“Acho que me curei demais.
Agora eu não gosto de ninguém.”
Usei esse card em sessão esta semana.
Mostrei a imagem — um homem sentado sobre um galho, olhando para uma vila coberta de névoa. Distante. Isolado. Como se estivesse acima de tudo… e, ao mesmo tempo, fora de tudo.
Perguntei:
— O que você vê?
Ele respondeu:
— Alguém que se cansou.
Silêncio.
Às vezes, quando alguém diz “não gosto de ninguém”, não está falando sobre as pessoas. Está falando sobre decepção acumulada. Está falando sobre expectativa frustrada. Está falando sobre ter se entregado demais sem ter recebido o mínimo necessário de volta.
“Me carei demais” — expressão forte. Cuidou demais. Se doou demais. Se adaptou demais. Se anulou demais.
Quando o cuidado não tem limite, ele deixa de ser virtude e começa a ser abandono de si.
Na sessão, trabalhamos algo essencial: a diferença entre amar e se dissolver. Entre ser generoso e ser invisível. Entre acolher o outro e se abandonar no processo.
Muitas vezes, o “não gosto de ninguém” é apenas um mecanismo de defesa. Uma tentativa de proteger um coração exausto. Porque, se eu não gosto, eu não me envolvo. Se eu não me envolvo, eu não me machuco.
Mas o isolamento também machuca.
O homem na árvore não está apenas observando a vila. Ele está evitando descer. E descer significa correr riscos. Significa confiar de novo. Significa reaprender a colocar limites.
No final da sessão, eu disse algo que também deixo aqui:
Talvez você não tenha deixado de gostar das pessoas.
Talvez você só precise aprender a gostar de si primeiro — o suficiente para não se abandonar outra vez.
Se você sente que está emocionalmente cansado, ressentido ou fechado por experiências passadas, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para reconstruir vínculos — começando pelo vínculo consigo mesmo.
Abilio Machado
Psicoterapeuta – Psicologia Essencial
📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923
📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

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