terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

“Arrisque-se! Pois tudo que é bom começa com um pouco de medo.”



 “Arrisque-se! Pois tudo que é bom começa com um pouco de medo.”

Levei esse card para a sessão dobrado como um bilhete simples.

Coloquei sobre a mesa e pedi que a pessoa lesse em voz alta.

Ela sorriu de canto.

— Fácil falar.

E é mesmo.

O medo não é inimigo. Ele é sinal de fronteira. Sempre que estamos prestes a sair do território conhecido, ele aparece. O corpo reage. A mente cria cenários. A memória resgata fracassos antigos como se fossem profecias.

Naquele atendimento, trabalhávamos a dificuldade de dar um passo importante — uma mudança profissional que já fazia sentido racionalmente, mas ainda não tinha autorização emocional.

Perguntei:

— Se não houvesse medo, isso ainda seria importante?

Silêncio.

O que é irrelevante não nos assusta. O que é pequeno não nos desafia. O medo, muitas vezes, é o preço da expansão.

Na Psicologia Essencial, não ensinamos a eliminar o medo, mas a dialogar com ele. O medo pode ser prudência, pode ser trauma, pode ser crença limitante. Precisamos discernir. Há medos que protegem. Outros apenas repetem histórias antigas.

Arriscar-se não é agir de forma impulsiva. É escolher conscientemente apesar do desconforto. É entender que a coragem não é ausência de medo — é movimento com ele presente.

Ao final da sessão, reformulei a frase do bilhete:

Talvez tudo que é bom comece não apenas com medo…

Mas com decisão.

Se você sente que está paralisado diante de escolhas importantes, talvez seja hora de compreender o que esse medo está tentando dizer — e o que ele já não precisa mais controlar.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

“Acho que me curei demais. Agora eu não gosto de ninguém.”




 “Acho que me curei demais.

Agora eu não gosto de ninguém.”

Usei esse card em sessão esta semana.

Mostrei a imagem — um homem sentado sobre um galho, olhando para uma vila coberta de névoa. Distante. Isolado. Como se estivesse acima de tudo… e, ao mesmo tempo, fora de tudo.

Perguntei:

— O que você vê?

Ele respondeu:

— Alguém que se cansou.

Silêncio.

Às vezes, quando alguém diz “não gosto de ninguém”, não está falando sobre as pessoas. Está falando sobre decepção acumulada. Está falando sobre expectativa frustrada. Está falando sobre ter se entregado demais sem ter recebido o mínimo necessário de volta.

“Me carei demais” — expressão forte. Cuidou demais. Se doou demais. Se adaptou demais. Se anulou demais.

Quando o cuidado não tem limite, ele deixa de ser virtude e começa a ser abandono de si.

Na sessão, trabalhamos algo essencial: a diferença entre amar e se dissolver. Entre ser generoso e ser invisível. Entre acolher o outro e se abandonar no processo.

Muitas vezes, o “não gosto de ninguém” é apenas um mecanismo de defesa. Uma tentativa de proteger um coração exausto. Porque, se eu não gosto, eu não me envolvo. Se eu não me envolvo, eu não me machuco.

Mas o isolamento também machuca.

O homem na árvore não está apenas observando a vila. Ele está evitando descer. E descer significa correr riscos. Significa confiar de novo. Significa reaprender a colocar limites.

No final da sessão, eu disse algo que também deixo aqui:

Talvez você não tenha deixado de gostar das pessoas.

Talvez você só precise aprender a gostar de si primeiro — o suficiente para não se abandonar outra vez.

Se você sente que está emocionalmente cansado, ressentido ou fechado por experiências passadas, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para reconstruir vínculos — começando pelo vínculo consigo mesmo.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

Você é seu maior adversário...



 A imagem é forte: um lobo em meio à neve, cabeça erguida, uivando para a noite. Sobre ele, a frase: “Você é seu maior adversário.”

Não é sobre guerra externa.

É sobre a batalha silenciosa que travamos por dentro.

O maior embate raramente acontece na rua, no trabalho ou nas relações. Ele acontece no território invisível dos pensamentos. É ali que surgem as vozes que diminuem, os medos que paralisam, as crenças que nos sabotam antes mesmo da tentativa.

Quantas vezes você deixou de avançar não por falta de capacidade, mas por excesso de autocrítica?

Quantas oportunidades se perderam porque a insegurança falou mais alto que a coragem?

Existe dentro de nós um lobo que protege — instinto, força, sobrevivência.

Mas também existe aquele que ataca — culpa, orgulho ferido, medo de fracassar, necessidade de aprovação.

Na Psicologia Essencial, compreendemos que não se trata de eliminar partes de si, mas de integrá-las. O adversário interno não precisa ser destruído; ele precisa ser compreendido. Muitas vezes, aquilo que hoje sabota foi, um dia, mecanismo de defesa.

O problema é quando a defesa se torna prisão.

O lobo uiva porque precisa expressar o que carrega. Nós adoecemos quando silenciamos demais. O autoconhecimento é o caminho para transformar o conflito interno em crescimento consciente.

Ser seu maior adversário é permanecer inconsciente de si.

Ser seu maior aliado é assumir responsabilidade pela própria história.

A pergunta não é se há uma batalha dentro de você.

A pergunta é: quem está conduzindo essa luta?

Se você sente que precisa compreender melhor seus conflitos internos, ressignificar experiências e fortalecer sua autonomia emocional, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para esse processo.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A Cirurgia no Texto Sagrado

 


A Cirurgia no Texto Sagrado

Hoje vi uma cena curiosa. 

Uma sala cirúrgica. Luzes acesas. Instrumentos esterilizados.

E sobre a mesa… não estava um corpo. Estava um livro.

Uma Bíblia.

Os “cirurgiões” não usavam bisturi para salvar — mas para remover.

“Vamos tirar essa parte sobre pecado. Muito ofensivo.”

“Esse texto sobre inferno… fora também.”

“O casamento está desatualizado.”

"A família tem que ser removida com certeza."

E ali, sob o foco da luz, não se operava uma doença.

Operava-se o desconforto.

A geração que não suporta incômodo decidiu anestesiar o texto.

Mas talvez o problema nunca tenha sido o texto —

e sim o espelho que ele se tornou. Como pensamentos intrusivos que dizem, se não deu certo para mim este relacionamento não vai dar para todos, se minha família é disfuncional quero que todas sejam, se me dá prazer não pode ser pecado. "Quem nunca, né?!"

Na clínica aprendi algo semelhante:

quando algo dói demais, a tendência não é tratar a ferida,

é eliminar o diagnóstico.

Se a palavra confronta, corta-se a palavra.

Se o princípio desafia, remove-se o princípio.

Se a verdade incomoda, chama-se de preconceito. Críticas viram fobias. A própria dúvida sobre a identidade cria um aparato de defesa.

Mas toda cirurgia tem consequência.

Ao retirar partes essenciais, o que sobra não é cura — é mutilação.

O curioso é que ninguém ali parecia odiar o livro.

Pelo contrário, queriam torná-lo “aceitável”, “inclusivo”, “atual”.

Queriam adaptá-lo ao tempo.

Só esqueceram que a função de um texto sagrado nunca foi se adaptar ao homem —

mas confrontá-lo.

Na terapia vejo movimento parecido:

o paciente quer aliviar a culpa sem rever a conduta. Não quer rever seus comportamentos, mesmo que o coloquem em risco.

Quer paz sem responsabilidade.

Quer consolo sem transformação.

O problema não é discutir interpretação.

O problema é quando o critério deixa de ser hermenêutico

e passa a ser emocional.

“Isso me ofende” virou argumento final.

Mas maturidade espiritual — assim como maturidade psíquica — exige tolerância à frustração.

Nem tudo que fere é violência.

Às vezes é revelação.

Não se trata de fanatismo.

Nem de intolerância.

Trata-se de honestidade.

Quando começamos a editar aquilo que nos confronta,

corremos o risco de transformar fé em opinião

e espiritualidade em reflexo cultural. Já vemos isso acontecer: igrejas usando metodologia de boates com cores, obstrução do contato com o exterior, som e luzes para dirigir as emoções durante o culto. E tudo começou na simplicidade de uma mesa com venda de bolo e salgadinho. Depois uma bateria mais forte, um solo de guitarra, gritos e agora temos uma absorção do "se funciona lá para manter as pessoas, por que não aqui ?!" 

E, ironicamente, a cirurgia feita para salvar pode terminar esvaziando. Não o vazio de pessoas, mas sim do Espírito Santo de Deus. Esvaziando o conceito moral e o sociopolítico.

Talvez o livro sobre a mesa não precise de bisturi.

Talvez quem esteja na mesa, invisível, sejamos nós, com todas as nossas falhas.

E talvez a pergunta não seja:

“Que parte devemos remover?”

Mas sim:

“Por que essa parte me dói tanto?”

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

Quando o Cérebro Entra no Modo Econômico Uma reflexão pela Psicologia Essencial por Abilio Machado

 


Quando o Cérebro Entra no Modo Econômico

Uma reflexão pela Psicologia Essencial por Abilio Machado 

Esquecer o celular em casa. Voltar do supermercado sem o pão. Perder compromissos simples. No início, rimos. Fazemos piada. Dizemos que estamos “distraídos demais”.

Mas quando esses esquecimentos se tornam frequentes, algo mais profundo pode estar acontecendo — não necessariamente uma doença, mas um cérebro pouco desafiado.

Dentro da Psicologia Essencial, compreendemos o ser humano como uma integração dinâmica entre cognição, emoção, história pessoal e contexto relacional. O cérebro não é apenas um órgão biológico; é também um espaço simbólico onde hábitos, afetos e experiências moldam conexões neurais.

E conexões que não são usadas tendem a perder eficiência.

O Cérebro Precisa de Trabalho

A neurociência contemporânea demonstra que o cérebro mantém capacidade de reorganização ao longo da vida — fenômeno chamado neuroplasticidade. Pesquisas desenvolvidas na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) apontam que estímulos cognitivos constantes fortalecem circuitos neurais relacionados à memória, atenção e funções executivas.

Não exercitar a mente não significa que o cérebro “atrofia” de imediato, mas sim que ele entra em modo de economia. Ele passa a operar com o mínimo necessário. E essa economia se manifesta nos pequenos lapsos do cotidiano.

Atenção: A Porta de Entrada da Memória

Grande parte dos esquecimentos não nasce da memória em si, mas da atenção. Se você não estava realmente atento quando colocou o celular sobre a mesa, o registro neural daquela ação foi superficial.

Estudos em neuropsicologia desenvolvidos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) destacam que a atenção sustentada e o controle inibitório são funções executivas treináveis. Ou seja: podem melhorar com prática direcionada.

Quando vivemos em excesso de estímulos digitais, alternando tarefas a cada poucos segundos, reduzimos nossa capacidade de foco profundo. A mente se acostuma à superficialidade.

E o superficial raramente se consolida como memória duradoura.

Reserva Cognitiva: Um Conceito Fundamental

O conceito de reserva cognitiva, amplamente discutido na literatura científica, sustenta que indivíduos que mantêm vida intelectualmente ativa apresentam maior resistência ao declínio cognitivo.

No Brasil, materiais educativos da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) reforçam que leitura, aprendizado contínuo, interação social e resolução de problemas são fatores protetivos para a saúde cerebral.

Não se trata apenas de envelhecimento. Jovens também apresentam lapsos quando submetidos a rotina automatizada e baixa exigência mental.

Automatização Excessiva: O Paradoxo Moderno

Aplicativos lembram horários. GPS decide rotas. Calculadoras fazem contas simples. Alarmes organizam a vida.

A tecnologia é uma aliada extraordinária — mas quando substitui completamente o esforço mental, reduzimos o exercício natural das funções executivas.

Dentro da Psicologia Essencial, entendemos que autonomia não é apenas liberdade emocional — é também competência cognitiva. Quando terceirizamos demais nossas decisões, diminuímos nossa musculatura psíquica.

Exercitar o Cérebro é um Ato Ético Consigo Mesmo

Estimular a mente não exige grandes estruturas. Exige intencionalidade.

Algumas práticas eficazes:

Aprender algo novo (idioma, instrumento, habilidade manual).

Ler textos que desafiem interpretação.

Escrever à mão.

Resolver problemas sem recorrer imediatamente ao celular.

Realizar testes de atenção e memória.

Praticar presença plena em tarefas simples.

O cérebro responde ao desafio. Ele precisa de novidade, complexidade e significado.

Quando Observar com Mais Atenção

Esquecimentos ocasionais são normais. Porém, quando lapsos se tornam frequentes, persistentes e associados a dificuldade de organização, desorientação ou prejuízo funcional significativo, é importante buscar avaliação profissional.

Nem todo esquecimento é patológico. Mas todo padrão merece investigação.

A Psicologia Essencial não trabalha com alarmismo, mas com consciência. Entre o riso e o alerta, existe a responsabilidade de cuidar da própria mente.

Considerações Finais

O cérebro não enferruja por maldade do tempo. Ele apenas responde ao que oferecemos.

Se oferecemos repetição automática, ele se automatiza.

Se oferecemos desafio e presença, ele se expande.

Esquecer o pão pode ser engraçado.

Esquecer de exercitar a mente pode custar autonomia.

Cuidar do cérebro é preservar identidade, história e capacidade de escolha.

E isso não é luxo — é maturidade.

Referências 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALZHEIMER (ABRAz). Materiais educativos sobre estimulação cognitiva e prevenção do declínio cognitivo. São Paulo, s.d.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG). Pesquisas em neuropsicologia e funções executivas. Belo Horizonte, s.d.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (UNIFESP). Estudos em neurologia cognitiva e reabilitação neuropsicológica. São Paulo, s.d.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Departamento de Neurologia. Pesquisas sobre envelhecimento cognitivo e plasticidade neural. São Paulo, s.d.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

A Flecha que Insiste

 


A Flecha que Insiste

Hoje.

O alvo está ali, firme, redondo, silencioso. As flechas espalhadas pelo chão denunciam tentativas frustradas. Algumas passaram longe. Outras nem chegaram perto. O resultado é desanimador.

Hoje parece que nada dá certo.

Projetos começam e param. Dietas falham na terceira semana. Exercícios duram dez dias. Estudos empolgam na segunda-feira e morrem na quinta. Sonhos se dissolvem na primeira resistência.

A frustração nasce do imediatismo. Queremos acertar o centro antes de aprender a segurar o arco.

Daqui a um mês.

Algumas flechas já se aproximam. Não estão todas no centro, mas já não estão no chão. Há progresso. Pequeno, quase imperceptível para quem espera espetáculo. Mas real.

Constância não produz aplausos rápidos. Produz ajuste fino.

O braço começa a entender a força. O olhar aprende a calcular distância. O corpo memoriza o movimento. O erro deixa de ser fracasso e vira informação.

A maioria desiste exatamente aqui — no meio do processo. Quando ainda não há excelência, mas já não existe a desculpa da ignorância.

Daqui a um ano.

O alvo está marcado. Não por milagre. Não por talento sobrenatural. Mas por repetição.

As flechas se agrupam no centro porque houve disciplina nos dias em que ninguém viu. Porque houve treino quando não havia motivação. Porque houve decisão quando o entusiasmo já tinha ido embora.

A diferença entre o “hoje” e o “daqui a um ano” não é sorte.

É permanência.

Vivemos uma cultura que supervaloriza o resultado e despreza o processo. Admiramos o acerto, mas ignoramos as centenas de tentativas invisíveis que o antecederam. Queremos a flecha no centro sem aceitar as que caíram no chão.

Na clínica, isso aparece o tempo todo. Pessoas que querem mudar padrões emocionais antigos em duas sessões. Que desejam reconstruir autoestima em semanas. Que sonham com maturidade sem atravessar desconforto.

Mas crescimento não é evento. É prática.

O card não fala apenas de metas. Ele fala de identidade. Quem você se torna enquanto insiste?

Hoje você pode estar errando feio.

Daqui a um mês, ajustando a mira.

Daqui a um ano, colhendo o fruto da repetição.

Não é sobre acertar sempre. É sobre não parar de atirar.

A flecha que insiste aprende o caminho do centro.

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

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Google Não é Arco, Diagnóstico Não é Flecha

 


Google Não é Arco, Diagnóstico Não é Flecha

Hoje ele chega com o alvo na mão.

— “Eu já sei o que eu tenho.”

Ansiedade generalizada. TDAH. Transtorno borderline. Depressão atípica. Autismo leve. Narcisismo encoberto. Tudo pesquisado, comparado, confirmado… pelo Google.

Ele quer a flecha no centro antes mesmo de aprender a segurar o arco.

Vivemos a era do autodiagnóstico instantâneo. Sintomas digitados às duas da manhã, vídeos de um minuto que resumem transtornos complexos, testes online que prometem revelar a estrutura da personalidade em cinco perguntas.

A internet oferece informação.

Mas não oferece elaboração.

O paciente chega querendo cura rápida. Quer que a dor cesse como quem toma um analgésico. Quer uma técnica imediata, uma ferramenta pronta, uma resposta fechada. Quer sair do consultório diferente na mesma velocidade com que entrou.

Mas saúde mental não é aplicativo.

É processo.

Na clínica, o “hoje” costuma ser caótico. Emoções desreguladas. Narrativas fragmentadas. Crenças distorcidas. E, muitas vezes, um diagnóstico autoatribuído que funciona mais como identidade do que como hipótese.

O problema do autodiagnóstico não é a curiosidade — essa é legítima. O problema é quando o rótulo vira armadura. Quando o sujeito deixa de investigar sua história porque já acredita saber o final.

Diagnóstico sério é construção cuidadosa. Exige escuta, análise, contexto, história de vida, padrões persistentes. Exige tempo.

E o tempo é exatamente o que a cultura atual menos tolera.

Daqui a um mês de constância clínica, o paciente começa a perceber nuances. Descobre que não é apenas “ansioso”, mas alguém que aprendeu a viver em hipervigilância. Não é simplesmente “borderline”, mas carrega traumas de abandono. Não é só “desatento”, mas talvez sobrecarregado emocionalmente.

O alvo começa a ficar mais claro.

Daqui a um ano, se houver compromisso, o resultado aparece. Não como mágica. Não como promessa vendida em vídeo curto. Mas como transformação gradual: respostas emocionais mais reguladas, escolhas mais conscientes, relações mais equilibradas.

A flecha não acerta o centro porque foi nomeada.

Ela acerta porque foi treinada.

O Google pode até sugerir o alvo.

Mas não ensina a sustentar o arco.

E talvez o maior trabalho clínico hoje seja este: desacelerar o imediatismo, desmontar o rótulo precipitado e convidar o paciente a atravessar o processo.

Porque cura rápida costuma ser alívio temporário.

Transformação exige constância.

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

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Se um dia ...

 Se um dia o médico disser que meu cérebro deixará de funcionar. E que, portanto, de certa forma, minha própria vida se acabará. Quando isso...