Há um perigo silencioso na alma: gastar tanto tempo observando as falhas dos outros que deixamos de enxergar as nossas.
A psicologia nos mostra que é mais fácil projetar no outro aquilo que nos incomoda em nós mesmos. A teologia nos recorda as palavras de Jesus: "Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão e não percebes a trave que está no teu próprio olho?" (Mateus 7:3).
Quando nossa atenção está excessivamente voltada para os erros alheios, nossa própria transformação fica estagnada. A crítica constante ao próximo pode se tornar um mecanismo de fuga, impedindo o encontro sincero com nossas fragilidades, medos e necessidades de mudança.
O amadurecimento espiritual e emocional começa quando trocamos o julgamento pela autorreflexão. Quem dedica tempo para corrigir a si mesmo descobre que sobra menos espaço para condenar o outro e mais espaço para exercer misericórdia, humildade e amor.
Antes de apontar um erro, pergunte a si mesmo: o que esta situação revela sobre mim? Talvez essa seja a pergunta que Deus mais deseja responder em nosso coração.
— Abilio Machado
NA CRUZ
Reflexões de Psicoteologia sobre a dor, a fé e a reconstrução da alma.
Abilio Machado
Psicoarteterapeuta
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