sábado, 28 de fevereiro de 2026

Pensando em paz...



 Os sentimentos de paz, de alegria e de esperança têm suas raízes em nossa maneira de pensar e, obviamente, na nossa maneira de agir. Mas, nem sempre, nos damos conta disso.


As nossas crenças a respeito desses sentimentos positivos, nasce, geralmente, das nossas experiências externas.


Quando pensamos ou tratamos da paz, nós a vemos como a ausência de violência entre as pessoas e até entre nações. Mas, não nos lembramos da paz mais importante: a paz interior.


Se pensamos sobre a alegria, nós a ligamos a acontecimentos externos que nos agradam e não a um "estado de espírito" cultivado internamente por nós. Se alimentamos a esperança, logo nós a vinculamos a algum benefício material a ser alcançado.


O certo é que todos nós queremos paz, mas cada um a quer a seu modo, e bem poucos a procuram de verdade, porque, muitas vezes, buscam uma paz conveniente.


Esquecemos de que, para se obter a paz é preciso que vigiemos os nossos pensamentos e emoções, e esta vigília nos traz uma sensação de bem estar, de que não nos falta tanto quanto imaginávamos e de que nosso cérebro está iluminado por possuirmos amor suficiente para ajudar os outros, além de nós mesmos.


Com este dia, e assim pensando, o início do final de semana poderá nos dar a certeza de que nossa vida está segura, pois está nas mãos de Deus. Se assim quisermos!


Paz profunda 

👋😃✌️

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Os percalços do ser: entre o que somos, o que fomos e o que tentamos aparentar

 


Os percalços do ser: entre o que somos, o que fomos e o que tentamos aparentar

Há tropeços que não fazem barulho.

Não deixam hematomas visíveis, nem arrancam aplausos pela superação. São quedas internas, silenciosas, que acontecem quando a imagem que construímos de nós mesmos começa a rachar.

Ser é um verbo exigente.

Desde cedo aprendemos a desempenhar papéis: o filho responsável, a menina exemplar, o adolescente forte, o adulto produtivo. Construímos versões aceitáveis de nós mesmos para sobreviver emocionalmente aos olhares, às críticas e às expectativas. E, pouco a pouco, passamos a confundir adaptação com identidade.

O primeiro grande percalço do ser nasce aí: quando a máscara se torna mais confortável do que o rosto.

O conflito entre essência e adaptação

A psicologia nos mostra que a formação da identidade é atravessada por múltiplas forças: vínculos primários, experiências traumáticas, modelos culturais e crenças internalizadas. Não nos tornamos quem somos apenas por escolha; tornamo-nos também por defesa.

A criança que foi silenciada pode tornar-se o adulto que fala demais para não ser ignorado.

O adolescente que foi ridicularizado pode vestir a armadura da ironia para não ser ferido novamente.

O profissional competente pode esconder um medo constante de não ser suficiente.

Cada mecanismo de proteção, que um dia foi necessário, pode se transformar em obstáculo quando já não corresponde à realidade atual. Eis outro percalço: carregar estratégias antigas em contextos novos.

O peso das expectativas sociais

Vivemos em uma cultura que valoriza desempenho, visibilidade e produtividade. A subjetividade, porém, não se desenvolve na velocidade das metas. O ser não amadurece sob pressão; ele se constrói na elaboração.

A comparação constante — intensificada pelas redes sociais — cria uma sensação permanente de inadequação. O sujeito passa a se medir por recortes idealizados da vida alheia. E então surge a pergunta corrosiva: “Por que eu não sou como deveria ser?”

Esse “deveria” é um dos maiores sabotadores da autenticidade. Ele afasta o indivíduo de sua própria história e o aproxima de um ideal inatingível.

A travessia da dor como possibilidade

Os percalços do ser não são apenas quedas; são também convites.

Toda crise identitária carrega um potencial de reorganização. Quando o sofrimento é escutado — e não negado — ele pode revelar desejos reprimidos, lutos não elaborados e necessidades esquecidas.

Na clínica, é comum perceber que o sintoma não é inimigo, mas mensageiro. Ansiedade, irritabilidade, desânimo crônico — muitas vezes são expressões de um eu que pede reorganização. O sofrimento, nesse sentido, pode ser um chamado à autenticidade.

Não se trata de romantizar a dor, mas de reconhecer sua função estruturante quando acompanhada e elaborada.

O reencontro consigo

Superar os percalços do ser não significa eliminar conflitos. Significa aprender a habitá-los com consciência. É integrar sombras e luzes, limites e potenciais, sem a necessidade de negar partes da própria história.

Ser não é atingir uma versão final e perfeita de si mesmo.

Ser é um processo contínuo de revisão, amadurecimento e reconciliação.

A autenticidade não nasce da ausência de falhas, mas da coragem de reconhecê-las sem perder a dignidade interna.

Talvez o maior desafio da existência não seja tornar-se extraordinário, mas tornar-se verdadeiro.

E isso exige enfrentamento, escuta interna e, muitas vezes, acompanhamento terapêutico. Porque há travessias que não precisam — e não devem — ser feitas sozinhas.

Abilio Machado

Psicanalista | Psicoarteterapeuta C&P | Neuropsicopedagogo ICH

Terapeuta Cognitivo-Comportamental – abordagem integrativa (Psicologia Essencial)

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Entre o Toque e a Fome

 


Entre o Toque e a Fome

Hoje me deparei com uma imagem que não sai da cabeça.

Duas crianças.

À esquerda, um bebê segura um tablet maior que o próprio tronco. O símbolo brilhante denuncia tecnologia, acesso, futuro digital. O olhar é curioso, quase distraído. Há conforto. Há proteção. Há promessa.

À direita, outra criança.

O corpo encolhido, ossos marcados, olhar abatido. O chão é duro. A sombra atrás dela parece maior que sua própria existência. Não há brilho. Não há distração. Há fome.

E entre elas… um abismo.

Não é apenas desigualdade econômica.

É uma diferença político-sociocultural que nos obriga a refletir sobre o que em nós é ético, moral e justo.

Na clínica aprendi que o ser humano cria mecanismos para suportar o que dói. Quando a dor é coletiva, chamamos de estatística. Quando é distante, chamamos de problema social. Quando nos ameaça, chamamos de ideologia.

Mas quando está diante dos nossos olhos… chamamos de quê?

O bebê da tecnologia não é culpado.

A criança da fome não é responsável.

O conflito está em nós.

Psicologicamente, a desigualdade pode produzir anestesia ou culpa.

Espiritualmente, ela revela a qualidade da nossa consciência.

É fácil defender ideias.

Difícil é sustentar coerência.

É confortável consumir inovação.

Desafiador é enfrentar a exclusão.

A fé que professo me lembra que justiça não é discurso inflamado, é cuidado concreto. Que moral não nasce do grupo ao qual pertenço, mas das escolhas que faço quando ninguém está aplaudindo. Que ética não é opinião — é posicionamento diante da dor do outro.

A imagem não condena tecnologia.

Ela denuncia indiferença.

E talvez a pergunta mais honesta não seja sobre sistemas, governos ou partidos.

Talvez seja:

O que essa diferença revela sobre mim?

Porque enquanto uma infância toca telas, outra toca o chão frio.

E a verdadeira batalha não está entre elas.

Está dentro de nós.

📞 Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

(41) 99845-1364

(41) 99635-3923

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A relação com a comida 🥐🥑


 A relação com a comida vai muito além de calorias e dietas. Muita gente acha que “come demais”, quando na verdade só está tentando aliviar um peso que não é físico. 🍽️ A comida vira fuga quando a mente está cansada. Vira recompensa quando você não recebe mais nenhum elogio. Vira anestesia quando o dia exige mais do que você consegue entregar. Vira companhia quando o silêncio pesa. E enquanto ninguém te ensina a enxergar isso, você continua acreditando que o problema é força de vontade — quando, na verdade, é autoconhecimento, regulação emocional e mudança de estilo de vida. Não é sobre contar calorias. É sobre entender por que você come quando não está com fome. É sobre parar de lutar contra você mesma e finalmente recuperar o controle. ✨ Se você sente que está cansada de recomeçar, cansada de se sabotar e pronta pra virar essa chave de vez… o Emagre Ser é o caminho que integra mente, rotina e comportamento — pra você emagrecer por dentro primeiro, e por fora como consequência. 👉 A mudança começa quando você decide entender sua história — não quando tenta compensar no prato.

#emagrecimento #compulsão #terapias

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Que vês? Que sentes?

 


Que vês?

Que sentes?

Levei este card para a sessão sem dizer uma palavra.

A imagem era impactante: um homem de terno alinhado, postura firme… mas com uma caveira no lugar do rosto. Elegante por fora. Mortal por dentro.

Coloquei a imagem entre nós e apenas perguntei:

— Que vês?

A resposta veio rápida:

— Frieza.

Depois, mais baixo:

— Vazio.

Interessante como projetamos.

A caveira pode simbolizar morte, finitude, tempo que passa. Mas também pode representar aquilo que foi despido das máscaras. Sem pele. Sem expressão social. Apenas estrutura.

Quantas pessoas vestem ternos emocionais?

Quantos sorrisos são apenas ossatura social?

Quantas performances escondem exaustão, luto, medo de não ser suficiente?

Na sessão, trabalhávamos a sensação de viver no automático. Alta performance. Reconhecimento externo. E, internamente, uma aridez difícil de nomear.

Perguntei então:

— Que sentes ao olhar?

Silêncio prolongado.

— Angústia… parece que está vivo, mas já morreu por dentro.

Nem sempre a morte é literal. Às vezes morre o entusiasmo. Morre o sonho antigo. Morre a espontaneidade esmagada por exigências excessivas.

Na Psicologia Essencial, trabalhamos justamente essa dissociação entre imagem e essência. Entre o que se apresenta ao mundo e o que pulsa — ou deixou de pulsar — no íntimo.

O card não falava sobre morte física. Falava sobre autenticidade. Sobre o risco de viver apenas para sustentar uma imagem. Sobre o preço emocional de não acessar a própria humanidade.

E termino como terminei na sessão:

Talvez a pergunta não seja apenas “Que vês?”

Mas… há quanto tempo você não se permite sentir?

Se você percebe que está funcionando por fora e se esvaziando por dentro, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para reconectar-se com aquilo que ainda pode florescer.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

📲 Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

“Arrisque-se! Pois tudo que é bom começa com um pouco de medo.”



 “Arrisque-se! Pois tudo que é bom começa com um pouco de medo.”

Levei esse card para a sessão dobrado como um bilhete simples.

Coloquei sobre a mesa e pedi que a pessoa lesse em voz alta.

Ela sorriu de canto.

— Fácil falar.

E é mesmo.

O medo não é inimigo. Ele é sinal de fronteira. Sempre que estamos prestes a sair do território conhecido, ele aparece. O corpo reage. A mente cria cenários. A memória resgata fracassos antigos como se fossem profecias.

Naquele atendimento, trabalhávamos a dificuldade de dar um passo importante — uma mudança profissional que já fazia sentido racionalmente, mas ainda não tinha autorização emocional.

Perguntei:

— Se não houvesse medo, isso ainda seria importante?

Silêncio.

O que é irrelevante não nos assusta. O que é pequeno não nos desafia. O medo, muitas vezes, é o preço da expansão.

Na Psicologia Essencial, não ensinamos a eliminar o medo, mas a dialogar com ele. O medo pode ser prudência, pode ser trauma, pode ser crença limitante. Precisamos discernir. Há medos que protegem. Outros apenas repetem histórias antigas.

Arriscar-se não é agir de forma impulsiva. É escolher conscientemente apesar do desconforto. É entender que a coragem não é ausência de medo — é movimento com ele presente.

Ao final da sessão, reformulei a frase do bilhete:

Talvez tudo que é bom comece não apenas com medo…

Mas com decisão.

Se você sente que está paralisado diante de escolhas importantes, talvez seja hora de compreender o que esse medo está tentando dizer — e o que ele já não precisa mais controlar.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

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“Acho que me curei demais. Agora eu não gosto de ninguém.”




 “Acho que me curei demais.

Agora eu não gosto de ninguém.”

Usei esse card em sessão esta semana.

Mostrei a imagem — um homem sentado sobre um galho, olhando para uma vila coberta de névoa. Distante. Isolado. Como se estivesse acima de tudo… e, ao mesmo tempo, fora de tudo.

Perguntei:

— O que você vê?

Ele respondeu:

— Alguém que se cansou.

Silêncio.

Às vezes, quando alguém diz “não gosto de ninguém”, não está falando sobre as pessoas. Está falando sobre decepção acumulada. Está falando sobre expectativa frustrada. Está falando sobre ter se entregado demais sem ter recebido o mínimo necessário de volta.

“Me carei demais” — expressão forte. Cuidou demais. Se doou demais. Se adaptou demais. Se anulou demais.

Quando o cuidado não tem limite, ele deixa de ser virtude e começa a ser abandono de si.

Na sessão, trabalhamos algo essencial: a diferença entre amar e se dissolver. Entre ser generoso e ser invisível. Entre acolher o outro e se abandonar no processo.

Muitas vezes, o “não gosto de ninguém” é apenas um mecanismo de defesa. Uma tentativa de proteger um coração exausto. Porque, se eu não gosto, eu não me envolvo. Se eu não me envolvo, eu não me machuco.

Mas o isolamento também machuca.

O homem na árvore não está apenas observando a vila. Ele está evitando descer. E descer significa correr riscos. Significa confiar de novo. Significa reaprender a colocar limites.

No final da sessão, eu disse algo que também deixo aqui:

Talvez você não tenha deixado de gostar das pessoas.

Talvez você só precise aprender a gostar de si primeiro — o suficiente para não se abandonar outra vez.

Se você sente que está emocionalmente cansado, ressentido ou fechado por experiências passadas, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para reconstruir vínculos — começando pelo vínculo consigo mesmo.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

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Você é seu maior adversário...



 A imagem é forte: um lobo em meio à neve, cabeça erguida, uivando para a noite. Sobre ele, a frase: “Você é seu maior adversário.”

Não é sobre guerra externa.

É sobre a batalha silenciosa que travamos por dentro.

O maior embate raramente acontece na rua, no trabalho ou nas relações. Ele acontece no território invisível dos pensamentos. É ali que surgem as vozes que diminuem, os medos que paralisam, as crenças que nos sabotam antes mesmo da tentativa.

Quantas vezes você deixou de avançar não por falta de capacidade, mas por excesso de autocrítica?

Quantas oportunidades se perderam porque a insegurança falou mais alto que a coragem?

Existe dentro de nós um lobo que protege — instinto, força, sobrevivência.

Mas também existe aquele que ataca — culpa, orgulho ferido, medo de fracassar, necessidade de aprovação.

Na Psicologia Essencial, compreendemos que não se trata de eliminar partes de si, mas de integrá-las. O adversário interno não precisa ser destruído; ele precisa ser compreendido. Muitas vezes, aquilo que hoje sabota foi, um dia, mecanismo de defesa.

O problema é quando a defesa se torna prisão.

O lobo uiva porque precisa expressar o que carrega. Nós adoecemos quando silenciamos demais. O autoconhecimento é o caminho para transformar o conflito interno em crescimento consciente.

Ser seu maior adversário é permanecer inconsciente de si.

Ser seu maior aliado é assumir responsabilidade pela própria história.

A pergunta não é se há uma batalha dentro de você.

A pergunta é: quem está conduzindo essa luta?

Se você sente que precisa compreender melhor seus conflitos internos, ressignificar experiências e fortalecer sua autonomia emocional, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para esse processo.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A Cirurgia no Texto Sagrado

 


A Cirurgia no Texto Sagrado

Hoje vi uma cena curiosa. 

Uma sala cirúrgica. Luzes acesas. Instrumentos esterilizados.

E sobre a mesa… não estava um corpo. Estava um livro.

Uma Bíblia.

Os “cirurgiões” não usavam bisturi para salvar — mas para remover.

“Vamos tirar essa parte sobre pecado. Muito ofensivo.”

“Esse texto sobre inferno… fora também.”

“O casamento está desatualizado.”

"A família tem que ser removida com certeza."

E ali, sob o foco da luz, não se operava uma doença.

Operava-se o desconforto.

A geração que não suporta incômodo decidiu anestesiar o texto.

Mas talvez o problema nunca tenha sido o texto —

e sim o espelho que ele se tornou. Como pensamentos intrusivos que dizem, se não deu certo para mim este relacionamento não vai dar para todos, se minha família é disfuncional quero que todas sejam, se me dá prazer não pode ser pecado. "Quem nunca, né?!"

Na clínica aprendi algo semelhante:

quando algo dói demais, a tendência não é tratar a ferida,

é eliminar o diagnóstico.

Se a palavra confronta, corta-se a palavra.

Se o princípio desafia, remove-se o princípio.

Se a verdade incomoda, chama-se de preconceito. Críticas viram fobias. A própria dúvida sobre a identidade cria um aparato de defesa.

Mas toda cirurgia tem consequência.

Ao retirar partes essenciais, o que sobra não é cura — é mutilação.

O curioso é que ninguém ali parecia odiar o livro.

Pelo contrário, queriam torná-lo “aceitável”, “inclusivo”, “atual”.

Queriam adaptá-lo ao tempo.

Só esqueceram que a função de um texto sagrado nunca foi se adaptar ao homem —

mas confrontá-lo.

Na terapia vejo movimento parecido:

o paciente quer aliviar a culpa sem rever a conduta. Não quer rever seus comportamentos, mesmo que o coloquem em risco.

Quer paz sem responsabilidade.

Quer consolo sem transformação.

O problema não é discutir interpretação.

O problema é quando o critério deixa de ser hermenêutico

e passa a ser emocional.

“Isso me ofende” virou argumento final.

Mas maturidade espiritual — assim como maturidade psíquica — exige tolerância à frustração.

Nem tudo que fere é violência.

Às vezes é revelação.

Não se trata de fanatismo.

Nem de intolerância.

Trata-se de honestidade.

Quando começamos a editar aquilo que nos confronta,

corremos o risco de transformar fé em opinião

e espiritualidade em reflexo cultural. Já vemos isso acontecer: igrejas usando metodologia de boates com cores, obstrução do contato com o exterior, som e luzes para dirigir as emoções durante o culto. E tudo começou na simplicidade de uma mesa com venda de bolo e salgadinho. Depois uma bateria mais forte, um solo de guitarra, gritos e agora temos uma absorção do "se funciona lá para manter as pessoas, por que não aqui ?!" 

E, ironicamente, a cirurgia feita para salvar pode terminar esvaziando. Não o vazio de pessoas, mas sim do Espírito Santo de Deus. Esvaziando o conceito moral e o sociopolítico.

Talvez o livro sobre a mesa não precise de bisturi.

Talvez quem esteja na mesa, invisível, sejamos nós, com todas as nossas falhas.

E talvez a pergunta não seja:

“Que parte devemos remover?”

Mas sim:

“Por que essa parte me dói tanto?”

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

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Quando o Cérebro Entra no Modo Econômico Uma reflexão pela Psicologia Essencial por Abilio Machado

 


Quando o Cérebro Entra no Modo Econômico

Uma reflexão pela Psicologia Essencial por Abilio Machado 

Esquecer o celular em casa. Voltar do supermercado sem o pão. Perder compromissos simples. No início, rimos. Fazemos piada. Dizemos que estamos “distraídos demais”.

Mas quando esses esquecimentos se tornam frequentes, algo mais profundo pode estar acontecendo — não necessariamente uma doença, mas um cérebro pouco desafiado.

Dentro da Psicologia Essencial, compreendemos o ser humano como uma integração dinâmica entre cognição, emoção, história pessoal e contexto relacional. O cérebro não é apenas um órgão biológico; é também um espaço simbólico onde hábitos, afetos e experiências moldam conexões neurais.

E conexões que não são usadas tendem a perder eficiência.

O Cérebro Precisa de Trabalho

A neurociência contemporânea demonstra que o cérebro mantém capacidade de reorganização ao longo da vida — fenômeno chamado neuroplasticidade. Pesquisas desenvolvidas na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) apontam que estímulos cognitivos constantes fortalecem circuitos neurais relacionados à memória, atenção e funções executivas.

Não exercitar a mente não significa que o cérebro “atrofia” de imediato, mas sim que ele entra em modo de economia. Ele passa a operar com o mínimo necessário. E essa economia se manifesta nos pequenos lapsos do cotidiano.

Atenção: A Porta de Entrada da Memória

Grande parte dos esquecimentos não nasce da memória em si, mas da atenção. Se você não estava realmente atento quando colocou o celular sobre a mesa, o registro neural daquela ação foi superficial.

Estudos em neuropsicologia desenvolvidos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) destacam que a atenção sustentada e o controle inibitório são funções executivas treináveis. Ou seja: podem melhorar com prática direcionada.

Quando vivemos em excesso de estímulos digitais, alternando tarefas a cada poucos segundos, reduzimos nossa capacidade de foco profundo. A mente se acostuma à superficialidade.

E o superficial raramente se consolida como memória duradoura.

Reserva Cognitiva: Um Conceito Fundamental

O conceito de reserva cognitiva, amplamente discutido na literatura científica, sustenta que indivíduos que mantêm vida intelectualmente ativa apresentam maior resistência ao declínio cognitivo.

No Brasil, materiais educativos da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) reforçam que leitura, aprendizado contínuo, interação social e resolução de problemas são fatores protetivos para a saúde cerebral.

Não se trata apenas de envelhecimento. Jovens também apresentam lapsos quando submetidos a rotina automatizada e baixa exigência mental.

Automatização Excessiva: O Paradoxo Moderno

Aplicativos lembram horários. GPS decide rotas. Calculadoras fazem contas simples. Alarmes organizam a vida.

A tecnologia é uma aliada extraordinária — mas quando substitui completamente o esforço mental, reduzimos o exercício natural das funções executivas.

Dentro da Psicologia Essencial, entendemos que autonomia não é apenas liberdade emocional — é também competência cognitiva. Quando terceirizamos demais nossas decisões, diminuímos nossa musculatura psíquica.

Exercitar o Cérebro é um Ato Ético Consigo Mesmo

Estimular a mente não exige grandes estruturas. Exige intencionalidade.

Algumas práticas eficazes:

Aprender algo novo (idioma, instrumento, habilidade manual).

Ler textos que desafiem interpretação.

Escrever à mão.

Resolver problemas sem recorrer imediatamente ao celular.

Realizar testes de atenção e memória.

Praticar presença plena em tarefas simples.

O cérebro responde ao desafio. Ele precisa de novidade, complexidade e significado.

Quando Observar com Mais Atenção

Esquecimentos ocasionais são normais. Porém, quando lapsos se tornam frequentes, persistentes e associados a dificuldade de organização, desorientação ou prejuízo funcional significativo, é importante buscar avaliação profissional.

Nem todo esquecimento é patológico. Mas todo padrão merece investigação.

A Psicologia Essencial não trabalha com alarmismo, mas com consciência. Entre o riso e o alerta, existe a responsabilidade de cuidar da própria mente.

Considerações Finais

O cérebro não enferruja por maldade do tempo. Ele apenas responde ao que oferecemos.

Se oferecemos repetição automática, ele se automatiza.

Se oferecemos desafio e presença, ele se expande.

Esquecer o pão pode ser engraçado.

Esquecer de exercitar a mente pode custar autonomia.

Cuidar do cérebro é preservar identidade, história e capacidade de escolha.

E isso não é luxo — é maturidade.

Referências 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALZHEIMER (ABRAz). Materiais educativos sobre estimulação cognitiva e prevenção do declínio cognitivo. São Paulo, s.d.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG). Pesquisas em neuropsicologia e funções executivas. Belo Horizonte, s.d.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (UNIFESP). Estudos em neurologia cognitiva e reabilitação neuropsicológica. São Paulo, s.d.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Departamento de Neurologia. Pesquisas sobre envelhecimento cognitivo e plasticidade neural. São Paulo, s.d.

Abilio Machado

Psicoterapeuta – Psicologia Essencial

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

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A Flecha que Insiste

 


A Flecha que Insiste

Hoje.

O alvo está ali, firme, redondo, silencioso. As flechas espalhadas pelo chão denunciam tentativas frustradas. Algumas passaram longe. Outras nem chegaram perto. O resultado é desanimador.

Hoje parece que nada dá certo.

Projetos começam e param. Dietas falham na terceira semana. Exercícios duram dez dias. Estudos empolgam na segunda-feira e morrem na quinta. Sonhos se dissolvem na primeira resistência.

A frustração nasce do imediatismo. Queremos acertar o centro antes de aprender a segurar o arco.

Daqui a um mês.

Algumas flechas já se aproximam. Não estão todas no centro, mas já não estão no chão. Há progresso. Pequeno, quase imperceptível para quem espera espetáculo. Mas real.

Constância não produz aplausos rápidos. Produz ajuste fino.

O braço começa a entender a força. O olhar aprende a calcular distância. O corpo memoriza o movimento. O erro deixa de ser fracasso e vira informação.

A maioria desiste exatamente aqui — no meio do processo. Quando ainda não há excelência, mas já não existe a desculpa da ignorância.

Daqui a um ano.

O alvo está marcado. Não por milagre. Não por talento sobrenatural. Mas por repetição.

As flechas se agrupam no centro porque houve disciplina nos dias em que ninguém viu. Porque houve treino quando não havia motivação. Porque houve decisão quando o entusiasmo já tinha ido embora.

A diferença entre o “hoje” e o “daqui a um ano” não é sorte.

É permanência.

Vivemos uma cultura que supervaloriza o resultado e despreza o processo. Admiramos o acerto, mas ignoramos as centenas de tentativas invisíveis que o antecederam. Queremos a flecha no centro sem aceitar as que caíram no chão.

Na clínica, isso aparece o tempo todo. Pessoas que querem mudar padrões emocionais antigos em duas sessões. Que desejam reconstruir autoestima em semanas. Que sonham com maturidade sem atravessar desconforto.

Mas crescimento não é evento. É prática.

O card não fala apenas de metas. Ele fala de identidade. Quem você se torna enquanto insiste?

Hoje você pode estar errando feio.

Daqui a um mês, ajustando a mira.

Daqui a um ano, colhendo o fruto da repetição.

Não é sobre acertar sempre. É sobre não parar de atirar.

A flecha que insiste aprende o caminho do centro.

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

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Google Não é Arco, Diagnóstico Não é Flecha

 


Google Não é Arco, Diagnóstico Não é Flecha

Hoje ele chega com o alvo na mão.

— “Eu já sei o que eu tenho.”

Ansiedade generalizada. TDAH. Transtorno borderline. Depressão atípica. Autismo leve. Narcisismo encoberto. Tudo pesquisado, comparado, confirmado… pelo Google.

Ele quer a flecha no centro antes mesmo de aprender a segurar o arco.

Vivemos a era do autodiagnóstico instantâneo. Sintomas digitados às duas da manhã, vídeos de um minuto que resumem transtornos complexos, testes online que prometem revelar a estrutura da personalidade em cinco perguntas.

A internet oferece informação.

Mas não oferece elaboração.

O paciente chega querendo cura rápida. Quer que a dor cesse como quem toma um analgésico. Quer uma técnica imediata, uma ferramenta pronta, uma resposta fechada. Quer sair do consultório diferente na mesma velocidade com que entrou.

Mas saúde mental não é aplicativo.

É processo.

Na clínica, o “hoje” costuma ser caótico. Emoções desreguladas. Narrativas fragmentadas. Crenças distorcidas. E, muitas vezes, um diagnóstico autoatribuído que funciona mais como identidade do que como hipótese.

O problema do autodiagnóstico não é a curiosidade — essa é legítima. O problema é quando o rótulo vira armadura. Quando o sujeito deixa de investigar sua história porque já acredita saber o final.

Diagnóstico sério é construção cuidadosa. Exige escuta, análise, contexto, história de vida, padrões persistentes. Exige tempo.

E o tempo é exatamente o que a cultura atual menos tolera.

Daqui a um mês de constância clínica, o paciente começa a perceber nuances. Descobre que não é apenas “ansioso”, mas alguém que aprendeu a viver em hipervigilância. Não é simplesmente “borderline”, mas carrega traumas de abandono. Não é só “desatento”, mas talvez sobrecarregado emocionalmente.

O alvo começa a ficar mais claro.

Daqui a um ano, se houver compromisso, o resultado aparece. Não como mágica. Não como promessa vendida em vídeo curto. Mas como transformação gradual: respostas emocionais mais reguladas, escolhas mais conscientes, relações mais equilibradas.

A flecha não acerta o centro porque foi nomeada.

Ela acerta porque foi treinada.

O Google pode até sugerir o alvo.

Mas não ensina a sustentar o arco.

E talvez o maior trabalho clínico hoje seja este: desacelerar o imediatismo, desmontar o rótulo precipitado e convidar o paciente a atravessar o processo.

Porque cura rápida costuma ser alívio temporário.

Transformação exige constância.

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

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O Coração no Micro-ondas

 

O Coração no Micro-ondas

Hoje, sentado diante do paciente, percebo o gesto mais comum do século: ele segura um coração imaginário, coloca no micro-ondas e aperta “start”.

“Doutor, quero que pare de doer. Já tentei respirar, meditar, escrever… nada adianta. Preciso que seja rápido.”

O micro-ondas da alma é uma metáfora silenciosa da nossa urgência patológica: a pressa pela cura.

O paciente acredita que sofrimento tem prazo de validade, que dor pode ser aquecida, descongelada e servida pronta. Que emoção pode ser acelerada como comida industrial. Que crescimento acontece em minutos, como café instantâneo.

Enquanto ele espera, esquece de perceber o calor real da transformação: o tempo.

Esquece que o amor próprio e a maturidade emocional não se cozem no mesmo ciclo do forno de micro-ondas.

Esquece que cada tentativa frustrada é uma lição, não um fracasso.

Na clínica, vejo isso todos os dias: seres humanos modernos buscando resultados imediatos. Tentando driblar a constância. Pulando etapas. Ignorando o processo.

Mas a cura não é um eletrodoméstico. Não é prática instantânea. Não responde a impulsos e botões. Ela exige ritmo, presença e paciência.

O micro-ondas continua lá, ligado, aquecendo o coração que nunca vai ficar pronto tão rápido quanto a ansiedade espera. Mas o paciente, se quiser, pode colocar outro utensílio na mesa: a escuta, a reflexão, a prática diária. A paciência.

Cada sessão é um minuto que aquece sem pressa. Cada insight é uma onda que penetra gradualmente. Cada lágrima, cada silêncio, cada exercício de observação interna é o calor real da mudança.

E aos poucos, o paciente percebe:

não é o coração que precisa ser aquecido rápido.

É o próprio paciente que precisa aprender a estar com ele, sentir o ritmo da dor, acolher o desconforto, respeitar o tempo do crescimento.

O micro-ondas serve apenas de alerta.

A terapia serve de ponte.

E a cura, se houver constância, se realiza no ritmo do próprio coração.

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

📞 41 99845-1364 | 41 99635-3923

Instagram: @psicoterapeutaabiliomachado

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Limites saudáveis reduzem o Burnout


 Limites saudáveis reduzem burnout, ansiedade e depressão; relacionamentos tóxicos desconsideram limites repetidamente; limites sem consequência viram apenas sugestões que serão ignoradas; e autoconsciência das próprias necessidades é pré-requisito para estabelecer qualquer limite funcional.


A metáfora de ser o CEO da própria vida funciona, mas só funciona se você agir como CEO. CEO não mantém funcionário que sabota constantemente. CEO não promove quem entrega menos. CEO não coloca todo mundo no mesmo nível só por medo de parecer cruel.


Aceitar as pessoas como elas são não significa aceitar qualquer comportamento. Significa reconhecer que o amigo sempre vai pedir dinheiro se você sempre emprestar, que o ex sempre vai ligar tarde da noite se você sempre atender; que o colega sempre vai pedir pra você fazer o trabalho dele se você sempre aceitar.


Aceitar como elas são é entender o padrão. Colocar cada uma no lugar que merece é aplicar consequência ao padrão. O problema não é que ele seja bondoso; é que ele confunde bondade com disponibilidade ilimitada. Bondade tem limite. Precisa ter. Porque, sem limite, bondade vira autossacrifício. E autossacrifício não constrói relacionamento saudável: constrói ressentimento disfarçado de martírio.


Ele precisa aprender que dizer “não” para o outro, às vezes, é dizer “sim” para si. Que decepcionar alguém não é crime. E que, se a pessoa só fica quando você atende todos os pedidos, ela nunca ficou por você, ficou pelo que você faz.


CEO contrata com base em competência, demite com base em desempenho, promove com base em entrega. Ele precisa fazer o mesmo. Não de forma cruel, mas de forma clara. Se a pessoa entrega respeito, reciprocidade e consideração, ela fica perto. Se entrega cobrança, manipulação e desrespeito, ela fica longe. Simples assim.

A aprovação automática na educação

 

A vida real não passa ninguém de ano automaticamente. 


Ao impedirmos a reprovação escolar, ensinamos às crianças que não existe lei de causa e consequência. 


O mercado de trabalho e a vida adulta não têm "aprovação automática"; eles cobram o preço do despreparo.


A cada dia nossa educação perde ... E todas as camadas tem gostado de não ter mais este esforço no ensinar e no aprender...


Qual sua opinião???

#educacao #metodologia

A Curva da Banana 🍌

 


A Curva da Banana

Há algo profundamente honesto em uma banana.

Ela não disfarça seu processo. Não mascara suas manchas. Não esconde sua maturação. Vai do verde ao amarelo, do amarelo ao dourado intenso, do dourado às marcas, das marcas ao escurecimento. Sem maquiagem. Sem filtros.

“Seja humilde. Você não vai estar em alta para sempre.”

O card diz isso com simplicidade, mas a imagem diz com ironia: a fruta que hoje está perfeita amanhã estará madura demais. E depois… esquecida no canto da fruteira.

Vivemos numa cultura que idolatra o amarelo vibrante — o auge. A fase em que tudo parece no ponto ideal. Aparência impecável, reconhecimento, sucesso, aplausos. Mas esquecemos que o tempo não negocia com ninguém. Ele apenas passa.

A psique humana sofre quando acredita que o auge é permanente. A soberba nasce exatamente aí: na ilusão de estabilidade. Quando alguém está “em alta”, corre o risco de confundir fase com identidade. Esquece que está vivendo um momento, não ocupando um trono eterno.

E o mais curioso: a banana mais doce não é a mais bonita. É aquela já pintada de pequenas manchas. A maturidade real não é estética; é interna. O sabor aprofunda quando a casca já não impressiona tanto.

Há pessoas que, no início da vida, são verdes demais — inseguras, rígidas, duras. Outras florescem no amarelo do reconhecimento. Algumas atravessam o dourado com elegância. E quase todos, cedo ou tarde, conhecerão o escurecimento: perdas, quedas, esquecimento, silêncio.

A questão não é evitar o ciclo. É atravessá-lo com consciência.

Humildade não é se diminuir. É lembrar-se de que somos processuais. Que hoje podemos estar no centro da mesa e amanhã seremos apenas memória do que já fomos. Que aplausos são transitórios, cargos são temporários, elogios têm prazo de validade.

A soberba teme o escurecimento. A humildade entende que ele faz parte da maturação.

Há algo profundamente libertador nisso. Quando aceito que não estarei “em alta” para sempre, deixo de competir obsessivamente. Começo a valorizar mais o sabor do que a aparência. A essência mais do que a vitrine.

E talvez o maior aprendizado seja este: não se trata de permanecer amarelo para sempre. Trata-se de ser inteiro em cada fase.

Verde, aprendendo.

Amarelo, brilhando.

Manchado, amadurecendo.

Escuro, cumprindo o ciclo.

Olho para as quatro bananas do card e vejo a biografia de qualquer ser humano. E penso que a humildade é simplesmente a consciência de que somos todos fruta do tempo.

Hoje podemos estar no auge. Amanhã seremos parte da compostagem da vida — alimentando novos ciclos.

E isso não é tragédia.

É natureza.

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

Contato para palestras e atendimentos: 41 998451364 - 41 996353923

Instagram: (inserir @psicoterapeutaabiliomachado

Asas Próprias

 


Asas Próprias

Há uma cena silenciosa que sempre me comove: um pássaro parado no fio, olhando o horizonte como quem mede a própria coragem. Ele não consulta o vento. Não pede autorização às nuvens. Não protocola seu desejo no cartório do medo. Apenas abre as asas — e vai.

“Não peça permissão para voar. As asas são suas. E o céu não pertence a ninguém.”

Essa frase parece simples, mas carrega uma revolução íntima. Fomos ensinados, muitas vezes, a solicitar aval para existir. A família opina, a sociedade julga, a religião delimita, o mercado enquadra. Aos poucos, vamos entregando nossas penas em troca de aceitação. Quando percebemos, estamos domesticados no próprio ninho.

Como psicanalista e arte-educador, escuto diariamente histórias de pessoas que aprenderam a pedir licença para sentir, para escolher, para mudar. Pedem autorização para dizer “não”. Pedem consentimento para amar. Pedem sinal verde para sonhar diferente do roteiro que lhes foi imposto. E a pergunta que ecoa, quase infantilizada pelo medo, é sempre a mesma: “Posso?”

Há algo profundamente simbólico nas asas. Elas não são apenas instrumentos de voo; são metáforas da autonomia psíquica. Ter asas é reconhecer que há em nós uma potência anterior ao aplauso e posterior à crítica. É compreender que identidade não se negocia como mercadoria.

O céu, por sua vez, é esse espaço de possibilidades. Ninguém pode cercá-lo. Ninguém pode registrar em cartório a amplidão. Quando alguém tenta nos convencer de que o céu tem dono, está, na verdade, projetando o próprio medo de voar.

Escrevo de Campo Largo, no Paraná. E sempre me chama atenção como o próprio nome da cidade já sugere abertura: campo é extensão, largo é amplitude. Talvez por isso eu acredite tanto que horizonte não foi feito para ser contemplado apenas — foi feito para ser atravessado.

Pedir permissão excessiva revela, muitas vezes, uma história marcada por invalidações. Crianças que ouviram que eram “demais” ou “de menos”. Jovens ensinados a caber. Adultos que desaprenderam a confiar na própria bússola interna. E então se instala uma prisão invisível: a necessidade constante de aprovação.

Mas maturidade emocional é aceitar que desagradar faz parte do voo. Toda decolagem desloca o ar. Nem todos compreenderão sua altitude. Alguns preferem a segurança do galho conhecido. Outros criticam quem se aventura, porque a liberdade alheia confronta suas próprias gaiolas.

Voar não é rebeldia vazia. É responsabilidade. Quem assume as próprias asas assume também as consequências do trajeto. Não há garantias contra tempestades. Contudo, há dignidade em escolher a direção.

Do ponto de vista espiritual, há algo ainda mais profundo: se fomos criados com asas simbólicas — talentos, desejos, vocações — quem somos nós para amputá-las por medo da opinião humana? O céu não pertence às estruturas de controle; pertence ao mistério, à liberdade e à confiança.

Talvez o maior ato de coragem seja simples: parar de pedir autorização para ser quem se é. Não se trata de arrogância, mas de inteireza. Não é sobre impor-se, mas sobre não se diminuir.

Olho novamente para o pássaro do card. Ele não faz discursos. Não reivindica direitos. Apenas voa.

E isso basta.

Abilio Machado

Psicanalista e Arte-educador

Campo Largo – Paraná

Contato para palestras e atendimentos: 41 997451364 -:41 996353923

Instagram: (inserir @psicoterapeutaabiliomachado

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Sobre o isolamento...

 


A psicologia moderna acaba de absolver quem prefere o silêncio da própria companhia ao barulho das multidões. Evitar eventos sociais não é necessariamente um defeito de personalidade ou timidez, mas um mecanismo avançado de defesa contra a hipocrisia.


Estudos sobre sensibilidade sensorial revelam que pessoas com alta inteligência emocional possuem um "filtro de tolerância" muito mais restrito. Enquanto a maioria suporta interações superficiais por convenção social, o cérebro desses indivíduos interpreta conversas forçadas e dramas desnecessários como uma agressão direta ao sistema nervoso.


O isolamento seletivo, portanto, não é fuga, é higiene mental. É uma escolha deliberada pela paz em vez da "performance social". Ao recusar convites, você não está rejeitando as pessoas, mas sim protegendo sua energia de ambientes que exigem um teatro emocional que você não está mais disposto a encenar. Preferir a calma à popularidade não é solidão, é autopreservação.


#históriailimitada #psicologia #saúdemental #comportamento #sociedade

domingo, 8 de fevereiro de 2026

"Será que fui suficiente?”

" ...às vezes eu acho que não fui e não estou sendo um bom pai... Vejo outras famílias e é inevitável a comparação, aquelas onde os pais maltratam, batem, negligenciam, não dão atenção, parece que geram uma união e uma dependência maior ..."



Essa imagem dói num lugar silencioso.

Não grita. Não acusa. Ela se encolhe.

Um pai curvado sobre si mesmo vira abrigo. O corpo cansado vira teto. O frio cai do lado de fora enquanto, ali dentro, duas crianças aprendem cedo demais o que é mundo. Não há heroísmo explícito. Há exaustão. Há medo. Há amor tentando dar conta do impossível.

E é aí que nasce essa dúvida que você confessa — e que quase todo pai que ama carrega escondida no bolso do peito:

“Será que fui suficiente?”

“Será que estou sendo um bom pai?”

A comparação vem como uma armadilha moral. A gente olha para famílias partidas, violentas, negligentes, e algo profundamente desconcertante acontece: os filhos parecem mais unidos, mais dependentes, mais colados uns nos outros. Como se a dor tivesse criado um pacto. Como se o abandono tivesse virado cola.

Mas essa união não é virtude — é sobrevivência.

A violência, o medo e a ausência não produzem laço saudável; produzem necessidade. Produzem crianças que se agarram porque não há chão. Produzem vínculos baseados em urgência, não em escolha. É o amor que nasce da falta, não do cuidado.

O pai da imagem não está criando dependência. Ele está oferecendo algo muito mais raro e, paradoxalmente, menos visível: segurança.

E segurança não gera gratidão imediata. Segurança não vira discurso bonito. Segurança, muitas vezes, passa despercebida. Porque quando ela existe, a criança não precisa gritar por ela.

Pais que batem, negligenciam ou ferem deixam marcas barulhentas. Pais que protegem deixam marcas silenciosas — tão silenciosas que o próprio pai duvida se deixou alguma.

Ser um bom pai não é ser perfeito, nem ser o centro da vida do filho. É ser teto quando o mundo desaba. É ser corpo cansado que aguenta mais um pouco. É errar pedindo desculpa. É amar mesmo com medo de falhar. É oferecer o melhor que se tinha — mesmo quando o melhor parecia pouco.

Talvez seus filhos não dependam de você da forma dramática que outras crianças dependem de pais ausentes.

E isso não é fracasso.

Isso é sucesso invisível.

A imagem diz “agradeça”.

Mas talvez o recado mais honesto seja outro:

perdoe-se.

Porque quem se pergunta se foi um bom pai… geralmente já estava tentando ser.

Como a ansiedade noa afeta !

 


A verdade é que a ansiedade pode afetar a nossa mente em todos os aspectos possíveis...


Muitas pessoas chegam ao meu consultório médico desesperadas, porque acham que estão com um problema neurológico grave, um tumor ou algo do tipo, e na verdade, após a consulta podemos identificar que estão enfrentando algum tipo de ansiedade


Queixam-se de dificuldade para se concentrar nas atividades diárias, esquecimentos, dor de cabeça, mente cansada e pesada...


E a maioria demorou a buscar ajuda profissional porque tinha medo, vergonha ou porque não imaginava que a ansiedade poderia causar todos esses sintomas!


Se você está passando por algo do tipo e ainda não começou um tratamento adequado, não deixe para depois!


Os transtornos de ansiedade além de prejudicarem a mente, também podem causar doenças em todos os locais do nosso corpo !!


Para saber como posso te ajudar a enfrentar a ansiedade através do meu acompanhamento médico personalizado, entre em contato:

Psicoterapeuta Abilio Machado 

Psicanalista Abilio Machado 


Ajudo você a construir uma mente saudável!


#Psicoarteterapeuta #psicanalista  #ensinamentosdopapainoel #entenderparatransformar #neuropsicopedagogo #terapiasintegrativas #terapeutacognitivocomportamental

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A esquizofrenia não "surge" do nada.

 


A esquizofrenia não "surge" do nada. Ela geralmente mostra sinais anos antes, em um período que chamamos de Fase Prodrômica.

🧠 Imagine que nossa mente organiza as informações do mundo como um quebra-cabeça em constante montagem. 

Nos sintomas prodrômicos, algumas peças começam a parecer que não se encaixam como antes, ou cores de cenários diferentes se misturam. 

Identificar essas pequenas peças é o que permite ajudar a pessoa a reorganizar sua vivência com segurança.


🚩 O "Retraimento" diferente na adolescência 

Muitos confundem com a rebeldia típica, mas observe a intensidade:

 🔸️O isolamento social: Aquele jovem que era sociável e, de repente, abandona o grupo de amigos e prefere ficar trancado no quarto por semanas, sem interesse em hobbies antigos.

🔸️Queda no rendimento escolar: Uma dificuldade súbita de concentração. Ele lê a mesma página dez vezes e não entende nada.

🔸️ Higiene relaxada: Deixar de tomar banho ou trocar de roupa por dias, demonstrando uma apatia profunda (a "falta de vontade").


🚩 A Percepção se altera na fase adulta

Aqui, o mundo começa a parecer "estranho" ou ameaçador:

🔸️ Pensamentos Mágicos: Uma mulher que passa a acreditar que as cores das roupas das pessoas na rua são mensagens secretas para ela.

🔸️ Desconfiança (Paranoia leve): O homem que começa a achar que os colegas de trabalho estão rindo dele pelas costas ou que o celular está sendo monitorado, sem uma base real.

🔸️ Alterações Sensoriais: Sentir que os sons estão altos demais ou que as cores estão brilhantes de um jeito desconfortável.


💡 Por que observar importa?

É o momento de ouro para intervenção terapêutica e medicamentosa leve, que pode evitar que o quadro evolua para um surto grave.

Se você notar que um filho, aluno ou paciente está "se distanciando" da realidade de forma persistente, não espere o quadro aparecer. 

O acolhimento e a avaliação profissional precoce salvam o futuro.

❤️❤️❤️

Abilio Machado 

Psicoarteterapeuta C & P 

Aos poucos tudo muda


 Há um dia em que a casa fica estranhamente silenciosa, e não é porque a criança foi embora. Ela ainda está ali, sentada no chão, no sofá, no quarto. O que mudou foi a língua que ela fala — e, junto com ela, o modo como nos alcança.

No começo, tudo era aproximação. A picoca não precisava virar pipoca para ser compreendida. O erro não era falha, era ponte. A linguagem infantil não nomeia o mundo: ela o cria. Cada palavra torta é um ensaio de sentido, uma tentativa de pertencimento. O adulto entende não porque a palavra está correta, mas porque o vínculo está inteiro.

Com o tempo, algo acontece. A estela aprende que é estrela. O tefone se ajeita em telefone. A mânica se corrige para máquina. Não é apenas alfabetização — é adaptação. A criança vai aprendendo que, para ser ouvida no mundo, precisa falar como o mundo fala. A escola chama isso de desenvolvimento linguístico. A psicopedagogia sabe que é também um movimento de separação.

Cada palavra corrigida é uma conquista cognitiva, sim. Amplia o pensamento, organiza a realidade, estrutura o raciocínio simbólico. Mas, ao mesmo tempo, fecha um pequeno portal da infância. O adulto vibra com o progresso, enquanto algo delicado se despede sem cerimônia: aquele idioma íntimo, imperfeito e cúmplice que só existia entre pais e filhos.

Até que chega o dia em que o “não sabo” vira “não sei”. E ninguém aplaude. Porque ali não houve erro a ser corrigido, apenas uma constatação. A criança já sabe que não sabe. Metacognição, diriam os livros. Consciência dos próprios limites, diriam os teóricos. Para os pais, muitas vezes, é só um aperto estranho no peito — como quem percebe que o filho começou a resolver o mundo sem pedir ajuda.

Do ponto de vista psicopedagógico, esse afastamento é saudável. É sinal de maturação, de autonomia intelectual, de construção do eu. A criança precisa sair do colo simbólico para pensar com as próprias palavras. Mas do ponto de vista afetivo, é um luto miúdo, cotidiano, quase invisível. Não se chora por ele, mas ele se acumula.

Os pais não se afastam porque querem. Afastam-se porque a criança avança. E avançar exige espaço. O que antes era dito em voz alta passa a ser pensado. O que era perguntado vira silêncio. O que era compartilhado se torna interno. Não é rejeição — é desenvolvimento.

Talvez o desafio do adulto não seja impedir essa distância, mas aprender outra forma de proximidade. Menos correção, mais escuta. Menos tradução do mundo, mais curiosidade pelo que a criança pensa dele. Porque, mesmo quando a linguagem amadurece, o desejo de ser compreendido permanece infantil por muito tempo.

Aos poucos, os filhos aprendem a falar certo. E os pais precisam aprender a ouvir diferente.


Abilio Machado 

Psicanalista 

Psicoarteterapeuta C & P 

Neuropsicopedagogo ICH 

Arteeducador

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O dilema do Bonde.

 

O Dilema do Bonde

Quadro 1: Um bonde desgovernado avança rapidamente por uma linha férrea. Cinco pessoas estão amarradas nos trilhos à frente.


Quadro 2: Um homem está ao lado de uma alavanca. Ele tem a opção de puxá-la, desviando o bonde para uma segunda linha férrea.


Quadro 3: Nessa segunda linha, uma única pessoa está amarrada.


Quadro 4: O homem está suando, com uma expressão de desespero no rosto, olhando para a alavanca e para as duas opções. Ele sabe que qualquer decisão resultará em morte.


Quadro 5: Close-up do rosto do homem, uma lágrima escorre. Ele precisa decidir.


Quadro 6: O bonde está se aproximando das cinco pessoas, a sombra do bonde já as cobre. O homem ainda não decidiu.


Pergunta: Se você estivesse no lugar do homem da alavanca, o que você faria e por quê?

Contratransferência: quando o analista também é afetado...

  Contratransferência: quando o analista também é afetado  Durante muito tempo, acreditou-se que o analista deveria ser completamente neutro...