas compaixão.

Entender o processo da morte permite oferecer presença, dignidade e cuidado.

Os cuidados paliativos nasceram exatamente dessa compreensão: quando não é mais possível curar, ainda é possível aliviar, acolher, escutar e amar.

Porque ninguém deveria partir sentindo-se apenas um corpo adoecido.

Todo ser humano continua sendo história, memória, vínculo e afeto até o último suspiro.

E talvez a grande maturidade espiritual não esteja em negar a morte, mas em aprender a olhar para ela sem abandonar a ternura pela vida.

— Abilio Machado

Machado de Lima Filho, Abilio. Ser bom não é ser perfeito: a coragem de existir com limites. Campo Largo: Produção independente, 2026.

sábado, 9 de maio de 2026

O Menino Que Não Cabia na Carteira da Sala

 


O Menino Que Não Cabia na Carteira da Sala

A professora respirou fundo antes de chamar a mãe para conversar.

Do outro lado da mesa, uma mulher cansada apertava a bolsa contra o peito como quem tenta impedir o coração de escapar.

— “Seu filho não para.”

— “Seu filho se distrai.”

— “Seu filho interrompe.”

— “Seu filho precisa aprender limites.”

A mãe ouviu tudo em silêncio.

Quem vive a maternidade de uma criança com TDAH aprende cedo a traduzir acusações em boletins emocionais.

O que quase ninguém percebe é que, muitas vezes, aquela criança já passou o dia inteiro lutando contra si mesma.

Enquanto os outros conseguem organizar o pensamento como quem arruma livros numa estante, ela tenta segurar páginas voando dentro da cabeça.

O mundo cobra foco de alguém que vive cercado de tempestades internas.

E o mais cruel: ela geralmente sabe que “deveria conseguir”.

É comum imaginarem o TDAH como simples agitação.

Mas existe um sofrimento silencioso por trás do comportamento que incomoda a sala.

Há crianças que começam a acreditar que são “erradas”.

Adolescentes que aprendem a rir de si mesmos antes que os outros riam.

Adultos que carregam até hoje cicatrizes de frases ouvidas na infância:

— “Você é inteligente, mas não se esforça.”

— “Você só faz o que quer.”

— “Você é preguiçoso.”

— “Você não termina nada.”

Pouca gente entende o peso psicológico de crescer sendo corrigido o tempo todo.

A escola, quando despreparada, transforma diferença em defeito.

Mas quando acolhe, pode se tornar o primeiro lugar onde a criança descobre que não é um problema ambulante.

Adaptar não é favorecer.

É permitir acesso.

Dar mais tempo numa avaliação não cria privilégio.

Cria possibilidade.

Permitir estratégias diferentes não diminui a aprendizagem.

Diminui o sofrimento desnecessário.

Porque inclusão de verdade não acontece quando colocam a criança dentro da sala.

Acontece quando ela finalmente sente que pertence ali.

Existe uma violência muito sutil em exigir que todas as mentes funcionem da mesma maneira.

Nem toda criança aprende sentada em silêncio absoluto.

Nem toda inteligência cabe no modelo tradicional.

Nem toda inquietação é desrespeito.

Às vezes, é apenas um cérebro pedindo socorro enquanto o mundo insiste em chamar aquilo de má educação.

E talvez o maior desafio não seja ensinar matemática, português ou ciências.

Talvez seja ensinar humanidade.

Porque um aluno que cresce sendo compreendido pode desenvolver autonomia, autoestima e potência.

Mas um aluno que cresce sendo humilhado pode passar a vida inteira tentando provar que não é incapaz.

No fundo, muitas crianças com TDAH não precisam de rótulos heroicos.

Precisam apenas de adultos menos cruéis com aquilo que não compreendem.

E isso muda tudo.

— Psicoarteterapeuta Abilio Machado

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Espulso de algum paraiso

 


A frase de Melanie Klein toca em um ponto delicado da existência: conhecer transforma — e toda transformação cobra um preço.

Há um tipo de “paraíso” que só existe enquanto não sabemos. É o lugar da ilusão confortável, das certezas herdadas, das narrativas que nos protegem da dor de enxergar. Quando começamos a pensar por nós mesmos, quando elaboramos afetos, conflitos e verdades internas, algo se rompe. E não há retorno possível.

O conhecimento, especialmente o emocional, não é apenas aquisição de informação — é perda de inocência. É sair de relações idealizadas, rever vínculos, questionar estruturas internas e externas. É deixar para trás versões de si que já não sustentam quem nos tornamos.

Na clínica e na vida, vemos isso com frequência: amadurecer implica luto. Luto pelas fantasias que nos protegiam. Luto por vínculos que mudam quando passamos a enxergá-los com mais clareza. Mas também é nesse movimento que nasce a liberdade psíquica — a possibilidade de existir com mais verdade, mesmo que com menos conforto.

Talvez o “paraíso” perdido não seja um erro… mas uma etapa.

E crescer seja, justamente, aprender a habitar a realidade sem precisar fugir dela.

Aquela criança ainda existe

 


Muita gente elogia a criança quieta sem imaginar o peso escondido naquele silêncio. Nem sempre era calma. Às vezes era medo de ocupar espaço. Medo de pedir, de errar, de cansar, de virar problema. Então ela aprende cedo a resolver tudo sozinha e cresce com a impressão de que necessidade é fraqueza.


Na vida adulta, isso aparece de muitos jeitos. Gente que ajuda todo mundo, mas se envergonha quando precisa de colo. Gente competente, forte, admirada, mas cansada de nunca poder desabar. Um coração assim não precisa de cobrança. Precisa descobrir, com delicadeza, que ser amado não depende de desempenho. Presença também merece cuidado.

A técnica da cadeira vazia mais aplicação prática na arteterapia

 

A técnica da cadeira vazia é uma ferramenta clássica da Gestalt-terapia, criada por Fritz Perls. Ela parece simples — e é justamente essa simplicidade que a torna tão potente.

🪑 O que é, na prática?

Imagine duas cadeiras:

Uma é a sua.

A outra é de alguém ou algo importante (uma pessoa, um sentimento, uma parte de você mesmo).

Você vai dialogar com essa “presença”, mesmo que ela não esteja ali fisicamente.

🎭 Como aplicar (passo a passo simples)

1. Defina quem (ou o quê) estará na cadeira

Pode ser:

Uma pessoa (viva ou não)

Um sentimento (raiva, medo, culpa)

Uma versão sua (criança, futuro, “eu crítico”)

2. Fale com a cadeira

Sente-se na sua cadeira e diga tudo o que está guardado:

Sem filtros

Sem julgamentos

Como se a pessoa estivesse ali

Exemplo:

“Eu fiquei magoado quando você disse aquilo…”

3. Troque de lugar

Agora sente-se na cadeira vazia e responda como se fosse o outro.

Aqui entra algo profundo:

você acessa percepções, memórias e até empatia que estavam escondidas.

4. Volte para sua cadeira

Responda novamente.

Esse “vai e vem” cria um diálogo interno que antes estava travado.

🧠 Para que serve?

A técnica ajuda a:

Resolver conflitos internos

Elaborar sentimentos não expressos

Trabalhar luto e despedidas

Reduzir ansiedade emocional

Desenvolver autocompreensão

⚠️ Um cuidado importante

Apesar de parecer um exercício simples, ele pode ativar emoções intensas.

Por isso, quando possível, é ideal fazer com acompanhamento terapêutico — especialmente em temas mais delicados.

🌱 Um jeito de entender com profundidade

A cadeira vazia não é sobre “imaginar alguém”.

É sobre dar voz ao que ficou interrompido dentro de você.

Muitas vezes, não sofremos apenas pelo que aconteceu…

mas pelo que não conseguimos dizer.

A aplicação na arteterapia - versão pessoal.

A aplicação da cadeira vazia na arteterapia é um encontro muito bonito entre a expressão verbal e a simbólica. Aqui, não se trata apenas de falar — mas de dar forma, cor e imagem ao que não encontrou linguagem direta.

Essa integração dialoga tanto com a Gestalt-terapia quanto com a Arteterapia, ampliando o campo de acesso ao mundo interno.



🎨🪑 O que muda na arteterapia?

Na prática tradicional, a pessoa fala com a cadeira.

Na arteterapia, ela cria antes de dialogar.

A cadeira deixa de ser apenas um lugar imaginário e passa a ser ocupada por uma representação simbólica:

um desenho

uma pintura

uma colagem

um objeto construído

Ou seja: o invisível ganha corpo.

🖌️ Como aplicar (passo a passo terapêutico)

1. Criação da “presença”

Convide o paciente a representar quem ou o que ocupará a cadeira:

“Desenhe essa pessoa”

“Dê forma à sua ansiedade”

“Como seria a sua criança interior?”

Não importa técnica — importa autenticidade simbólica.

2. Posicionamento no espaço

Coloque a produção artística na cadeira vazia.

Isso gera um efeito poderoso: externaliza o conflito.

O que estava dentro agora pode ser visto, encarado, nomeado.

3. Diálogo com a obra

O paciente fala com a criação:

“O que você quer de mim?”

“Por que você aparece assim?”

A obra funciona como mediadora — muitas vezes facilitando falas que não sairiam diretamente.

4. Inversão de papéis

Agora o paciente muda de lugar e responde como se fosse a própria imagem criada.

Esse momento costuma trazer:

insights inesperados

emoções mais profundas

contato com conteúdos inconscientes

5. Integração simbólica

Ao final, é possível:

modificar a obra

acrescentar elementos

rasgar, reconstruir ou transformar

Aqui acontece algo essencial:

não apenas falar sobre a dor — mas transformá-la simbolicamente.

🌱 Potências clínicas dessa abordagem

Acessa conteúdos difíceis de verbalizar

Diminui resistências (especialmente em adolescentes)

Favorece projeção e elaboração emocional

Trabalha traumas de forma mais segura e indireta

Integra corpo, emoção e cognição

👁️ Um olhar mais profundo

Na arteterapia, a cadeira vazia deixa de ser apenas técnica…

e se torna quase um pequeno ritual de encontro consigo mesmo.

A imagem criada não é só um desenho.

Ela é uma porta.

E, muitas vezes, o paciente não precisa encontrar respostas prontas —

basta, pela primeira vez, sentar-se diante daquilo que sempre evitou olhar.


Sócrates sobre a amizade: “Um amigo deve ser como o dinheiro; antes de precisar dele, você precisa saber o seu valor.”

  Sócrates sobre a amizade:  “Um amigo deve ser como o dinheiro; antes de precisar dele, você precisa saber o seu valor.” Sócrates sobre a a...