NÃO É INDIFERENÇA. É MATURIDADE.
Há pessoas que olham para a nossa mudança e dizem:
"Tu já não és o mesmo."
E talvez tenham razão.
Porque a vida ensina.
O tempo transforma.
As cicatrizes explicam aquilo que as palavras nunca conseguiram explicar.
Não é que o coração tenha ficado frio.
Não é que a consideração tenha desaparecido.
Não é que tenhamos deixado de nos importar.
Acontece que, depois de tantas decepções, aprendemos que nem tudo merece a nossa energia.
Chega um momento em que deixamos de correr atrás de quem nunca caminhou na nossa direcção.
Deixamos de insistir em conversas unilaterais.
Deixamos de mendigar atenção, carinho, respeito e presença.
Porque a reciprocidade não deve ser implorada.
Deve ser natural.
O amadurecimento tem esta característica curiosa:
Ele ensina-nos a valorizar a paz mais do que a aprovação dos outros.
Ensina-nos a distinguir companhia de conveniência.
Presença de interesse.
Amor de dependência.
E, aos poucos, começamos a desapegar-nos daquilo que apenas ocupava espaço na nossa vida sem acrescentar valor.
Algumas pessoas chamam isso de frieza.
Eu chamo de amor-próprio.
Porque crescer também significa aprender a fechar portas que já não conduzem a lugar nenhum.
Nem toda distância é falta de afecto.
Às vezes, é apenas a decisão de não permanecer onde o esforço vem de um lado e a indiferença do outro.
A vida fica mais leve quando entendemos uma verdade simples:
Quem quer ficar, encontra motivos.
Quem não quer, encontra desculpas.
E quem é recíproco nunca nos faz sentir sozinhos numa relação que deveria ser construída a dois.
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